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Questão de Português — Sujeito — FUNDATEC 2023

PortuguêsSujeito
Código
qa499190
Banca
FUNDATEC
Órgão
CM São Gabriel
Ano
2023
Cargo
Esc ( )

A coruja, para muitos povos, representa a inteligência e a clarividência

Por Nílson Souza

 

Minha avó era coruja. De verdade. Não no sentido da fábula da ave que via seus medonhos filhotes como os mais lindos do mundo. Era coruja, porque carregava esse sobrenome que designa a ave noturna. Seu pai, um dos meus bisavôs, chamava-se Antônio Alves Coruja, mas a filharada não curtia muito o nome de família, provavelmente devido ao bullying de todas as épocas que não poupa ninguém com identificação de duplo sentido. Tão logo casou-se com um Souza, dona Rita excluiu o sobrenome paterno.

 

Eu também não uso, mas sei que a ave da sabedoria e do agouro está pousada num dos galhos da minha árvore genealógica. Sequer sou um colecionador de corujinhas, como vários brasileiros e portugueses que curtem miniaturas do bicho por simpatia ou superstição. A simbologia é forte: a coruja, para muitos povos, representa a inteligência e a clarividência — faculdade que muito me agradaria possuir para antever o futuro. Gregos antigos e nativos americanos acreditavam mesmo que a coruja, por enxergar à noite, era uma espécie de oráculo, tanto que a própria deusa da sabedoria e da justiça — Atena — é representada com uma dessas aves no ombro.

 

Mas nem tudo são flores no imaginário dessa ave de rapina. Os astecas a identificavam como “deus dos infernos” e achavam que ela aparecia para devorar a alma dos moribundos. Na Europa medieval, eram consideradas bruxas disfarçadas e ainda hoje são vistas como guardiãs dos cemitérios.

 

A verdade é que minhas parentes aladas não fazem mal a ninguém, excetuando-se, obviamente, suas presas — peixes, roedores, insetos e até outras aves. Mas elas também têm seus predadores, e talvez o mais perigoso seja o animal humano. Quando os filmes de Harry Potter estouraram, adolescentes de várias partes do mundo adotaram corujinhas de carne e penas como animal de estimação, imitando o próprio bruxinho e seus companheiros de magia. Depois que a onda passou, centenas foram abandonadas. No Reino Unido, foi preciso criar alas especiais nos santuários de aves para receber as órfãs do filme.

 

Mas a coruja também se vinga dos humanos. Uma das espécies mais comuns no Brasil é a chamada coruja rasga-mortalha, que emite um som assustador, semelhante a uma roupa sendo rasgada. Diz a lenda que, quando a agourenta passa sobre uma casa ou pousa no seu telhado, algum morador vai virar estrela.

 

Tem de tudo nessa minha família. Mas nossos filhotes são lindos.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/nilson-souza/noticia/2022/10/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.     Na frase “Os astecas a identificavam como ‘deus dos infernos’ e achavam que ela aparecia para devorar a alma dos moribundos”, o sujeito da oração organizada em torno do verbo “identificavam” é:
  1. ASimples.
  2. BComposto.
  3. COculto.
  4. DIndeterminado.
  5. EInexistente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Simples.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise sintática do sujeito — Gabarito: letra A.

Gabarito: letra A. O sujeito da oração organizada em torno do verbo “identificavam” é simples, pois apresenta um único núcleo: o pronome “Os astecas”. A banca cobra a classificação do sujeito a partir da identificação do núcleo — e aqui o núcleo é um só, o que descarta de imediato as alternativas B, C, D e E.

O comando da questão

O enunciado pede que você classifique o sujeito da oração em que o verbo é “identificavam”. Isso é uma questão de análise sintática — não de interpretação de texto. Você não precisa inferir nada: basta localizar o verbo, perguntar quem pratica a ação e contar os núcleos do termo que responde a essa pergunta.

O texto e a oração em foco

No trecho do texto-base, lemos:

“Os astecas a identificavam como ‘deus dos infernos’ e achavam que ela aparecia para devorar a alma dos moribundos”

A oração em destaque é “Os astecas a identificavam como ‘deus dos infernos’”. O verbo é “identificavam” (3ª pessoa do plural, pretérito imperfeito do indicativo). Quem identificava? Os astecas. O sujeito é “Os astecas” — um termo explícito, formado por um artigo (Os) e um substantivo (astecas). O núcleo do sujeito é “astecas”, uma única palavra. Portanto, sujeito simples.

A técnica que decide

Para classificar o sujeito, siga este roteiro:

  1. Ache o verbo da oração.

  2. Pergunte: quem pratica a ação? (ou de quem se declara algo?)

  3. Identifique o termo que responde.

  4. Conte os núcleos desse termo:

    • 1 núcleo → sujeito simples;

    • 2 ou mais núcleos → sujeito composto;

    • não está explícito, mas dá para identificar pela desinência ou contexto → sujeito oculto (ou desinencial);

    • não dá para identificar (verbo na 3ª pessoa do plural sem referência, ou verbo na 3ª pessoa do singular + “se”) → sujeito indeterminado;

    • verbo impessoal (fenômenos da natureza, “haver” com sentido de existir, “fazer” indicando tempo) → sujeito inexistente (oração sem sujeito).

Aplicando ao caso: o verbo “identificavam” tem sujeito explícito “Os astecas”, com um único núcleo (“astecas”). Logo, simples.

Análise das alternativas

Sujeito
  • 1Quanto ao núcleo
    • Simples (1 núcleo)
    • Composto (2+ núcleos)
  • 2Quanto à identificação
    • Oculto (não explícito, mas identificável)
    • Indeterminado (não identificável)
    • Inexistente (verbo impessoal)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. O sujeito é simples porque tem um único núcleo: “astecas”. O artigo “Os” é apenas um adjunto adnominal, não conta como núcleo. A oração poderia ser reescrita como “Os astecas identificavam a coruja como ‘deus dos infernos’” — o sujeito continua sendo um só.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Incorreta. O sujeito composto exige dois ou mais núcleos. Aqui há apenas um núcleo (“astecas”). A banca tenta confundir o candidato com a presença de vários termos na frase, mas o sujeito é um só. Erro: troca de conceito — confundir sujeito composto com sujeito simples.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Incorreta. O sujeito oculto (ou desinencial) é aquele que não está explícito na oração, mas pode ser identificado pela desinência verbal ou pelo contexto. No trecho, o sujeito está explícito: “Os astecas”. Portanto, não é oculto. Erro: contradiz o texto — o sujeito está claramente expresso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Incorreta. O sujeito indeterminado ocorre quando não se pode identificar quem pratica a ação (verbo na 3ª pessoa do plural sem referência, ou verbo na 3ª pessoa do singular + “se”). Aqui, o sujeito é perfeitamente identificável: “Os astecas”. Erro: contradiz o texto — o sujeito é determinado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Incorreta. O sujeito inexistente (oração sem sujeito) ocorre com verbos impessoais (chover, haver, fazer indicando tempo). O verbo “identificavam” é transitivo direto e exige um sujeito agente — que está presente. Erro: contradiz o texto — há sujeito claro na oração.

Fechamento

A regra de ouro: conte os núcleos do sujeito. Se houver um só, é simples; se houver dois ou mais, é composto. E lembre-se: sujeito oculto, indeterminado e inexistente só ocorrem quando não há termo explícito — o que não é o caso aqui.

NÃO CAIA NESSA!

Ao classificar o sujeito, sublinhe o verbo e pergunte “quem?” antes de olhar as alternativas. Isso evita cair na pegadinha de confundir sujeito simples com composto.

Gabarito: letra A.

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