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Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2023

PortuguêsConjunção
Código
qa499586
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC
Ano
2023
Cargo
PEBTT ( )

A construção da cultura pelas dimensões ideológica e comportamental

 

Por Marcos José da Silveira Mazzotta e Maria Eloísa Famá D’Antino

 

Numerosas são as concepções de cultura, consoantes com variadas vertentes teóricas. De início, é importante destacar que Sorokin, um dos clássicos autores da sociologia, ao abordar a estrutura do universo cultural, ressalta que a “cultura ideológica” consiste na totalidade dos valores e normas adotados por indivíduos e grupos interagentes, o que consolida o aspecto cultural da interação significativa. As ações e reações significativas, por meio das quais os conteúdos da “cultura ideológica” são objetivados e socializados, constituem sua “cultura comportamental” e, num terceiro nível, a “cultura material”, significando todos os demais objetos, veículos e energias materiais por meio dos quais a “cultura ideológica” se manifesta, socializa-se e se consolida. Assim, o sociólogo Sorokin salienta que “a cultura empírica total de uma pessoa ou grupo é constituída por esses três níveis de cultura: ideológico, comportamental e material”. Portanto, o universo cultural abarcando esses três níveis caracteriza a vida social que não se limita a objetos e fatos de um mundo natural, já que se constitui pelas ações, manifestações verbais, símbolos, textos, construções materiais de grande variedade e de sujeitos que se expressam por meio desses artefatos procurando entender aos outros e a si mesmos.

 

Na evolução histórica do conceito de cultura, o pensador John Thompson distingue quatro tipos básicos de concepção, classificando-as como: clássica, descritiva, simbólica e estrutural. A primeira remonta aos séculos XVIII e XIX, quando o termo “cultura”, diferindo em certa medida do processo de “civilização”, era usado em referência a um processo de desenvolvimento intelectual ou espiritual. A segunda envolve um conjunto de valores, crenças, costumes, convenções, hábitos e práticas característicos de uma sociedade específica ou de um determinado período histórico. A terceira entende os fenômenos culturais como simbólicos e o estudo da cultura voltado basicamente para a interpretação dos símbolos e da ação simbólica. Considerando restritivas tais concepções, aquele teórico formula, então, a que chama de “concepção estrutural de cultura”, propondo que “os fenômenos culturais podem ser entendidos como formas simbólicas em contextos estruturados, e a análise cultural pode ser pensada como o estudo da constituição significativa e da contextualização social das formas simbólicas”.

 

Numa breve interpretação, podemos entender que as interações significativas ocorridas em contextos estruturados constroem a cultura pelas dimensões ideológica e comportamental. Nesse sentido, cabe ressaltar a construção e sedimentação de estigmas, estereótipos, padrões de beleza, dentre outras formas simbólicas acompanhadas de atitudes e ações em relação a pessoas que se encontram em determinadas condições individuais e sociais e que em contextos específicos passam a ser discriminadas negativa ou positivamente, tendo favorecida a concretização de situações de inclusão ou exclusão nos variados espaços da vida social. Situações de segregação, marginalização ou exclusão, de quem quer que seja, concretizam atitudes que se configuram como violência simbólica. E, como bem observa Habermas, a violência simbólica se dá sempre que uma pessoa é impedida de defender os seus próprios interesses.

 

Historicamente, as pessoas que apresentam diferenças muito acentuadas em relação à maioria das pessoas constituem-se alvo das mais diversas estratégias de violência simbólica. Um dos segmentos populacionais reiteradamente colocados nessa posição tem sido o composto de pessoas com deficiências físicas, mentais, sensoriais ou múltiplas, além daquelas que apresentam outros transtornos de desenvolvimento. Elementos como funcionalidade e incapacidade, bem como fatores contextuais de ordem pessoal e ambiental, são fundamentais para a melhor compreensão das implicações individuais e sociais das deficiências. Fatores contextuais, portanto, concretizam-se, muitas vezes, em situações limitadoras impostas pelo ambiente físico e social que, defrontadas com as condições individuais, ampliam as desvantagens sociais da pessoa com deficiência.

 

(Disponível em: chromeextension:// efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.scielo.br/j/sausoc/a/mKFs9J9rSbZZ5hr65TFSs5H/? format=pdf&lang=pt – texto adaptado especialmente para esta prova).

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.

   

Com o intuito de preservar a mensagem original do texto, a locução conjuntiva em destaque NÃO pode ser substituída por:

 

I. ao passo que.

 

II. uma vez que.

 

III. pois. Quais estão corretas?

 

  1. AApenas I.
  2. BApenas III.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Apenas I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Locução conjuntiva e preservação de sentido — Gabarito: letra A.

A questão pede para identificar qual locução conjuntiva NÃO pode substituir a locução em destaque no texto sem alterar a mensagem original. A resposta é Apenas I — ou seja, apenas "ao passo que" não pode substituir, enquanto "uma vez que" e "pois" podem. A locução em destaque no texto é "já que", que expressa causa. A alternativa I falha porque "ao passo que" expressa proporção (ou, em alguns contextos, oposição), não causa.

No texto, a locução "já que" aparece no trecho:

"...já que se constitui pelas ações, manifestações verbais, símbolos, textos, construções materiais de grande variedade e de sujeitos que se expressam por meio desses artefatos procurando entender aos outros e a si mesmos."

Aqui, "já que" introduz uma justificativa/causa para a afirmação anterior (o universo cultural não se limita a objetos e fatos do mundo natural). Tanto "uma vez que" quanto "pois" (antes do verbo) são conjunções causais/explicativas e preservam esse sentido. Já "ao passo que" é uma locução proporcional (equivalente a "à medida que") e, em alguns usos, adversativa (equivalente a "enquanto que"), o que alteraria completamente a relação de sentido.

O comando e a técnica

O enunciado pede a substituição que NÃO preserva a mensagem. Isso exige, primeiro, identificar o valor semântico da locução original no contexto — aqui, causa. Depois, testar cada candidata: se a candidata tem o mesmo valor, pode substituir; se tem valor diferente, não pode. A banca não quer saber se a substituição é gramaticalmente possível, mas se mantém o sentido.

A locução em destaque e seu valor

No trecho, "já que" liga duas ideias: o universo cultural não se limita ao mundo natural porque se constitui por ações, símbolos, textos etc. A relação é de causa/justificativa. As locuções "uma vez que" e "pois" (anteposto ao verbo) são clássicas causais — por isso podem substituir sem prejuízo.

Análise das alternativas

Conjunções
  • 1Causais (podem substituir "já que")
    • uma vez que
    • pois (anteposto)
  • 2Proporcional (não pode)
    • ao passo que
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Alternativa I — ❌ Incorreta

"ao passo que" é locução proporcional (equivale a "à medida que") ou, em certos usos, adversativa (equivale a "enquanto que"). No texto, substituir "já que" por "ao passo que" trocaria a relação de causa por uma de proporção/oposição, alterando a mensagem. Portanto, a afirmativa I está correta ao dizer que ela NÃO pode ser substituída — mas a alternativa I é incorreta porque a questão pede a que NÃO pode e ela aponta a única que realmente não pode. Erro: contradiz o texto (inverte a relação lógica).

Alternativa II — ✅ Correta

"uma vez que" é locução causal (equivale a "já que", "porque"). Substituir preserva integralmente o sentido de causa. A afirmativa II está correta ao dizer que ela pode ser substituída.

Alternativa III — ✅ Correta

"pois" (anteposto ao verbo) é conjunção explicativa/causal (equivale a "porque"). No texto, "pois" antes do verbo mantém a justificativa. A afirmativa III está correta ao dizer que ela pode ser substituída.

Conclusão

Apenas a afirmativa I está correta ("ao passo que" não pode substituir). Portanto, o gabarito é a letra A.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "ao passo que" (proporcional) e as causais "uma vez que"/"pois". Quem não identifica o valor de "já que" no texto marca a alternativa errada.

PEGA ESSA DICA!

Antes de testar substituições, pergunte: qual a relação lógica que a locução original estabelece? Só depois compare com as candidatas.

Gabarito: letra A.

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