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Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2023

PortuguêsConjunção
Código
qa499652
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC
Ano
2023
Cargo
Adm ( )

Viciada em se apaixonar?

Por Julia Minhoto

 

A química cerebral está amplamente conectada com as nossas emoções e o vício por sentir também é comum na maioria das pessoas: dentre os hormônios liberados pelo nosso cérebro quando nos apaixonamos, a adrenalina, responsável pelo frio na barriga e a excitação, pode gerar aquela necessidade de sempre ter alguém para ficar minimamente obcecada. Se você não conhece alguém assim, talvez você seja essa pessoa.

 

Mas você sabia que existem diversos malefícios nesse tipo de comportamento? A psicóloga clínica com formação em Terapias Cognitivas, neuropsicóloga e especialista em relacionamentos, Ana Paula Torres, ajuda-nos a desvendar a mente de quem é viciada em se apaixonar.

 

De acordo com a especialista, uma pessoa que vive essas circunstâncias geralmente coloca o outro como protagonista em sua vida, porque é através de uma segunda pessoa que ela se proporciona o prazer que está buscando. “O foco da vida dessa pessoa não está sobre ela, podendo transformá-la até mesmo em alguém obsessivo”, explica. “A parte individual dessa pessoa enquanto indivíduo acaba negligenciada, sempre em segundo plano”, acrescenta.

 

Viver um tempo em plena solitude é necessário para o autoconhecimento. Mesmo dentro de relacionamentos, é importante prezar pela individualidade e experiências pessoais. Entretanto, alguém não saber estar sozinho se relaciona, muitas vezes, ao vício pela paixão que pode ser explicado de maneira neurológica, envolvendo a química cerebral.

 

“A necessidade de se apaixonar se dá pela adrenalina, e esse sentimento provoca essas reações. Isso faz com que essa pessoa se sinta mais viva, disposta e animada“, conta.

 

Entretanto, essa sensação tem curta duração. Sendo assim, uma vez que a paixão acaba, a pessoa que está viciada nesse sentimento tende a tomar atitudes que farão que ela se sinta assim novamente. “Mesmo que ela rompa um relacionamento, ela terá a necessidade de se sentir apaixonada novamente, então ela buscará novas relações que podem fazê-la sentir o êxtase do estado inicial de um relacionamento”, explica Ana Paula.

 

Primordialmente, a neuropsicóloga ressalta que essa não é a condição final da paciente, mas sim a consequência de algumas circunstâncias que essa pessoa vivenciou que refletiram no modo dela de se relacionar com os outros. Ou seja, assim como todo vício, esse comportamento pode ser proveniente da infância, da criação ou de reproduções de suas relações anteriores.

 

(Disponível em: claudia.abril.com.br/amor-e-sexo/viciada-em-relacionamentos-isso-pode-interferirnegativamente- na-sua-vida/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.     A locução conjuntiva “mesmo que” apresenta o sentido de ____ e poderia ser substituída por ____ sem prejuízo à correção ou ao sentido do texto.   Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
  1. Aconcessão – não obstante
  2. Bcondição – não obstante
  3. Cconcessão – contanto que
  4. Dcausa – contanto que
  5. Ecausa – porquanto
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — concessão – não obstante

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor semântico de “mesmo que” — Gabarito: letra A.

A locução conjuntiva “mesmo que” expressa concessão e pode ser substituída por “não obstante” sem prejuízo ao sentido. A resposta está na própria natureza do conectivo: “mesmo que” introduz uma ideia de concessão — um fato que se admite, mas que não impede a realização do outro. No texto, o trecho “Mesmo que ela rompa um relacionamento, ela terá a necessidade de se sentir apaixonada novamente” mostra exatamente isso: a quebra do relacionamento é uma circunstância concedida, que não impede a necessidade de se apaixonar. A alternativa A é a única que acerta os dois campos: o valor semântico e o conectivo equivalente.

O comando

A questão pede duas coisas: identificar o valor semântico da locução “mesmo que” e indicar um conectivo que a substitua mantendo o sentido. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto — não basta decorar a lista de conjunções; é preciso ver como o conectivo funciona no contexto. O verbo “apresenta” indica que se busca o sentido (concessão, condição, causa etc.), e “poderia ser substituída” exige um sinônimo funcional.

O texto e a pista decisiva

No texto, a locução aparece em:

Mesmo que ela rompa um relacionamento, ela terá a necessidade de se sentir apaixonada novamente”

Aqui, “mesmo que” introduz uma ressalva: o rompimento é um fato que se admite, mas que não impede a consequência (a necessidade de se apaixonar). Essa é a essência da concessão: uma ideia contrária que não anula a outra. Compare com a condição (se, contanto que, caso), em que a realização de um fato depende do outro — não é o caso aqui, pois a necessidade de se apaixonar independe do rompimento.

A técnica que decide

Para resolver, pergunte: o fato introduzido por “mesmo que” impede ou condiciona o fato principal? Se não impede (apenas contrapõe), é concessão. Se condiciona (é requisito), é condição. No trecho, o rompimento não impede a necessidade de se apaixonar — logo, concessão. O conectivo “não obstante” é clássico para concessão (equivale a “apesar de”, “ainda que”). Já “contanto que” é condicional, e “porquanto” é causal/explicativo — ambos mudariam o sentido.

"Mesmo que"
  • 1Valor semântico
    • Concessão
    • Fato admitido que não impede o outro
  • 2Substituição
    • Não obstante
    • Contanto que (condicional)
    • Porquanto (causal)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A acerta os dois campos: concessão e não obstante. O valor concessivo está provado no trecho citado, e “não obstante” é sinônimo perfeito de “mesmo que” (ambos introduzem uma ressalva que não anula a ideia principal). A substituição mantém a correção gramatical e o sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao dizer que “mesmo que” expressa condição. Condição seria “se”, “caso”, “contanto que” — em que um fato depende do outro. No texto, o rompimento não condiciona a necessidade de se apaixonar; ele é apenas uma circunstância concedida. Além disso, “não obstante” é concessivo, não condicional — a alternativa se contradiz internamente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Acerta o valor (concessão), mas erra o substituto: “contanto que” é condicional, não concessivo. Substituir “mesmo que” por “contanto que” mudaria o sentido para “desde que”, o que não cabe no contexto. A banca explora aqui a confusão entre concessão e condição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra o valor (causa) e o substituto (“contanto que”). “Mesmo que” não indica causa — causa seria “porque”, “já que”. E “contanto que” é condicional, não causal. A alternativa mistura dois erros.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra o valor (causa) e o substituto (“porquanto”). “Porquanto” é causal/explicativo, não concessivo. Substituir “mesmo que” por “porquanto” inverteria a relação lógica do trecho.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre concessão e condição, pois ambas podem ser introduzidas por “mesmo que” em contextos específicos. Mas aqui o valor é claramente concessivo — o rompimento não condiciona a necessidade de se apaixonar.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o valor de um conectivo, pergunte: o fato introduzido impede ou condiciona o fato principal? Se impede, é concessão; se condiciona, é condição. E desconfie de substitutos como “contanto que” (condicional) e “porquanto” (causal) quando o valor for concessivo.

Gabarito: letra A.

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