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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
qa500187
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref V Conquista
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

O Imperador da Língua Portuguesa

 

Quem entra no santuário de Santo Antônio em Franca pode ver à esquerda do altar principal grande mural que mostra o padroeiro pregando aos peixes. Antônio de Lisboa em Portugal e de Pádua no Brasil, o célebre orador tem seu aparelho fonador exposto como relíquia no santuário da cidade italiana de Padova, à qual acorrem milhares de fiéis ao longo do ano e especialmente na data de nascimento do patrono, 13 de junho.

 

A biografia impressiona. Ele nasceu em Lisboa, em 1195, numa família de escrivães que serviam à Corte. Fez os primeiros estudos com brilhantismo e se tornou agostiniano ainda muito jovem. Um encontro com Francisco de Assis o impactou tanto que ele se filiou à ordem franciscana, ainda em implantaçãob. Viveu apenas 36 anos, transitou entre Portugal e Itália, protagonizou milagres para alguns e apenas lendas para outros.

 

Conta-se que Antônio falava em Rimini (cidade litorânea do que ainda viria a ser o território italiano) a um grupo de ateus, tentando convertê-los ao cristianismo. Entretanto, sendo desconsiderado e ironizado, afastou-se e buscou uma praia do Adriáticoc, conclamando os peixes a ouvi-lo. Foi com espanto que os presentes viram assomar à superfície peixes de vários tamanhos, nadando de um lado para outro à procura de seus semelhantes para com eles se juntarem. E assim o fazendo, agruparam-se por espécie e colocaram a cabeça para fora da água a fim de ouvir melhor o pregador.a

 

Cerca de cinco séculos depois, outro Antônio, de sobrenome Vieira, também pregador, igualmente de origem portuguesa, mas pertencente a outra ordem religiosa, a dos jesuítase, tomou a narrativa popular como tema para uma de suas mais célebres peças literárias, o “Sermão de Santo Antônio aos Peixes”, proferido no dia 13 de junho de 1661, no Maranhão. Os dois Antônios estavam separados por quinhentos anos, mas unidos por uma nacionalidade, a lusitana; um talento, a oratória; e uma causa maior, o cristianismo. Lisboeta, Antônio Vieira veio ainda criança para o Brasil com a família que estava a serviço da Corted. [...] Talvez por ser neto de africana, desde cedo manifestou interesse pela diversidade humana, por hábitos diferentes e línguas estrangeiras. Em trabalho missionário durante oito anos no Pará e Maranhão aprendeu sete idiomas indígenas e ficou conhecido junto das tribos como “Pai Grande”, por defender os índios de maus tratos aos quais eram submetidos pelos colonos portugueses.

 

O “Sermão de Santo Antônio aos Peixes” é perfeita expressão barroca, onde mediante argumentação poderosa e belas imagens de potente plasticidade, o autor condena de forma enfática a escravização do índio.

 

[...]

 

Antônio Vieira foi banido do Maranhão em 1661. Fixou-se então na Bahia e fez algumas viagens diplomáticas à Europa. Retornou de vez ao nosso país no final da vida, para ordenar, editar e publicar seus 200 sermões e outras peças literárias. Morreu em Salvador, num dia de junho, 17, aos 89 anos.

 

Neste mês de coincidências, que celebra algumas datas referentes à nossa cultura, uma delas o dia 10 dedicado à Língua Portuguesa, falou-se na mídia e nas redes sociais sobre Luís de Camões e Fernando Pessoa. Nada vi sobre o Padre Vieira, a quem o magnífico poeta de “Mensagem” chamou, com justiça e conhecimento de causa, “Imperador da Língua Portuguesa”.

 

Texto adaptado de: Fonte: O

Imperador da Língua Portuguesa (sampi.net.br). Acesso em: 02 de jul. 2023.

Para que o aprendiz compreenda as funções gramaticais das palavras, é fundamental que ele perceba também o sentido e as relações estabelecidas no contexto, ou seja, é preciso que o ensino de língua aconteça de forma contextualizada. Verifique nas alternativas a seguir as relações de sentido estabelecidas e assinale a alternativa em que, no trecho, há relação sintático-semântica de finalidade.
  1. A“E assim o fazendo, agruparam-se por espécie e colocaram a cabeça para fora da água a fim de ouvir melhor o pregador.”
  2. B“Um encontro com Francisco de Assis o impactou tanto que ele se filiou à ordem franciscana, ainda em implantação.”
  3. C“Entretanto, sendo desconsiderado e ironizado, afastou-se e buscou uma praia do Adriático […].”
  4. D“Lisboeta, Antônio Vieira veio ainda criança para o Brasil com a família que estava a serviço da Corte.”
  5. E“Cerca de cinco séculos depois, outro Antônio, de sobrenome Vieira, também pregador, igualmente de origem portuguesa, mas pertencente a outra ordem religiosa, a dos jesuítas.”
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GabaritoA — “E assim o fazendo, agruparam-se por espécie e colocaram a cabeça para fora da água a fim de ouvir melhor o pregador.”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação sintático-semântica de finalidade: identificando a oração subordinada adverbial final

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que apresenta relação sintático-semântica de finalidade, pois a locução conjuntiva "a fim de" introduz uma oração que expressa o objetivo da ação de "colocar a cabeça para fora da água". Como se lê no trecho: "colocaram a cabeça para fora da água a fim de ouvir melhor o pregador" — a segunda ação é a finalidade da primeira.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique, entre os trechos, aquele em que há relação sintático-semântica de finalidade. Isso significa que você deve encontrar a oração que expressa a intenção, o propósito, o objetivo de uma ação anterior. Não basta reconhecer a palavra "para" — é preciso verificar se ela introduz uma ideia de finalidade, e não de outra natureza (como direção, causa, consequência).

O texto: onde mora a resposta

O texto narra a lenda de Santo Antônio pregando aos peixes. No trecho da alternativa A, temos a sequência: os peixes "agruparam-se por espécie" e "colocaram a cabeça para fora da água" — e a pergunta que a oração seguinte responde é: para quê? A resposta é: "a fim de ouvir melhor o pregador". Essa é a estrutura clássica da finalidade: uma ação (colocar a cabeça para fora) é praticada com o objetivo de realizar outra (ouvir melhor).

A técnica que decide

A finalidade é introduzida por conjunções e locuções como "a fim de", "para que", "com o intuito de", "com o objetivo de". No trecho, a locução "a fim de" é o marcador explícito. Mas atenção: a banca não quer que você apenas localize a palavra — quer que você perceba a relação de sentido entre as orações. A oração final responde à pergunta "para quê?" ou "com que finalidade?".

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca outras relações semânticas nas demais alternativas (consequência, oposição, direção, adição) para testar se você sabe diferenciar a finalidade das demais. A palavra "para" na alternativa D, por exemplo, indica direção ("veio para o Brasil"), não finalidade.

1Finalidade (a fim de, para que)
Ação com objetivo
Ex.: "a fim de ouvir melhor"
2Consequência (tanto... que)
Efeito/resultado
Ex.: "tanto que se filiou"
3Oposição (entretanto, mas)
Quebra de expectativa
Ex.: "Entretanto, afastou-se"
4Direção (para + lugar)
Movimento espacial
Ex.: "veio para o Brasil"
Relações sintático-semânticas
LEVELsoulevel.com.br
Relações sintático-semânticas: Finalidade (a fim de, para que) (Ação com objetivo, Ex.: "a fim de ouvir melhor"); Consequência (tanto... que) (Efeito/resultado, Ex.: "tanto que se filiou"); Oposição (entretanto, mas) (Quebra de expectativa, Ex.: "Entretanto, afastou-se"); Direção (para + lugar) (Movimento espacial, Ex.: "veio para o Brasil")

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"E assim o fazendo, agruparam-se por espécie e colocaram a cabeça para fora da água a fim de ouvir melhor o pregador."

A locução "a fim de" introduz a oração "ouvir melhor o pregador", que expressa a finalidade da ação de "colocar a cabeça para fora da água". Os peixes agem com o objetivo de ouvir. Relação de finalidade clara e explícita.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Um encontro com Francisco de Assis o impactou tanto que ele se filiou à ordem franciscana, ainda em implantação."

Aqui há relação de consequência (ou resultado). A estrutura "tanto... que" é típica das orações subordinadas adverbiais consecutivas: a primeira ação (impactar) é tão intensa que gera um efeito (filiar-se). Não há finalidade — o impacto não é o objetivo de algo; é a causa de uma consequência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Entretanto, sendo desconsiderado e ironizado, afastou-se e buscou uma praia do Adriático."

A conjunção "entretanto" estabelece relação de oposição (adversativa) com o que foi dito antes. O trecho expressa uma quebra de expectativa: mesmo sendo desconsiderado, ele buscou a praia. Não há finalidade — a ação de buscar a praia não é apresentada como objetivo de outra ação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Lisboeta, Antônio Vieira veio ainda criança para o Brasil com a família que estava a serviço da Corte."

A preposição "para" aqui indica direção (movimento em direção a um lugar), não finalidade. "Veio para o Brasil" responde à pergunta "para onde?", não "para quê?". A finalidade da vinda é explicada depois: "a serviço da Corte" — mas essa expressão indica causa/motivo, não finalidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Cerca de cinco séculos depois, outro Antônio, de sobrenome Vieira, também pregador, igualmente de origem portuguesa, mas pertencente a outra ordem religiosa, a dos jesuítas."

A conjunção "mas" estabelece relação de oposição (adversativa): contrapõe a ideia de ser "também pregador" e "de origem portuguesa" à de pertencer a "outra ordem religiosa". Não há finalidade — o trecho apenas contrasta informações.

Conclusão: a finalidade é a relação em que uma ação é praticada com o objetivo de realizar outra. A locução "a fim de" é o marcador típico, e é exatamente o que aparece na alternativa A. Nas demais, temos consequência (B), oposição (C e E) e direção (D).

PEGA ESSA DICA!

Ao procurar finalidade, pergunte "para quê?" ou "com que objetivo?". Se a oração responder a essa pergunta, é final. Se responder a "por quê?", é causal; se a "o que aconteceu depois?", é consecutiva.

Gabarito: letra A

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