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Questão de Português — Crase — Instituto Consulplan 2023

PortuguêsCrase
Código
qa499571
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
IF PA
Ano
2023
Cargo
Adm ( )

Tecnologia, inovação e trabalho são feitos de gente

 

É evidente a mudança significativa na forma de trabalho, já que a tecnologia está cada vez mais presente no nosso dia a dia. Tem-se falado muito sobre transformação digital, algoritmo, metaverso, mas nos deparamos com questões voltadas para pessoas que não estão sendo observadas como deveriam.

 

Há um deficit educacional gigantesco no Brasil, além da carência de profissionais da área de tecnologia da informação (TI). Segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a TI precisará de aproximadamente 420 mil profissionais até 2024, mas o sistema educacional brasileiro só capacita 46 mil pessoas com perfil tecnológico por ano. Precisamos investir em educação tecnológica, mas não só isso, também precisamos dar oportunidades.

 

Estamos falando de tecnologias incríveis nas mãos de poucos. Para se ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva e a empresa PwC, mais de 33,9 milhões de brasileiros não têm sequer acesso à internet. Com a chegada do 5G, as escolas privadas que estão nas grandes cidades serão beneficiadas de forma muito mais rápida com a realidade virtual, por exemplo, mas as crianças que estudam em escolas públicas, no interior, não têm a mesma oportunidade.

 

A tecnologia é importante, é um fator primordial. Mas, no fundo, temos carência em diversos aspectos quando falamos de Brasil, inclusive uma necessidade extrema de pessoas querendo falar com pessoas. Os bancos digitais estão mudando suas configurações para que os clientes possam ser atendidos por pessoas e não por robôs. É uma dicotomia que estamos passando, visto que nunca vivemos momentos tão intensos de disrupção digital como agora, sem precedentes históricos. A nossa realidade hoje é completamente diferente e impulsionada por essa transformação digital.

 

Estamos vendo fins de empregos formais, passando a focar em times com outras habilidades, expertises, exigindo criatividade e capacidade de resolver problemas complexos, alfabetização em dados, equidade e meio ambiente. Temas antes desconsiderados que hoje estão provocando essa grande mudança no mercado de trabalho. Isso implica a necessidade de haver pessoas capacitadas, capazes de tomar decisões, com senso crítico apurado e em condições de agir em ambientes turbulentos e incertos. Por isso afirmamos que a inovação é feita por pessoas. Gente que sente e se emociona com as questões do seu entorno. Gente que tem empatia e se solidariza com os problemas dos colegas. Gente que valoriza a ética. A mudança é a constante em nossa vida, mas compreender que o momento não é só tecnologia nos colocará mais empáticos com todos que estão à nossa volta.

 

A tecnologia é o meio, um suporte que, de acordo com a Lei de Moore, se modifica e dobra a cada dois anos. Por sua vez, as pessoas se modificam e crescem. Ampliam o seu conhecimento a cada nova experiência, o aprendizado é incremental e se amplia a cada nova vivência. E altera também em contato com outras pessoas, com viagens, com leituras, com a própria vida. Cada indivíduo modifica a sua realidade e, ao mesmo tempo, é modificado por ela: um ato recíproco. Essas mudanças apresentam uma velocidade exponencial na tecnologia, alteram o nosso ambiente e pessoas são necessárias para conduzir os processos. Desconsiderar as pessoas e sua importância nesse contexto é eliminar a inovação e a tecnologia.

 

(Maria Augusta Orofino. Disponível em:

https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2022/11/5054357- artigo-tecnologia-inovacao-e-trabalho-sao-feitos-de-gente.html. Em: 25/11/2022.)

Texto para responder à questão.

 

“Estamos falando de tecnologias incríveis nas mãos de poucos. Para se ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva e a empresa PwC, mais de 33,9 milhões de brasileiros não têm sequer acesso à internet.”. A ocorrência de crase no trecho anterior demonstra:

  1. AEmprego de preposição cujo efeito de sentido expressa posse.
  2. BEmprego de pronome demonstrativo associado a artigo feminino singular.
  3. CIntrodução ao complemento verbal indiretamente ligado ao termo regente.
  4. DRelação estabelecida entre o termo regente nominal e o termo regido feminino devidamente antecedido do artigo feminino “a”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Relação estabelecida entre o termo regente nominal e o termo regido feminino devidamente antecedido do artigo feminino “a”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: a fusão da preposição com o artigo feminino

Gabarito: letra D. A crase em "acesso à internet" ocorre porque o termo regente "acesso" (substantivo) exige a preposição "a", e o termo regido "internet" (substantivo feminino) admite o artigo "a" — fusão de preposição + artigo = crase. Como se lê no trecho: "mais de 33,9 milhões de brasileiros não têm sequer acesso à internet". A alternativa D descreve exatamente essa relação: termo regente nominal (acesso) + termo regido feminino (internet) antecedido do artigo feminino "a".

O comando da questão

A questão pede que você identifique o que a ocorrência de crase demonstra no trecho. Não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto: você precisa reconhecer a função sintática e o mecanismo que gera a crase. O verbo "demonstra" indica que a resposta deve descrever a estrutura gramatical que justifica o acento grave.

O texto e o trecho analisado

O texto discute a exclusão digital no Brasil. No trecho citado, a autora afirma que milhões de brasileiros não têm acesso à internet. A crase está em "acesso à internet". Para analisar, precisamos decompor a expressão:

  • "acesso" é um substantivo masculino que, na regência nominal, exige a preposição "a" (quem tem acesso, tem acesso a algo).

  • "internet" é um substantivo feminino que admite o artigo definido "a".

  • A fusão: preposição a + artigo a = à.

Portanto, a crase ocorre porque há um termo regente nominal (acesso) que pede a preposição, e um termo regido feminino (internet) que aceita o artigo. A alternativa D captura exatamente isso.

A regra da crase

Crase é a fusão de duas vogais idênticas, representada na escrita pelo acento grave (à). No caso mais comum, ocorre quando a preposição "a" (exigida por um verbo ou nome) se encontra com o artigo feminino "a" (que antecede um substantivo feminino). Exemplo clássico:

  • "Vou a + a escola" → "Vou à escola" (verbo ir exige preposição; escola admite artigo).

No trecho, temos o mesmo mecanismo, mas com regência nominal: o substantivo "acesso" exige a preposição "a", e "internet" admite o artigo. Sem a preposição, não há crase; sem o artigo, também não.

Análise das alternativas

1Termo regente nominal
"acesso" exige preposição "a"
2Termo regido feminino
"internet" admite artigo "a"
3Resultado
à (preposição + artigo)
4Teste de troca
Masculino: "acesso ao site"
Feminino: "acesso à internet"
Crase (fusão a + a)
LEVELsoulevel.com.br
Crase (fusão a + a): Termo regente nominal ("acesso" exige preposição "a"); Termo regido feminino ("internet" admite artigo "a"); Resultado (à (preposição + artigo)); Teste de troca (Masculino: "acesso ao site", Feminino: "acesso à internet")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa afirma que a crase expressa posse. No trecho, "acesso à internet" não indica posse (não é "a internet de alguém"), mas sim a relação de regência entre o nome "acesso" e seu complemento. A crase não tem função semântica de posse; ela marca a fusão de preposição e artigo. A banca tenta confundir com o uso de crase em locuções como "à moda de", que pode sugerir posse, mas aqui não é o caso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa fala em pronome demonstrativo associado a artigo. No trecho, o "a" antes de "internet" é artigo definido, não pronome demonstrativo. A crase com pronome demonstrativo ocorre em casos como "Referiu-se à de blusa azul" (em que "à" = "a aquela"), o que não acontece aqui. A banca explora a confusão entre os dois usos do "a".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. A alternativa fala em complemento verbal indiretamente ligado ao termo regente. No trecho, o complemento "à internet" está ligado ao substantivo "acesso", não a um verbo. Trata-se de complemento nominal, não de objeto indireto. A banca tenta confundir regência verbal com regência nominal.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve com precisão o mecanismo: relação entre termo regente nominal (acesso) e termo regido feminino (internet) antecedido do artigo feminino "a". É exatamente o que ocorre: o substantivo "acesso" rege a preposição "a", e o substantivo "internet" é feminino e admite o artigo "a", gerando a fusão "à". Nenhuma outra alternativa descreve essa estrutura.

Conclusão

A crase em "acesso à internet" é um caso clássico de regência nominal: o nome "acesso" exige a preposição "a", e o substantivo feminino "internet" aceita o artigo "a". A alternativa D é a única que identifica corretamente o termo regente nominal e o termo regido feminino com artigo. Gabarito: letra D.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a crase, pergunte: quem tem acesso, tem acesso a algo? Se o termo seguinte for feminino e aceitar artigo, há crase. Teste trocando por um masculino: "acesso ao site" — se usar "ao", no feminino será "à".

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