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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2023

PortuguêsCrase
Código
qa499483
Banca
FUNDATEC
Órgão
ELETROCAR
Ano
2023
Cargo
Elet ( )

O Cupido original não era um bebê com asas

Por Leo Caparroz

 

Você provavelmente já viu a seguinte figura do Cupido: pequeno, gorducho, com carinha de bebê, asinhas e portando um arco e flecha.

 

Essa é uma interpretação moderna do Cupido, presente em desenhos animados, cartões de Dia dos Namorados e gifs do WhatsApp. O problema é que, se compararmos com a versão original dessa figura mitológica, esse visual está bem equivocado.

 

A lenda começa com Vênus furiosa com a devoção dos mortais por Psiquê. Tomada pelo ciúme e pela inveja, Vênus ordenou a seu filho, Cupido, que fizesse a princesa se apaixonar por alguém extremamente miserável. Porém, o que aconteceu é que ele próprio ficou caidinho pela moça – e desobedeceu a mãe.

 

Enquanto isso, a família de Psiquê estava preocupada. As duas irmãs da princesa já estavam casadas – mas a jovem estava longe de encontrar um amor. Com isso em mente, seu pai busca o Oráculo do deus Febo (a versão romana de Apolo), que informa que Psiquê se casaria com uma criatura.

 

Em certo momento, Psiquê adormece e, quando acorda, está em um palácio grande e luxuoso, onde é servida por criados invisíveis. Naquela mesma noite, um “marido desconhecido chegou e fez de Psiquê sua esposa”, mas ele vai embora antes do nascer do sol e a proíbe de tentar investigar sua aparência.

 

A partir daí, esse marido misterioso chega todas as noites, dorme com Psiquê e sai antes do nascer do Sol. Não demora muito para que a princesa engravide e, pouco ____ pouco, a falta de contato com o mundo exterior a deixa cada vez mais triste e solitária.

 

O marido, então, permite que as irmãs de Psiquê a visitem. Quando elas aparecem, porém, ficam cheias de inveja da sua vida de luxo. Na tentativa de acabar com o casamento, elas fazem a cabeça de Psiquê com uma suposição para o segredo do marido: tal qual a previsão do Oráculo, ele seria uma serpente monstruosa, que iria devorá-la ainda grávida.

 

Horrorizada, Psiquê acreditou, e decidiu matar o marido com uma adaga, enquanto ele dormia. Antes disso, porém, olhou para o seu rosto, _____ luz de uma lamparina. Foi quando descobriu quem era o homem misterioso: Cupido.

 

Emocionada com a descoberta, ela derrama o óleo fervente da lamparina e desperta Cupido. Totalmente desconcertado com a traição de sua esposa, ele voa para longe, deixando uma Psiquê apaixonada para trás.

 

Completamente perdida de amores, Psiquê embarca em uma longa busca para reencontrar Cupido – que estava de volta ao palácio de sua mãe, recuperando-se dos ferimentos.

 

A princesa se submete _____ uma série de tarefas brutais e torturantes impostas por uma Vênus furiosa com a desonra de seu filho. Ao final da última tarefa, Psiquê cai em sono profundo.

 

Cupido, recuperado de seu ferimento, escapa do castigo de sua mãe pela janela e salva sua amada do sono eterno. Ele leva sua questão até Júpiter, que propõe um acordo: ele ajudaria Cupido; em troca, o deus do amor daria uma mãozinha para que ele conquistasse qualquer donzela que chamasse sua atenção no futuro.

 

E foi assim que Psiquê se tornou imortal – e pôde se casar “oficialmente” com Cupido.

 

A história sugere uma lição de moral: embora o processo possa ser longo e difícil, casais eventualmente se ajustam a seus papéis. É claro: a trama de Cupido e Psiquê teria sido bem menos complicada se confiança e diálogo estivessem presentes desde o primeiro momento. Mas é interessante pensar que, uma vez amenizadas, as emoções intensas do deus do amor podem representar a base para um relacionamento duradouro.

 

(Disponível em: https://super.abril.com.br/cultura/o-cupido-original-nao-era-um-bebe-com-asas-conheca-suahistoria/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando a ocorrência do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas.
  1. Aa – à – a
  2. Bà – à – a
  3. Ca – a – à
  4. Dà – à – à
  5. Eà – a – à
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a – à – a

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: a – à – a

Gabarito: letra A. A sequência correta é a – à – a: na primeira lacuna, "pouco a pouco" é locução adverbial com palavras repetidas (crase proibida); na segunda, "à luz de uma lamparina" é locução adverbial feminina (crase obrigatória); na terceira, "submete a uma série" — o verbo "submeter" exige a preposição "a", mas o artigo indefinido "uma" impede a crase. A regra que decide é a do contexto sintático: verificar se há fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" ou com o "a" inicial de pronomes/locuções femininas.

O comando

A questão pede que você complete as lacunas "correta e respectivamente" com o acento indicativo de crase. Isso significa que você deve analisar cada lacuna isoladamente, aplicando as regras de ocorrência (obrigatória, facultativa, proibida) da crase. Não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada ao contexto — o texto serve apenas para fornecer as frases em que as lacunas aparecem.

O texto e as lacunas

As lacunas estão em três trechos específicos:

  1. "pouco ____ pouco" — locução adverbial formada por palavras repetidas.

  2. "_____ luz de uma lamparina" — locução adverbial feminina.

  3. "submete _____ uma série de tarefas" — regência verbal com artigo indefinido.

Cada uma exige uma regra diferente. Vamos a elas.

A técnica: as três regras que decidem

1ª lacuna — "pouco a pouco": crase PROIBIDA.

"a falta de contato com o mundo exterior a deixa cada vez mais triste e solitária."

A locução "pouco a pouco" é formada por palavras repetidas (pouco... pouco). Nesse caso, a crase é proibida, pois não há artigo feminino — há apenas a preposição "a" entre os dois advérbios. A regra é clara: não há crase entre palavras repetidas. Exemplos: "dia a dia", "cara a cara", "passo a passo". Portanto, a primeira lacuna recebe "a" sem acento.

2ª lacuna — "à luz de": crase OBRIGATÓRIA.

"olhou para o seu rosto, _____ luz de uma lamparina."

A expressão "à luz de" é uma locução adverbial feminina (equivale a "sob a luz de"). Nesse tipo de locução, a crase é obrigatória, pois há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a". A regra geral: locuções adverbiais femininas (à noite, à tarde, à pressa, à vontade, à luz de) sempre levam crase. Portanto, a segunda lacuna recebe "à" com acento grave.

3ª lacuna — "submete a uma série": crase PROIBIDA.

"A princesa se submete _____ uma série de tarefas brutais e torturantes"

O verbo "submeter" exige a preposição "a" (quem se submete, submete-se a algo). No entanto, o termo seguinte é "uma série" — o artigo indefinido "uma" impede a crase. A regra: não há crase antes do artigo indefinido "uma", pois não há fusão com o artigo definido feminino "a". Portanto, a terceira lacuna recebe "a" sem acento.

Análise das alternativas

Crase: fusão preposição "a" + artigo "a"
  • 1Obrigatória
    • Locução adverbial feminina (à luz de)
    • Locução prepositiva feminina (à frente de)
  • 2Proibida
    • Palavras repetidas (pouco a pouco)
    • Antes de artigo indefinido (a uma série)
    • Antes de palavra masculina (a pé)
  • 3Teste do masculino
    • "ao" → crase
    • "ao" + indefinido → sem crase
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência a – à – a está correta: "pouco a pouco" (crase proibida), "à luz de" (crase obrigatória em locução feminina), "submete a uma série" (crase proibida antes de "uma"). É a única que respeita as três regras simultaneamente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência à – à – a erra na primeira lacuna: "pouco à pouco" está incorreto, pois a crase é proibida entre palavras repetidas. O erro é de generalização indevida: o candidato aplica a regra de locução adverbial (que vale para a 2ª lacuna) a um caso de palavras repetidas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência a – a – à erra na segunda e terceira lacunas: "a luz de" deveria ser "à luz de" (locução feminina com crase obrigatória), e "submete à uma série" está incorreto, pois não há crase antes de "uma". O erro é de troca de conceito: confunde locução adverbial com preposição simples e aplica crase onde há artigo indefinido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência à – à – à erra na primeira e terceira lacunas: "pouco à pouco" (crase proibida) e "submete à uma série" (crase proibida antes de "uma"). O erro é de generalização indevida: aplica crase em todos os casos sem verificar a regra específica de cada contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência à – a – à erra na primeira e terceira lacunas: "pouco à pouco" (crase proibida) e "submete à uma série" (crase proibida antes de "uma"). O erro é o mesmo da alternativa D: generalização indevida da regra de locução adverbial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os três casos: locução adverbial feminina (crase obrigatória), palavras repetidas (crase proibida) e artigo indefinido "uma" (crase proibida). O candidato que decora "locução adverbial = crase" erra a primeira e a terceira lacunas.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, teste cada lacuna substituindo o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer "ao" + artigo indefinido, não há. Ex.: "à luz" → "ao clarão" (crase); "a uma série" → "a um conjunto" (sem crase).

Gabarito: letra A. A regra de ouro: crase é fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" — se não há artigo (palavras repetidas) ou se há artigo indefinido ("uma"), não há crase.

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