Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Sujeito — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsSujeito
Código
qa500175
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref V Conquista
Ano
2023
Cargo
Peda ( )

Como os astros influenciam nossa vida? Veja o

que é ciência ou não

 

Desde a composição do corpo humano até a construção de grandes civilizações, devemos nossa existência e nossa evolução às estrelas e à observação do céu. Os astros, então, têm uma influência enorme na nossa vida.

 

Curiosamente, porém, é comum que as pessoas atribuam à posição de planetas, Lua e estrelas outros "poderes" que, do ponto de vista científico, eles não têm - como moldar nossa personalidade ou comportamento.

 

Quem explica isso é Marcelo Girardi Schappo, doutor em Física Atômica e Molecular, professor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e autor de Astronomia - Os astros, a ciência, a vida cotidiana (ed. Contexto), livro recém-lançado que aborda a importância dos céus no nosso dia-a-dia.

 

Em entrevista à BBC News Brasil, Schappo explica quatro influências determinantes dos astros na existência humana, e duas que, apesar de bastante populares, não têm respaldo científico.

 

Estamos falando de elementos como carbono, oxigênio, enxofre, magnésio e a maior parte dos nomes que vemos na tabela periódica, existentes em estrelas que viveram bilhões de anos atrás e foram continuamente explodindo e se reconstituindo.

 

Nesse processo, explica Schappo, as estrelas formaram uma “nuvem inicial”, que deu origem ao Sol - a principal estrela do nosso Sistema Solar -, aos planetas como a Terra e à combinação de elementos que permitiu que gases, minerais, água e a vida surgissem e evoluíssem por aqui.

 

É um processo que se estende por cerca de 13 bilhões de anos e que permitiu a riqueza de elementos químicos da Terra.

 

Por isso, estudiosos de astronomia costumam dizer que nós, seres vivos, somos feitos de "poeira das estrelas".

 

As estrelas, explica Schappo, "fazem um processo de fusão nuclear e vão juntando esses elementos pequenos, que viram elementos mais pesados. Esses tijolinhos (elementos) fundamentais à nossa vida aqui vieram do interior de estrelas, que explodiram ou expandiram as suas camadas externas e enriqueceram quimicamente o ambiente interestelar. É esse material que vai acabar se aglomerando e dar origem a novas estrelas, planetas e novos sistemas onde eventualmente a vida pode florescer."

 

Construção das civilizações

 

Para além da base fundamental da vida, foi graças aos céus - mais especificamente, à capacidade de nossos antepassados em observar os céus - que pudemos construir as civilizações humanas, afirma Schappo.

 

Ele se refere especificamente às estações do ano.

   

As diferentes estações existem - e se opõem nos hemisférios Norte e Sul - por causa da inclinação da Terra em relação ao Sol, enquanto dá a volta em torno do Sol.

 

Como a Terra é inclinada em seu eixo, os raios solares incidem de forma diferente em diferentes partes do mundo, a depender do momento do ano - assim, a energia do Sol incide com mais intensidade nos meses de verão e menos intensidade nos de inverno.

 

Muito antes de adquirirem esse conhecimento científico, nossos antepassados aprenderam sobre os padrões climáticos observando o céu. Há constelações de estrelas que só aparecem no céu noturno nos meses de verão, enquanto outras são visíveis no inverno, detalha Schappo. Várias civilizações também identificaram as datas de solstícios e equinócios (dias com mais ou menos luz diurna no ano), o que lhes permitiu identificar a troca de estações.

 

Com esses padrões astronômicos, foi possível se antecipar a períodos de secas ou chuvas, e perceber os melhores momentos de plantar e colher.

 

"Se antever a isso ajudou na transição de um sistema nômade para um sedentário", em que sociedades puderam se desenvolver e prosperar, argumenta o físico. "É obrigatório conhecer esse ambiente e esses padrões da Terra."

 

Por isso, ele argumenta que entender astronomia foi uma "questão de sobrevivência".

 

Esse conhecimento evoluiu para o calendário - o Gregoriano, que vigora atualmente, foi criado há 440 anos para acompanhar os pouco mais de 365 dias que a Terra demora para dar sua volta em torno do Sol.

 

Agora que a humanidade está diante de mudanças nos padrões climáticos da Terra por conta do aquecimento global, Marcelo Schappo argumenta que o conhecimento astronômico também será fundamental - por conta de sua capacidade de analisar os padrões do Sol e a forma como a nossa atmosfera absorve sua energia.

 

Além de ensinar nossos antepassados a entender os ciclos climáticos, a observação dos céus foi crucial em outro ponto importante na história humana: as navegações.

 

"Muitas navegações e métodos de navegação importantes na história foram guiados pelas estrelas", afirma Schappo.

 

Uma das estrelas da constelação do Cruzeiro do Sul, por exemplo, "aponta quase no polo Sul celeste - é um bom indicativo de onde está o sul, e a partir daí sabe onde estão os outros pontos cardeais", explica o físico.

 

No hemisfério Norte, a Estrela Polar, na constelação da Ursa Menor, é usada como indicativo do norte.

Hoje, a nossa navegação via satélite também se apoia no conhecimento astronômico - tanto no envio de satélites ao espaço quanto na utilização desses satélites para você definir, no GPS do celular, o trajeto que vai fazer de casa para o trabalho.

 

"O sistema do GPS funciona com vários satélites, colocados em órbita da Terra", explica Schappo.

 

"Quando quero usar meu celular para saber minha posição no planeta, o que ele (aparelho) faz é trocar informações com esses satélites - e o sinal leva um tempo para sair do celular, chegar no satélite e retornar. É com essa diferença de tempo de sinal que ele troca com pelo menos dois ou três satélites que ele calcula exatamente a posição em que você está no planeta em latitude, longitude e altitude. Portanto, é uma superferramenta para navegação aérea, marítima e exploração terrestre."

 

[…]

 

Texto adaptado de: Como os astros influenciam nossa

vida? Veja o que é ciência ou não - BBC News Brasil. Acesso em: 02 de jul. 2023.

Leia o trecho e assinale a alternativa correta.

 

“Há constelações de estrelas que só aparecem no céu noturno nos meses de verão, enquanto outras são visíveis no inverno, detalha Schappo”.

  1. A“Há”, do verbo haver, está no singular, pois o sujeito é “céu noturno” (local onde há constelações).
  2. B“Aparecem” está no plural, visto que precisa concordar com o sujeito oculto “estrelas”.
  3. C“Há”, do verbo haver, está no singular porque tem o sentido de “existir”, sendo, portanto, impessoal.
  4. D“Constelações de estrelas” é o sujeito do verbo haver e está posposto a ele.
  5. E“São” é verbo de ligação e está no plural para concordar com “visíveis”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “Há”, do verbo haver, está no singular porque tem o sentido de “existir”, sendo, portanto, impessoal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Verbo "haver" impessoal: por que fica no singular

Gabarito: letra C. A alternativa C está correta porque explica com precisão o motivo de "Há" permanecer no singular: o verbo haver, com sentido de "existir", é impessoal — não possui sujeito — e, por isso, fica sempre na 3ª pessoa do singular. No trecho, "Há constelações de estrelas" equivale a "Existem constelações de estrelas", e o termo "constelações de estrelas" exerce a função de objeto direto, não de sujeito. As demais alternativas erram ao atribuir sujeito ao verbo haver ou ao confundir a função sintática dos termos.

O comando da questão

O enunciado pede que você assinale a alternativa correta sobre o trecho destacado. Isso significa que apenas uma afirmação está plenamente de acordo com a análise sintática e com as regras de concordância verbal. A questão é de gramática aplicada ao texto: você precisa identificar a função do verbo "Há" e dos demais verbos no trecho, e não apenas decorar regras soltas.

O trecho em análise

"Há constelações de estrelas que só aparecem no céu noturno nos meses de verão, enquanto outras são visíveis no inverno, detalha Schappo".

Aqui, o verbo "Há" é a forma do verbo haver com sentido de existir. Nesse uso, o verbo é impessoal: não admite sujeito, pois indica a existência de algo. O termo "constelações de estrelas" é o objeto direto do verbo, e não o sujeito. Por isso, o verbo permanece no singular, mesmo que o objeto esteja no plural.

A regra que decide

A regra é clássica e cai muito em prova: o verbo haver, quando significa "existir", "ocorrer" ou "acontecer", é impessoal — não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular. Veja os exemplos:

  • muitos livros na estante. (= Existem muitos livros...)

  • Houve dois acidentes ontem. (= Ocorreram dois acidentes...)

  • Haverá novas oportunidades. (= Existirão novas oportunidades...)

A pegadinha clássica é trocar o verbo por um sinônimo pessoal: se você substituir "haver" por "existir" ou "ocorrer", o verbo sinônimo concorda com o sujeito (que vem depois): "Existem constelações...", "Ocorreram acidentes...". Mas o próprio "haver" permanece invariável.

Outro ponto importante: em locuções verbais, o singular do "haver" é "contagioso" — o auxiliar também fica no singular: "Deve haver muitas pessoas na sala" (e não "Devem haver").

Análise das alternativas

1Sentido de existir/ocorrer
Não tem sujeito
Fica sempre no singular
Objeto direto (quem há? há o quê?)
2Locução verbal
Auxiliar também fica no singular
"Deve haver" (não "devem haver")
3Pegadinha clássica
Sinônimo pessoal concorda
"Existem constelações" ≠ "Há constelações"
Verbo "haver" impessoal
LEVELsoulevel.com.br
Verbo "haver" impessoal: Sentido de existir/ocorrer (Não tem sujeito, Fica sempre no singular, Objeto direto (quem há? há o quê?)); Locução verbal (Auxiliar também fica no singular, "Deve haver" (não "devem haver")); Pegadinha clássica (Sinônimo pessoal concorda, "Existem constelações" ≠ "Há constelações")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: atribui sujeito ao verbo haver. A alternativa afirma que "Há" está no singular porque o sujeito é "céu noturno". Isso é falso: o verbo haver impessoal não tem sujeito. "Céu noturno" é apenas um adjunto adverbial de lugar ("no céu noturno"), não o sujeito. O verbo "Há" está no singular porque é impessoal, e não por concordar com qualquer termo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: confunde o sujeito de "aparecem". O verbo "aparecem" está no plural porque concorda com o sujeito "constelações de estrelas" (que vem antes, na oração principal: "Há constelações de estrelas que só aparecem..."). O pronome relativo "que" retoma "constelações de estrelas", e o verbo concorda com o antecedente. Não há sujeito oculto "estrelas" — o sujeito é o termo inteiro "constelações de estrelas". A alternativa erra ao chamar de "sujeito oculto" algo que está explícito.

Alternativa C — ✅ Correta

Correta. Explica exatamente a regra: "Há", do verbo haver, está no singular porque tem sentido de "existir", sendo impessoal. No trecho, "Há constelações de estrelas" = "Existem constelações de estrelas". O verbo não concorda com o objeto direto; permanece na 3ª pessoa do singular por ser impessoal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: afirma que "constelações de estrelas" é o sujeito do verbo haver. Isso é falso: como o verbo é impessoal, não há sujeito. O termo "constelações de estrelas" exerce a função de objeto direto (quem há? Há o quê? Constelações de estrelas). A alternativa confunde objeto direto com sujeito posposto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: análise correta do verbo "são", mas a justificativa está incompleta/equivocada. "São" é verbo de ligação, sim, e concorda com o sujeito "outras" (que retoma "constelações"). Mas a alternativa diz que concorda com "visíveis" — o predicativo do sujeito. Na verdade, o verbo de ligação concorda com o sujeito ("outras"), não com o predicativo. O predicativo "visíveis" concorda com o sujeito, mas o verbo "são" concorda com "outras". Portanto, a justificativa está errada.

Conclusão

A única alternativa inteiramente correta é a C. As demais ou atribuem sujeito ao verbo impessoal "haver" (A, D), ou confundem a função sintática dos termos (B, E). Lembre-se: verbo haver com sentido de existir = impessoal = singular sempre. Essa é a regra de ouro que resolve a questão.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "Há" em uma frase, pergunte: "Há o quê?". A resposta será o objeto direto, nunca o sujeito. Se puder substituir por "existe/existem", o verbo é impessoal e fica no singular.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/qa500175