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Questão de Português — Crase — Quadrix 2023

PortuguêsCrase
Código
qa499135
Banca
Quadrix
Órgão
CREFONO 2
Ano
2023
Cargo
AFI ( )

A fonoaudiologia é a ciência que tem como objeto de estudo a comunicação humana em todas as suas dimensões e em todos os seus ciclos de vida. Abrange os aspectos referentes à linguagem oral, escrita e sinalizada, à fluência, à articulação da fala, à voz, às estruturas e às funções orofaciais (respiração, mastigação e deglutição), às funções auditiva e vestibular (equilíbrio) e aos sistemas de comunicação alternativos, aumentativos ou suplementares, entre outros.


A interface da fonoaudiologia com a educação pode se dar por meio de ações clínicas e de prevenção e de promoção da saúde. A atuação de cunho clínico é realizada em consultórios, clínicas e ambulatórios e envolve, predominantemente, o atendimento individual de demandas relativas aos problemas da comunicação humana e à aprendizagem. Já a atuação fonoaudiológica, que contempla atividades de promoção da saúde, pressupõe a intervenção coletiva e(ou) individual em diversos contextos institucionais, como, por exemplo, as unidades escolares e sua comunidade. Além disso, está fundamentada em diretrizes que buscam enfrentar os problemas de saúde e melhorar a qualidade de vida da população.


Nessa direção, a atuação fonoaudiológica, que é pautada na promoção da saúde, compreende desde a contribuição na definição das políticas de saúde e de educação e a participação nas instâncias de representação social até as ações específicas no ambiente escolar.


Em parceria com a educação, a fonoaudiologia agrega conhecimentos de sua competência, contribui para o aprimoramento dos processos educativos de ensino‑aprendizagem e colabora com a definição de estratégias educacionais.


Sob a perspectiva da inclusão, deve‑se integrar a esses propósitos a alfabetização, a educação de jovens e adultos (EJA) e o ensino superior, de modo a proporcionar a todos o enfrentamento das desigualdades educacionais, a oportunidade e a garantia ao direito universal de acesso à escolarização.


Internet: <www.fonosp.org.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Acerca da estrutura linguística e do vocabulário empregados no texto, julgue o item.

 

O emprego do sinal indicativo de crase nas duas ocorrências de contração “às” é facultativo.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em "às" — obrigatória ou facultativa?

Gabarito: letra E (Errado). O emprego do sinal indicativo de crase nas duas ocorrências de contração "às" é obrigatório, e não facultativo. A afirmação está incorreta porque, nos dois casos, a crase resulta da fusão da preposição "a" (exigida pela regência) com o artigo feminino plural "as" — e essa fusão é obrigatória, não opcional. Como se lê no 1º parágrafo: "A fonoaudiologia é a ciência que tem como objeto de estudo a comunicação humana em todas as suas dimensões e em todos os seus ciclos de vida. Abrange os aspectos referentes à linguagem oral, escrita e sinalizada..." — aqui, "referentes à linguagem" exige a preposição "a" (quem é referente, é referente a algo) + o artigo "a" (a linguagem). O mesmo ocorre no 2º parágrafo: "...atendimento individual de demandas relativas aos problemas da comunicação humana e à aprendizagem" — "relativas à aprendizagem" também exige preposição + artigo. Em nenhum dos casos se enquadra nas hipóteses de crase facultativa (antes de nome próprio feminino, antes de possessivo adjetivo ou na locução "até a").

O comando

A questão pede um julgamento sobre a facultatividade do sinal de crase. Isso muda tudo: não basta saber se há crase; é preciso saber se ela é obrigatória ou facultativa. A banca não pergunta "há crase?", mas "o uso é facultativo?". A resposta exige conhecer os casos de crase facultativa e verificar se algum deles ocorre no texto.

O texto

O texto trata da fonoaudiologia e sua interface com a educação. As duas ocorrências de "às" estão em:

  1. "Abrange os aspectos referentes à linguagem oral, escrita e sinalizada..." (1º parágrafo)

  2. "...demandas relativas aos problemas da comunicação humana e à aprendizagem." (2º parágrafo)

Em ambas, a estrutura é a mesma: um termo que exige a preposição "a" (referente a, relativo a) + um substantivo feminino que admite o artigo "a". A fusão é obrigatória.

A técnica que decide

A crase é facultativa apenas em três situações clássicas:

  • antes de nome próprio feminino (ex.: "Refiro-me a/à Maria");

  • antes de pronome possessivo adjetivo feminino (ex.: "Refiro-me a/à minha amiga");

  • na locução "até a" (ex.: "Fui até a/à praia").

Nenhuma dessas situações ocorre no texto. Nos dois casos, a crase é obrigatória porque há a fusão da preposição "a" (exigida pela regência de "referente" e "relativo") com o artigo definido "as". Retirar o acento grave tornaria a frase gramaticalmente incorreta, pois ficaria apenas a preposição sem o artigo, o que não é aceito pela norma culta quando o substantivo é determinado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato confundir os casos de crase facultativa com os de crase obrigatória. A armadilha está em generalizar: "às" nem sempre é facultativo — depende do contexto. Aqui, a regência exige a preposição e o substantivo pede o artigo, tornando a crase obrigatória.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se a crase é obrigatória, substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer "ao", a crase é obrigatória. Ex.: "referentes ao problema" → "referentes à linguagem". Se aparecer apenas "a" (sem artigo), a crase é facultativa ou proibida.

Análise da assertiva

Assertiva — ❌ Errada ⟵ GABARITO

A afirmação de que o emprego do sinal indicativo de crase nas duas ocorrências de contração "às" é facultativo está errada. Como demonstrado, nos dois casos a crase é obrigatória, pois resulta da fusão da preposição "a" (exigida pela regência de "referente" e "relativo") com o artigo feminino plural "as". Não se aplica nenhuma das hipóteses de crase facultativa.

Conclusão: a banca cobrou o conhecimento dos casos de crase facultativa. Como as ocorrências do texto não se enquadram em nenhum desses casos, o uso é obrigatório, tornando a assertiva incorreta.

Gabarito: letra E (Errado).

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