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Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2023

PortuguêsConjunção
Código
qa499418
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Itaara
Ano
2023
Cargo
OEdu ( )

Faróis

 

Por Martha Medeiros

 

Quando a gente nasce, pai e mãe são nossos ídolos, lideram as paradas de sucesso dentro de casa. Avós e irmãos completam a banda. Só escutamos a família e por ela somos influenciados. Mais tarde, brincando na rua, indo ao colégio, a gente descobre a existência de outras pessoas – os primeiros amigos.

 

Tive sorte: antes do meu aniversário de 10 anos, já conhecia Caetano, Mutantes, Gil, Chico, Milton, Bethânia – e Gal, claro. Assim que seus discos eram lançados, aterrissavam na eletrola da sala. Que bom que meus pais não monopolizaram o sucesso que faziam com os filhos. Intuíram que aqueles desconhecidos também teriam muito a nos dizer.

 

Ainda nem tinha entrado na adolescência e eu já era estimulada a abrir a cabeça para diferentes jeitos de existir, para a  pulsão da poesia, para as provocações naturais do pensamento – com uma pequena ajuda de Beatles, que também frequentavam nosso pequeno apartamento no período. Cabiam diversas vozes, rimas, guitarras, violões. Cabia o mundo.

 

Entraram todos para a família. Ajudaram a me formatar e fizeram parte do que veio depois: a faculdade, os namorados, os livros – até chegar aqui.

 

Foi um choque perder Lennon e Harrison, lembro bem. Assim como Cazuza e Cassia Eller, que agreguei na fase adulta. Mas a morte de Gal teve um significado mais profundo. Já não sou jovem, agora também me aproximo da finitude, sem poder quantificar o tamanho do futuro em frente. Antes não pensava nisso, hoje penso. E me atordoo. A turma da MPB entrou na minha vida muito cedo e cresceu comigo, éramos quase da mesma geração, eles ligeiramente avançados. Nesta atual e derradeira etapa da nossa existência, estou ainda perto da porta de entrada, enquanto eles mais perto da porta de saída – hipoteticamente, claro, mas é como o coração sente.

 

Queria poder agarrar a mão de cada um, deixar ninguém sair, como a um pai, uma mãe, os faróis da nossa existência, nossas iluminações. Mas nem Deus consegue esse milagre.

 

Não chamo de dor a perda de uma cantora que não cheguei a conhecer fora do palco, e que teve uma trajetória tão rica que sua partida não soa trágica – tragédia é partir sem ter vivido. Não é dor, porque quem faz parte de mim não se vai totalmente, até que eu vá também. Seguimos vivos uns nos outros. Não é dor, então é o quê? Ainda procuro dar um nome a este sentimento novo que me atravessa. Parece outro tipo de parto: sem pai, nem mãe, nem faróis. É um renascimento tardio e solitário. Chegou o momento de aprender a viver em estado de orfandade. Contar com si própria e com o repertório acumulado durante a vida de antes, que começa a desaparecer lentamente. Pode ser bonito também, eu sei.

 

Não é dor. Acho que é espanto.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

A questão refere-se ao texto abaixo.

   

No tocante à identificação e ao emprego das conjunções, analise o trecho abaixo:

 

O vocábulo “Mas” é classificado como uma conjunção coordenativa                  , pois indica uma               . Logo, pode ser substituído, sem alteração de sentido, por                  ou                   .

 

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.

  1. Aconclusiva – conclusão – logo – então
  2. Badversativa – oposição – todavia – portanto
  3. Cexplicativa – explicação – porque – pois
  4. Dadversativa – oposição – porém – entretanto
  5. Econclusiva – conclusão – todavia – porém
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — adversativa – oposição – porém – entretanto

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunções coordenativas: o valor de “mas” — Gabarito: letra D.

O vocábulo “Mas” é uma conjunção coordenativa adversativa, pois indica oposição entre ideias, e pode ser substituído, sem alteração de sentido, por “porém” ou “entretanto”. É exatamente o que a alternativa D preenche. No texto, o “Mas” aparece em: “Mas a morte de Gal teve um significado mais profundo” — aqui ele contrapõe a perda de Gal às mortes anteriores (Lennon, Harrison, Cazuza, Cassia Eller), estabelecendo uma quebra de expectativa em relação ao que foi dito antes.

Desenvolvimento

1. O comando

A questão pede que você identifique a classe e o valor semântico da conjunção “Mas” e, em seguida, indique duas conjunções equivalentes que possam substituí-la sem mudar o sentido. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta decorar a lista de conjunções; é preciso ler o contexto para confirmar o valor. O comando é de compreensão (o que a palavra significa no trecho) e de reescritura (substituição sem alteração de sentido).

2. O texto

O texto “Faróis”, de Martha Medeiros, é uma crônica sobre a influência dos artistas da MPB em sua formação e sobre a perda deles ao longo da vida. No trecho em questão, a autora relembra a morte de vários ídolos e diz: “Foi um choque perder Lennon e Harrison, lembro bem. Assim como Cazuza e Cassia Eller, que agreguei na fase adulta. Mas a morte de Gal teve um significado mais profundo.” O “Mas” aqui opõe a morte de Gal às mortes anteriores: enquanto as outras foram “choques”, a de Gal foi algo mais profundo. Essa é a oposição que a conjunção marca.

3. A técnica

Para resolver, você precisa conhecer as conjunções coordenativas e seus valores:

  • Aditivas: e, nem, não só... mas também (ideia de soma)

  • Adversativas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto (ideia de oposição, contraste, quebra de expectativa)

  • Alternativas: ou, ora... ora, quer... quer (ideia de alternância)

  • Conclusivas: logo, portanto, então, por conseguinte (ideia de conclusão)

  • Explicativas: porque, pois, que (ideia de explicação)

O “Mas” é classicamente adversativo. No texto, ele introduz uma oposição entre a morte de Gal e as mortes anteriores. Por isso, as lacunas devem ser preenchidas com: adversativa – oposição – porém – entretanto.

4. O gancho

Ao testar cada alternativa, pergunte: “essa conjunção tem o mesmo valor semântico de ‘mas’ no contexto?” Se a conjunção for de outra classe (conclusiva, explicativa), ela muda o sentido — e a alternativa está errada. A única que mantém o valor adversativo é a D.

1Aditivas
e, nem, não só... mas também
2Adversativas
mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto
3Alternativas
ou, ora... ora, quer... quer
4Conclusivas
logo, portanto, então, por conseguinte
5Explicativas
porque, pois, que
Conjunções coordenativas
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Conjunções coordenativas: Aditivas (e, nem, não só... mas também); Adversativas (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto); Alternativas (ou, ora... ora, quer... quer); Conclusivas (logo, portanto, então, por conseguinte); Explicativas (porque, pois, que)

Alternativa A — ❌ Incorreta

conclusiva – conclusão – logo – então — Erro: classifica “Mas” como conclusiva, mas “mas” é adversativa. “Logo” e “então” são conjunções conclusivas, não equivalentes a “mas”. Contradiz o texto e a gramática.

Alternativa B — ❌ Incorreta

adversativa – oposição – todavia – portanto — Erro: acerta a classificação e o valor, mas o segundo substituto, “portanto”, é conclusivo, não adversativo. A substituição por “portanto” alteraria o sentido. Troca de vocábulo (conclusivo no lugar de adversativo).

Alternativa C — ❌ Incorreta

explicativa – explicação – porque – pois — Erro: classifica “Mas” como explicativa, mas “mas” é adversativa. “Porque” e “pois” (quando explicativos) não têm valor de oposição. Contradiz o texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

adversativa – oposição – porém – entretanto — Preenche corretamente as lacunas: “Mas” é adversativa, indica oposição, e pode ser substituído por “porém” ou “entretanto”, que são conjunções adversativas equivalentes. No texto, a substituição mantém o sentido: “Porém a morte de Gal teve um significado mais profundo” ou “Entretanto a morte de Gal teve um significado mais profundo”.

Alternativa E — ❌ Incorreta

conclusiva – conclusão – todavia – porém — Erro: classifica “Mas” como conclusiva, mas “mas” é adversativa. “Todavia” e “porém” são adversativas, mas a classificação inicial já invalida a alternativa. Contradiz o texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura conjunções de classes diferentes (conclusivas e adversativas) para testar se você reconhece o valor semântico de “mas” no contexto. Não se deixe enganar por “todavia” ou “porém” aparecerem em alternativas com classificação errada.

PEGA ESSA DICA!

Decore as conjunções coordenativas por valor semântico (adição, oposição, alternância, conclusão, explicação) e, ao substituir, teste se a frase continua com o mesmo sentido. “Mas” é sempre adversativa — desconfie de qualquer alternativa que a classifique como conclusiva ou explicativa.

Gabarito: letra D.

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