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Questão de Português — Termos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva) — FUNDATEC 2023

PortuguêsTermos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva)
Código
qa499622
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC
Ano
2023
Cargo
PEBTT ( )

Ser professor

Por Ester Rosseto

 

Ser professor é um lance de amor. Nesse caminho que venho trilhando constatei que existe uma profunda diferença entre dar aula e ser professor. Dar aula é muito bom. É querer compartilhar conhecimento, propagar a informação. Dar aula exige esforço, dedicação, preparo. Mas existe uma imensa distância entre “dar aula” e ser professor, porque dar aula é uma atividade, mas ser professor é muito mais do que isso.

 

Como já dizia o grande mestre Paulo Freire, “eu nunca poderia pensar em educação sem amor. É por isso que me considero um educador: acima de tudo porque sinto amor”, porque professor vai além. Além das tarefas estabelecidas em contrato, além das horas pagas no holerite, além da ideia de que aquilo é apenas um meio para se ganhar a vida.

 

Professor quer saber o nome, quer saber quem é quem, quer saber as histórias, as origens, os rumos pretendidos. Professor está na chuva para se molhar, para se arriscar diariamente. Para sofrer com as derrotas e vibrar com as vitórias dos alunos. Para corrigir provas como quem assiste a um jogo de futebol, lamentando-se quando um craque chuta a bola no travessão. Desacreditando quando um perna de pau acerta a bola no ângulo.

 

Professor se envolve, mesmo quando tenta evitar

 

Professor se perde no cronograma. Não está lá só para cumprir horário e currículo. Está lá para parar a cada dúvida, para ensinar não só a matéria, mas ensinar o melhor do - pouco ou muito - que sabe sobre a vida.

 

Professor acaba por viver muitas vidas além da sua. Vivencia o crescimento, os obstáculos, as crises, os começos de namoro, as brigas entre amigos, problemas de casa, a conjuntivite alheia, as angústias, os caminhos.

 

Professor não tem medo de se expor, de se mostrar humano e vulnerável. Não tem medo de roupa preta suja de giz, de pilhas de livros para carregar, da odisseia do fechamento dos diários no fim do ano, nem das provas que parecem dar cria na calada da noite.

 

Só o que sei é que, no fim das contas, ser professor é um lance de amor. Às vezes é sofrido. Às vezes é maçante. Como todo amor. Mas é uma dessas paixões avassaladoras que vicia, e que quem sente, já não consegue ver sentido em viver sem.

 

(Disponível em: http://zimemaper.blogspot.com/2015/11/cronica-ser-professor-ester-rosseto.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

   

Assinale a alternativa que indica o tipo correto de complemento verbal sublinhado na oração a seguir: “Professor acaba por viver muitas vidas além da sua”.

  1. AObjeto Direto Preposicionado.
  2. BObjeto Direto Pleonástico.
  3. CObjeto Direto Cognato.
  4. DObjeto Direto cujo núcleo é um pronome adjetivo.
  5. EObjeto Direto representado por uma forma nominal de um verbo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Objeto Direto Cognato.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Objeto Direto Cognato — Gabarito: letra C.

Gabarito: letra C. Na oração “Professor acaba por viver muitas vidas além da sua”, o termo sublinhado “muitas vidas” é objeto direto cognato, pois o substantivo “vidas” pertence à mesma família do verbo “viver” (viver → vida). A banca cobra o reconhecimento dessa relação de cognição entre o verbo transitivo direto e o núcleo do seu complemento, sem preposição.

O comando e o que ele pede

A questão pede que você classifique o complemento verbal sublinhado. Isso é uma tarefa de análise sintática — não de interpretação de texto. Você precisa identificar a função sintática do termo e, mais especificamente, reconhecer uma subclassificação do objeto direto: o cognato. O comando não pede para inferir nada; pede para aplicar a nomenclatura gramatical ao trecho.

O texto e o trecho analisado

O trecho está no 6º parágrafo do texto:

“Professor acaba por viver muitas vidas além da sua.”

Aqui, o verbo é “viver” (transitivo direto), e o complemento é “muitas vidas”. O núcleo desse complemento é o substantivo “vidas”, que é cognato do verbo “viver” — ambos derivam do mesmo radical latino vita/vivere. Essa relação de mesma origem etimológica é o que caracteriza o objeto direto cognato (também chamado de objeto interno).

A técnica que decide

Para classificar corretamente, siga estes passos:

  1. Identifique o verbo e sua transitividade: “viver” é transitivo direto (quem vive, vive algo).

  2. Localize o complemento sem preposição: “muitas vidas” — não há preposição, logo é objeto direto.

  3. Verifique a relação entre o verbo e o núcleo do complemento: se o substantivo tem a mesma raiz do verbo (ou é semanticamente equivalente à ação verbal), temos objeto direto cognato.

Exemplos clássicos: “viver a vida”, “sonhar um sonho”, “chorar lágrimas”, “sorrir um sorriso”. Em todos, o objeto repete o sentido do verbo.

Análise das alternativas

1Conceito
Núcleo com mesma raiz do verbo
Repete o sentido da ação
2Exemplos
Viver a vida
Sonhar um sonho
Chorar lágrimas
3Como identificar
Verbo transitivo direto
Complemento sem preposição
Mesma origem etimológica
Objeto direto cognato
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Objeto direto cognato: Conceito (Núcleo com mesma raiz do verbo, Repete o sentido da ação); Exemplos (Viver a vida, Sonhar um sonho, Chorar lágrimas); Como identificar (Verbo transitivo direto, Complemento sem preposição, Mesma origem etimológica)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Objeto Direto Preposicionado é aquele que, excepcionalmente, vem introduzido por preposição (ex.: “Ame a a Deus”). No trecho, “muitas vidas” não tem preposição — o erro é trocar o conceito: a alternativa confunde objeto direto preposicionado com objeto direto comum.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Objeto Direto Pleonástico é aquele que repete o objeto por meio de um pronome (ex.: “As provas, eu as corrigi”). No trecho, não há retomada por pronome; o complemento é único. A alternativa extrapola ao exigir uma estrutura que não existe na oração.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Objeto Direto Cognato — exatamente o caso: o verbo “viver” e o substantivo “vidas” compartilham a mesma raiz. A relação é de cognição (mesma origem), e o objeto repete o sentido do verbo. É a única classificação que se sustenta no trecho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Objeto Direto cujo núcleo é um pronome adjetivo — o núcleo de “muitas vidas” é o substantivo “vidas”; “muitas” é um pronome indefinido adjetivo que funciona como adjunto adnominal, não como núcleo. A alternativa troca o conceito de núcleo: confunde o determinante com o núcleo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Objeto Direto representado por uma forma nominal de um verbo — isso ocorreria se o objeto fosse um infinitivo (ex.: “Quero estudar”). No trecho, o objeto é um substantivo (“vidas”), não uma forma verbal. A alternativa contradiz a estrutura da oração.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre objeto direto cognato e outras classificações, especialmente quando o núcleo é um substantivo que parece “comum”. A chave é reconhecer a relação de mesma raiz entre verbo e complemento.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar objeto direto, sempre verifique se o núcleo do complemento é cognato do verbo (mesma família). Se for, a classificação é cognato — mesmo que o substantivo seja comum.

Conclusão: a única alternativa que descreve corretamente o complemento “muitas vidas” é a letra C, pois o substantivo “vidas” é cognato do verbo “viver”. As demais ou exigem estrutura inexistente (pleonasmo, preposição) ou confundem o núcleo (pronome adjetivo, forma nominal).

Gabarito: letra C.

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