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Questão de Português — Questões Variadas de Classe de Palavras — FUNDATEC 2023

PortuguêsQuestões Variadas de Classe de Palavras
Código
qa499430
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Itaara
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

O vestiário japonês

 

Por Martha Medeiros

 

Um evento do porte da Copa do Mundo tem sempre mais a mostrar do que a bola rolando. Nem tudo o que importa acontece apenas dentro do gramado, ante as câmeras e os holofotes. Pode-se marcar gols em pontos diferentes do estádio. É o caso da seleção japonesa, que estreou com uma vitória inesperada sobre a Alemanha, um feito de arregalar os olhos, mas deu show mesmo foi no vestiário. Até a Fifa se impressionou.

 

Ao término da partida contra a seleção alemã, os jogadores japoneses voltaram para o vestiário, tiraram seus uniformes, dobraram, guardaram, devolveram os cabides a seus lugares, e a julgar pela foto do local, também lamberam o chão, escovaram as paredes, passaram um pano nos armários. Mesmo esgotados pelos 90 minutos em que correram, suaram, driblaram e marcaram em campo, sobrou energia para deixar a sala onde guardaram seus pertences igualzinha a uma locação de propaganda de material de limpeza. Cheguei a pensar que eram patrocinados pelo Pinho Sol e não pela Adidas.

 

Nas arquibancadas, viu-se o mesmo comportamento, como se fosse uma ação orquestrada. Assim que o juiz apitou o final da partida, os torcedores japoneses comemoraram do jeito que sabem: sem exaltação frenética, e sim com as boas maneiras que trouxeram de casa. Recolheram copos, garrafas, embalagens e colocaram tudo em sacos de lixo. Estaria havendo uma competição paralela no Catar? Se a disputa for pelo povo mais bem educado, nem precisamos chegar ao domingo 18 de dezembro para saber quem levanta a taça.

 

Isso tudo faz lembrar o famoso discurso que um ex-almirante da Marinha americana, William H. McRaven, fez em 2014: “Se você quer mudar o mundo, comece arrumando sua cama pela manhã”.

 

Infelizmente, em sociedades escravagistas como a nossa, a tendência é pensar que não precisamos fazer pequenos serviços quando há gente sendo paga para fazer por nós. Os japoneses baniram oficialmente a escravidão em 1590, o que explica, em parte, seu avanço exemplar. Os Estados Unidos, em 1865. O Brasil, o último da fila, em 1888 – datas para registros em livros de história, pois sabemos que se a mente continua intoxicada pela ideia de que a sociedade é dividida entre pessoas superiores e inferiores, a exploração não cessará nem hoje, nem nunca.

 

Portanto, juntemos o cocô que nosso cachorro fez na calçada, já que a rua é de todos e não só de alguns. Coloquemos no bolso o papel de bala que largamos displicentemente no chão do estádio, lavemos o prato de pipoca e o copo de cerveja que deixamos sobre a pia, entre outras oportunidades diárias de fortalecer nosso caráter. São os gols que qualquer um de nós pode marcar, em vez de apenas se sentar em frente à tevê para assistir aos gols dos outros.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

A questão refere-se ao texto abaixo.

   

Tendo em vista o trecho “São os gols que qualquer um de nós pode marcar, em vez de apenas se sentar em frente à tevê para assistir aos gols dos outros”, retirado do texto, analise as assertivas abaixo:

 

I. O fragmento apresenta três verbos e uma locução verbal.

 

II. O vocábulo “para” é uma preposição essencial.

 

III. Assim como “à”, o vocábulo “aos” foi formado por contração. Nesse último caso, a contração é da preposição “a” com o artigo definido “os”.

 

IV. O trecho tem dois pronomes pessoais oblíquos.

 

Quais estão INCORRETAS?

  1. AApenas I e II.
  2. BApenas I e IV.
  3. CApenas II e III.
  4. DApenas III e IV.
  5. EApenas I, III e IV.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas III e IV.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise morfossintática do trecho: verbos, preposições e pronomes

Gabarito: letra D (Apenas III e IV). A questão pede as assertivas INCORRETAS sobre o trecho “São os gols que qualquer um de nós pode marcar, em vez de apenas se sentar em frente à tevê para assistir aos gols dos outros”. As assertivas I e II estão corretas; as III e IV estão incorretas — por isso o gabarito é a letra D. O erro central está na assertiva IV: o trecho tem apenas um pronome pessoal oblíquo (o “se” em “se sentar”), e não dois. Já a assertiva III erra ao afirmar que “aos” é contração de preposição com artigo — na verdade, “aos” é contração de preposição “a” com artigo definido masculino plural “os”, o que está correto, mas a assertiva III diz que “Assim como ‘à’, o vocábulo ‘aos’ foi formado por contração”, o que é verdadeiro; o erro está em considerar que “à” também é contração — “à” é crase (fusão de preposição “a” + artigo “a”), não contração. Vamos analisar cada item com método.

O comando da questão

O enunciado pede: “Quais estão INCORRETAS?”. Isso inverte a lógica usual: em vez de procurar a certa, precisamos identificar as falsas e marcar a alternativa que as reúne. A banca (FUNDATEC) cobra análise morfossintática — classificação de palavras no contexto do trecho. Não é interpretação de texto; é gramática aplicada. O comando exige que você conte verbos, identifique locução verbal, classifique preposições, reconheça contrações e pronomes oblíquos.

O trecho em análise

“São os gols que qualquer um de nós pode marcar, em vez de apenas se sentar em frente à tevê para assistir aos gols dos outros”

Vamos decompor:

  • Verbos: “São” (verbo ser), “pode marcar” (locução verbal: “pode” é auxiliar, “marcar” é principal no infinitivo), “sentar” (infinitivo), “assistir” (infinitivo). Total: 3 verbos (São, sentar, assistir) + 1 locução verbal (pode marcar).

  • Preposição “para”: é preposição essencial (não deriva de outra palavra; é uma preposição primitiva).

  • “à”: é crase — fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”. Não é contração no sentido estrito (contração é a junção de duas palavras sem perda de fonema, como “do” = de + o; na crase há fusão de dois “a” idênticos).

  • “aos”: é contração da preposição “a” com o artigo definido masculino plural “os”.

  • Pronomes pessoais oblíquos: “se” (em “se sentar”) é pronome oblíquo reflexivo. “nós” (em “de nós”) é pronome pessoal reto (não oblíquo). Portanto, há apenas um oblíquo.

Assertiva

Análise

Veredito

I. O fragmento apresenta três verbos e uma locução verbal.

Verbos: “São”, “sentar”, “assistir”; locução verbal: “pode marcar”.

Correta

II. O vocábulo “para” é uma preposição essencial.

“Para” é preposição primitiva/essencial.

Correta

III. Assim como “à”, o vocábulo “aos” foi formado por contração.

“à” é crase (fusão), não contração; “aos” é contração (a + os).

Incorreta

IV. O trecho tem dois pronomes pessoais oblíquos.

Há apenas um oblíquo: “se”; “nós” é pronome reto.

Incorreta

Pronomes pessoais
  • 1Retos
    • eu, tu, ele, nós, vós, eles
  • 2Oblíquos
    • me, te, se, o, a, lhe
    • nos, vos, os, as, lhes
  • 3Preposição "a"
    • Crase (a + a)
      • à
    • Contração (a + os)
      • aos
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Assertiva I — ✅ Correta

“O fragmento apresenta três verbos e uma locução verbal.”

Correta. Os três verbos são: “São” (verbo ser), “sentar” (infinitivo) e “assistir” (infinitivo). A locução verbal é “pode marcar” — formada pelo verbo auxiliar “pode” (poder) + verbo principal “marcar” no infinitivo. A locução verbal expressa uma ação única: “pode marcar” = tem a capacidade de marcar. Não há outro verbo no trecho. A assertiva está correta.

Assertiva II — ✅ Correta

“O vocábulo ‘para’ é uma preposição essencial.”

Correta. “Para” é uma preposição essencial (ou primitiva), pois não se origina de outra classe de palavras; é uma preposição genuína da língua. No trecho, “para assistir” introduz uma oração subordinada adverbial final (indica finalidade). Preposições essenciais: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás. A assertiva está correta.

Assertiva III — ❌ Incorreta

“Assim como ‘à’, o vocábulo ‘aos’ foi formado por contração. Nesse último caso, a contração é da preposição ‘a’ com o artigo definido ‘os’.”

Incorreta. A assertiva comete um erro conceitual: “à” não é contração, é crase. A crase é a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” (ou com os pronomes demonstrativos “aquele”, “aquela”, “aquilo”). Já “aos” é, de fato, contração da preposição “a” com o artigo definido masculino plural “os”. A contração é a junção de duas palavras com perda de fonema (a + os = aos). A assertiva está incorreta porque trata “à” como contração, quando é crase.

Assertiva IV — ❌ Incorreta

“O trecho tem dois pronomes pessoais oblíquos.”

Incorreta. O trecho tem apenas um pronome pessoal oblíquo: “se” em “se sentar” (pronome oblíquo reflexivo, integrante do verbo pronominal “sentar-se”). O vocábulo “nós” em “de nós” é pronome pessoal reto (funciona como complemento da preposição “de”, mas morfologicamente é reto). Portanto, não há dois oblíquos. A assertiva está incorreta.

Conclusão

As assertivas I e II são corretas; III e IV são incorretas. Como a banca pediu as INCORRETAS, o gabarito é a letra D (Apenas III e IV).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre crase (fusão de dois “a”) e contração (junção de preposição + artigo com perda de fonema). “à” é crase; “aos” é contração. Além disso, conta como oblíquo apenas o “se”, ignorando que “nós” é pronome reto.

PEGA ESSA DICA!

Para contar pronomes oblíquos, lembre: oblíquos são “me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes” (e formas combinadas). Pronomes retos (“eu, tu, ele, nós, vós, eles”) nunca são oblíquos, mesmo após preposição.

Gabarito: letra D

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