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Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2023

PortuguêsConjunção
Código
qa500147
Banca
FUNDATEC
Órgão
PROCERGS
Ano
2023
Cargo
AST ( )

Mitigar não resolve, mascara e adia

Por Heverton Lacerda

 

A atual crise do clima precisa ser enfrentada com ações propositivas, planejadas e estruturadas em etapas concretas de realização. Tudo precisa estar concatenado em todas as esferas de governo, em parceria com as atividades de iniciativa privada, tendo as redes de ensino e instituições diversas cooperando. Neste (con)texto, abordo, introdutoriamente, uma reflexão sobre o que podemos realizar no âmbito do Brasil, sem desconsiderar o necessário esforço global para o enfrentamento em tela, na linha do discurso ambientalista ao qual me filio.

 

Para reverter a atual evolução das mudanças climáticas, não podemos estacionar em ações pontuais de mitigação de impactos locais. É preciso ir além. Um exemplo, que nos é atual e caro, está na seca que assola o Rio Grande do Sul. Cavar poços e açudes é paliativo e questionável, mas talvez necessário diante da urgência de produção de alimentos saudáveis. Quem previa que isso seria necessário por aqui? O sexto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas aponta que a seca pode aumentar a exposição de populações cada vez maiores a estresses hídrico e térmico, além de ampliar a desertificação, à medida que a temperatura média do clima da Terra for aumentando.

 

As narrativas preservacionista e ambientalista têm chamado atenção para essa problemática há várias décadas no Brasil e no mundo. Além disso, temos buscado parceiros para que, juntos, possamos liderar o processo de sobrevivência e salvamento da “nossa casa comum”. Ao longo desse período de luta, muitos se juntaram à causa, despertando e compreendendo a urgência imposta. No entanto, cabe confessar, com sinceridade e tristeza, que, apesar de toda a resistência, estamos perdendo a luta em defesa do ambiente natural. Todos nós estamos perdendo, inclusive os que impõem a derrota. Mitigar é um primeiro passo, mas é insuficiente diante dos amplamente anunciados impactos socioambientais. Quais agentes sociais se dispõem a assumir conosco a liderança neste processo?

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao– 19/4/23 - texto adaptado especialmente para esta prova).

Na frase “...além de ampliar a desertificação, à medida que a temperatura média do clima da Terra for aumentando.”, a locução conjuntiva sublinhada expressa ideia de:

  1. ACondição.
  2. BConsequência.
  3. CFinalidade.
  4. DProporcionalidade.
  5. EPossibilidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Proporcionalidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor semântico de "à medida que"

Gabarito: letra D. A locução conjuntiva "à medida que" expressa proporcionalidade: indica que um fato ocorre em correspondência com outro, simultânea e proporcionalmente. No trecho, a desertificação aumenta na mesma proporção em que a temperatura média do clima da Terra aumenta — relação de proporção, não de condição, consequência, finalidade ou possibilidade.

O comando

A questão pede que você identifique a ideia expressa pela locução conjuntiva sublinhada. Isso é uma questão de semântica das conjunções: não basta saber que é uma locução conjuntiva; é preciso reconhecer o valor relacional que ela estabelece entre as orações. A banca quer que você distinga proporcionalidade de outras relações próximas, como causa, condição e consequência.

O texto e a passagem decisiva

No segundo parágrafo, o autor afirma:

"...além de ampliar a desertificação, à medida que a temperatura média do clima da Terra for aumentando."

A oração introduzida por "à medida que" expressa um fato que varia junto com outro: quanto mais a temperatura aumenta, mais a desertificação se amplia. Há uma correlação de grandezas — exatamente o que caracteriza a proporcionalidade.

A técnica: como reconhecer a proporcionalidade

A locução "à medida que" é uma das principais conjunções proporcionais (ao lado de "ao passo que", "à proporção que", "quanto mais... mais"). Ela estabelece uma relação de simultaneidade e correspondência: os dois eventos evoluem juntos, em escala. Para testar, substitua mentalmente por "na mesma proporção em que": se a frase continuar fazendo sentido, é proporcional. Veja:

  • "A desertificação se amplia na mesma proporção em que a temperatura aumenta." — perfeito.

Isso não acontece com as outras relações: não há condição ("se a temperatura aumentar"), nem consequência ("de modo que a temperatura aumenta"), nem finalidade ("para que a temperatura aumente"), nem possibilidade ("é possível que a temperatura aumente").

Alternativa A — ❌ Incorreta

Condição. A condicional exige uma hipótese que viabiliza o fato principal (ex.: "Se a temperatura aumentar, a desertificação se amplia"). No texto, a desertificação não está condicionada ao aumento da temperatura; ela acompanha esse aumento. A relação é de variação conjunta, não de dependência condicional. A banca tenta confundir porque ambas envolvem uma relação entre dois eventos, mas a condicional é binária (se X, então Y), enquanto a proporcional é escalar (quanto mais X, mais Y).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Consequência. A consecutiva expressa um efeito resultante de uma causa (ex.: "A temperatura aumentou de modo que a desertificação se ampliou"). No trecho, a oração "à medida que..." não é o efeito da desertificação; ela indica a circunstância que acompanha a ampliação. A desertificação não é consequência do aumento da temperatura; ela varia junto com ele. A banca explora a proximidade entre proporção e consequência, mas a relação é de simultaneidade, não de causa e efeito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Finalidade. A final expressa objetivo, propósito (ex.: "A desertificação se amplia para que a temperatura aumente"). Isso inverte completamente a relação: no texto, o aumento da temperatura não é o objetivo da desertificação; é uma circunstância que a acompanha. A finalidade exige intenção, e não há intenção alguma no fenômeno natural descrito. A banca tenta confundir com a ideia de "algo que acontece para que outro aconteça", mas isso é finalidade, não proporção.

Alternativa D — ✅ Correta

Proporcionalidade. A locução "à medida que" é a conjunção proporcional por excelência. No trecho, a desertificação se amplia na mesma proporção em que a temperatura aumenta: quanto maior a temperatura, maior a desertificação. Há uma correlação direta e simultânea entre os dois fenômenos. A passagem "...além de ampliar a desertificação, à medida que a temperatura média do clima da Terra for aumentando" autoriza exatamente essa leitura: a ampliação da desertificação acompanha o aumento da temperatura. É a única alternativa que captura a relação de variação conjunta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Possibilidade. A ideia de possibilidade expressa algo que pode ocorrer, mas não necessariamente (ex.: "A desertificação pode se ampliar, caso a temperatura aumente"). No texto, a relação não é de mera possibilidade; é de correlação real e progressiva: a desertificação se amplia à medida que a temperatura aumenta. A banca tenta confundir com o verbo "for aumentando", que sugere um processo futuro, mas isso não transforma a relação em possibilidade — a locução conjuntiva mantém seu valor proporcional.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre proporcionalidade e outras relações (condição, consequência, finalidade, possibilidade), oferecendo distratores que se aproximam do sentido. A chave é testar a substituição por "na mesma proporção em que".

PEGA ESSA DICA!

Memorize as conjunções proporcionais: "à medida que", "ao passo que", "à proporção que", "quanto mais... mais". Quando aparecerem, a relação é sempre de variação conjunta.

Gabarito: letra D.

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