Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Predicado — FUNDATEC 2023

PortuguêsPredicado
Código
qa499288
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Cordilheira A
Ano
2023
Cargo
ACE (Cordilheira A)

Profissionais de saúde têm índices negativos de saúde e bem-estar mental na pandemia, diz pesquisa

 

Por Theo Ruprecht

 

Um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revela que 86% sofrem com Síndrome de Burnout e 81% com estresse. Má qualidade de sono, sintomas depressivos e dores pelo corpo também foram frequentemente reportados. Por outro lado, a maioria desses profissionais vê grande sentido nos serviços que prestam à sociedade. “No momento temos uma fotografia da situação, o que não nos permite afirmar que a pandemia é responsável pelos resultados encontrados. Mas acreditamos que o impacto especialmente pesado da Covid-19 no país contribuiu para índices tão ruins”, destaca Tatiana de Oliveira Sato, professora do Departamento de Fisioterapia e do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da UFSCar. “Acreditamos que a pandemia influenciou negativamente esses resultados. A sobrecarga no trabalho, as decisões difíceis e os dramas vivenciados afetaram consideravelmente os profissionais de saúde, especialmente os que atuaram na linha de frente”, diz Sato. “A ideia original da pesquisa surgiu pouco antes da Covid-19. Mesmo fora do contexto da pandemia, esses profissionais lidam com muitas demandas e responsabilidades e queríamos avaliar o efeito disso no bem-estar físico e mental”, relata a pesquisadora. “Mas, com a chegada do SARS-CoV-2, o projeto acabou mensurando o efeito da emergência sanitária na saúde desses trabalhadores”, completa.

 

Ainda em andamento, o projeto teve a análise de sua primeira coleta de dados publicada no periódico científico Healthcare. A iniciativa como um todo tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e está em fase final de coleta e análise dos dados. Originalmente, os pesquisadores entrevistariam os voluntários in loco – a princípio, todos seriam funcionários do Sistema Único de Saúde (SUS) localizados em São Carlos, interior paulista. No entanto, os trâmites necessários para iniciar a pesquisa de campo foram superados entre o fim de 2020 e o início de 2021 – quando a pandemia assolava o país todo e as vacinas haviam sido aplicadas em uma minoria da população. “Diante disso, criamos um formulário on-line e ampliamos a busca por respondentes para o Brasil inteiro”, conta Sato. “Os critérios de inclusão eram trabalhar no SUS, ter mais de 18 anos e estar envolvido diretamente com a assistência aos pacientes”, complementa. Esse formulário foi divulgado via redes sociais, e-mails e até pela imprensa. Ele reunia cinco questionários diferentes, cada um voltado para quantificar um aspecto da vida dos trabalhadores. Entre eles, o Copenhagen Psychosocial Questionnaire (que mede os aspectos sociais e psicológicos), o Pittsburgh Sleep Quality Index (que estima a qualidade do sono), o Nordic Musculoskeletal Questionnaire (responsável por avaliar problemas musculoesqueléticos) e o Beck Depression Inventory (que detecta sintomas depressivos).

 

No total, o formulário continha dez páginas. “Nós estimamos que, para responder todas as perguntas, uma pessoa gaste de 20 a 30 minutos. E o questionário só era incluído na pesquisa quando preenchido por completo”, reitera Sato. Além disso, equipamentos que medem a quantidade de atividade física foram utilizados pelos respondentes locais para compor as avaliações.

 

Os dados apresentados no artigo já publicado destacam uma alta prevalência de sintomas musculoesqueléticos Imagem associada para resolução da questão 64% reportaram dores no pescoço, 62% nos ombros, 58% na coluna torácica e 61% na lombar. De acordo com Sato, a própria rotina do trabalho – longas horas em pé, manuseios de pacientes, ritmo de trabalho acelerado e por aí vai – ajuda a explicar esses dados. “Mas a sobrecarga mental também é capaz de disparar esses desconfortos pela tensão que provoca no corpo”, acrescenta.

 

No quesito psicossocial, os indicadores são preocupantes, segundo os autores. Entre os participantes, 81% manifestaram estresse e 86%, Síndrome de Burnout. Sintomas depressivos leves foram encontrados em 22% dos profissionais de saúde. Outros 16% exibiam sintomas depressivos moderados e 8%, severos. No mais, 74,4% da amostra apresentou qualidade de sono ruim. Entre os respondentes, 75% avaliaram negativamente as demandas emocionais ligadas ao trabalho, 61% criticaram o ritmo do serviço e 47% reprovaram a imprevisibilidade dele. São esses os fatores psicossociais com pior avaliação no artigo.

 

Por outro lado, destaca-se que mais de 90% dos participantes acreditam realizar um trabalho muito significativo e cerca de 80% se dizem comprometidos com o trabalho, mesmo diante de um clima tão estressante.

 

(Disponível em: cnnbrasil.com.br/saude/profissionais-de-saude-tem-indices-negativos-de-saude-e-bem-estar-mental-na-pandemia-diz-pesquisa/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

   

No trecho “esses profissionais lidam com muitas demandas e responsabilidades e queríamos avaliar o efeito disso no bem-estar físico e mental”, a palavra sublinhada é:

  1. AVerbo transitivo direto.
  2. BComplemente nominal.
  3. CObjeto indireto.
  4. DObjeto direto.
  5. EVerbo transitivo indireto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Verbo transitivo indireto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Predicação verbal: “queríamos avaliar o efeito disso” — Gabarito: letra E.

A palavra sublinhada no trecho é “avaliar”, e ela é um verbo transitivo indireto (VTI), pois exige complemento com preposição obrigatória — no caso, “avaliar o efeito disso” (avaliar de algo). A alternativa E é a correta porque o verbo “avaliar”, no contexto, pede um objeto indireto introduzido pela preposição “de”, como se vê na passagem: “queríamos avaliar o efeito disso no bem-estar físico e mental”.

O comando

A questão pede a classificação sintática da palavra sublinhada — ou seja, exige que você identifique se ela é um verbo transitivo direto, um complemento nominal, um objeto indireto, um objeto direto ou um verbo transitivo indireto. Isso é uma questão de análise sintática (função dos termos na oração), não de interpretação de texto. O comando é direto: “a palavra sublinhada é”. Portanto, você deve olhar para a palavra destacada e perguntar: qual é a função dela na oração?

O texto

O trecho em questão é: “esses profissionais lidam com muitas demandas e responsabilidades e queríamos avaliar o efeito disso no bem-estar físico e mental”. A palavra sublinhada é “avaliar”. Para classificá-la, é preciso analisar a transitividade do verbo: ele exige complemento? Com ou sem preposição?

  • “avaliar” = verbo que pede complemento. Quem avalia, avalia algo. No texto, o complemento é “o efeito disso”.

  • A pergunta é: esse complemento é direto (sem preposição) ou indireto (com preposição)?

No trecho, o complemento é “o efeito disso”. Note que “avaliar” rege a preposição “de”: avalia-se de algo. A construção “avaliar o efeito disso” equivale a “avaliar do efeito disso” (avaliar de + o efeito). Portanto, o complemento é objeto indireto, e o verbo é transitivo indireto.

A técnica

Para classificar a transitividade de um verbo, siga este método:

  1. Identifique o verbo (a palavra sublinhada).

  2. Pergunte ao verbo: “verbo + o quê?” ou “verbo + de quê?”. A resposta é o complemento.

  3. Verifique se há preposição obrigatória entre o verbo e o complemento:

    • Sem preposição → objeto direto (verbo transitivo direto).

    • Com preposição obrigatória → objeto indireto (verbo transitivo indireto).

No caso: “avaliar o efeito disso”. A pergunta é “avaliar de quê?” → “avaliar do efeito disso”. A preposição “de” é obrigatória. Logo, o complemento é objeto indireto e o verbo é transitivo indireto.

PEGA ESSA DICA!

Desconfie de verbos como “avaliar”, “precisar”, “gostar”, “concordar”, “assistir” (no sentido de ver) — eles costumam ser transitivos indiretos, pois exigem preposição. Teste sempre com a pergunta “verbo + de/em/com/a + quê?”.

Análise das alternativas

1Verbo transitivo direto (VTD)
Complemento sem preposição
Objeto direto
2Verbo transitivo indireto (VTI)
Complemento com preposição obrigatória
Objeto indireto
3Verbo intransitivo
Sem complemento
Transitividade verbal
LEVELsoulevel.com.br
Transitividade verbal: Verbo transitivo direto (VTD) (Complemento sem preposição, Objeto direto); Verbo transitivo indireto (VTI) (Complemento com preposição obrigatória, Objeto indireto); Verbo intransitivo (Sem complemento)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Verbo transitivo direto. O verbo transitivo direto exige complemento sem preposição (objeto direto). “Avaliar” não é VTD no contexto, pois exige a preposição “de”. Exemplo de VTD: “avaliar a prova” (avalia-se algo, sem preposição). No texto, o complemento é “o efeito disso”, que pede “de”. Portanto, errada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Complemento nominal. Complemento nominal é o termo que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), não de um verbo. “Avaliar” é um verbo, não um nome. Portanto, errada — confunde a classe da palavra sublinhada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Objeto indireto. O objeto indireto é o complemento do verbo transitivo indireto, não o verbo em si. A palavra sublinhada é o verbo “avaliar”, não o complemento. O objeto indireto seria “do efeito disso”. Portanto, errada — confunde o verbo com o seu complemento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Objeto direto. O objeto direto é o complemento sem preposição de um verbo transitivo direto. Novamente, a palavra sublinhada é o verbo, não o complemento. Além disso, o complemento de “avaliar” é indireto (com preposição). Portanto, errada — mesma confusão da alternativa C.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Verbo transitivo indireto. O verbo “avaliar”, no contexto, exige complemento com preposição obrigatória (“de”): “avaliar do efeito disso”. Logo, é um VTI, e o complemento é objeto indireto. A alternativa está correta.

Conclusão

A palavra sublinhada é o verbo “avaliar”, e ele é transitivo indireto, pois exige complemento com preposição (“de”). As alternativas B, C e D confundem o verbo com o complemento ou com outra classe de palavra. A alternativa A erra ao classificar como VTD. A única correta é a letra E.

Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/qa499288