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Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — Instituto Consulplan 2023

PortuguêsOrações Subordinadas Adverbiais
Código
qa501423
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
Pref Nova Friburgo
Ano
2023
Cargo
Ag ( )

Apelo


          Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

          Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite e eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.

          E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada − o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas?

          Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando.

          Venha para casa, Senhora, por favor. 


(TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba. 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1996.)

“As orações finais evidenciam um efeito esperado, um propósito, um intuito, um objetivo.” Assinale o trecho que apresenta a ocorrência da oração a que se refere à declaração anterior.
  1. AToda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo.”
  2. BÀs suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham.”
  3. CPara não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos.”
  4. D“[...] sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.”
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GabaritoC — “Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos.”

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações subordinadas adverbiais finais: identificando a finalidade no texto

Gabarito: letra C. A oração final é aquela que expressa finalidade, propósito ou objetivo da ação verbal. No trecho “Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos”, a locução “para não dar parte de fraco” indica o objetivo de “fui beber com os amigos” — ou seja, o eu lírico bebeu com a finalidade de não demonstrar fraqueza. As demais alternativas apresentam orações com outros valores semânticos (aditiva, consecutiva, comparativa), não finais.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique o trecho que contém uma oração subordinada adverbial final. Isso é uma questão de análise sintática aplicada ao texto: não basta compreender o sentido global do conto; é preciso reconhecer a relação de finalidade estabelecida por um conectivo (ou locução) que introduz a oração subordinada. A banca testa se o candidato sabe distinguir a oração final das demais orações subordinadas adverbiais (causais, consecutivas, comparativas, etc.) e das orações coordenadas.

O texto e a localização da resposta

No conto “Apelo”, de Dalton Trevisan, o narrador, sentindo a falta da Senhora (sua esposa ou companheira), relata como tentou disfarçar a saudade. No segundo parágrafo, lemos:

“Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos.”

Aqui, a oração “Para não dar parte de fraco” é introduzida pela locução prepositiva “para” (equivalente a “para que”, “a fim de que”), que é a conjunção subordinativa final por excelência. Ela expressa a intenção, o propósito da ação de “fui beber com os amigos”. É exatamente o que a declaração do enunciado descreve: “as orações finais evidenciam um efeito esperado, um propósito, um intuito, um objetivo”.

A técnica para reconhecer a oração final

A oração subordinada adverbial final responde à pergunta “para quê?” ou “com que finalidade?” em relação ao verbo da oração principal. Os conectivos típicos são: para que, a fim de que, porque (no sentido de finalidade), que (após verbo de movimento, ex.: “Vim que te visse”). No trecho, a pergunta seria: “fui beber com os amigos para quê?” → “para não dar parte de fraco”. Essa relação de finalidade é inequívoca.

Análise das alternativas

1Finais
Expressam propósito/objetivo
Conectivos: para, para que, a fim de que
Responde a "para quê?"
2Comparativas
Conectivo: como
Estabelece comparação
3Consecutivas
Expressam consequência
Conectivos: tanto que, de modo que
4Causais
Expressam causa
Conectivos: porque, pois, já que
Orações subordinadas adverbiais
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Orações subordinadas adverbiais: Finais (Expressam propósito/objetivo, Conectivos: para, para que, a fim de que, Responde a "para quê?"); Comparativas (Conectivo: como, Estabelece comparação); Consecutivas (Expressam consequência, Conectivos: tanto que, de modo que); Causais (Expressam causa, Conectivos: porque, pois, já que)

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo.”

Aqui temos duas orações coordenadas: “Toda a casa era um corredor deserto” e “até o canário ficou mudo”, ligadas pela conjunção “e”, que tem valor aditivo (soma de informações). Não há relação de finalidade. A segunda oração poderia até ser interpretada como consecutiva (a casa deserta causou o silêncio do canário), mas não há conectivo final. Erro: não é oração final; é coordenada aditiva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham.”

Novamente, a conjunção “e” liga duas orações coordenadas: “não lhes poupei água” e “elas murcham”. Há uma relação de causa e consequência implícita (não poupei água → elas murcharam), mas sintaticamente são orações coordenadas aditivas. Não há conectivo final. Erro: não é oração final; é coordenada aditiva com valor consecutivo implícito.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos.”

A oração “Para não dar parte de fraco” é subordinada adverbial final, introduzida pela locução “para” (equivalente a “para que”, “a fim de que”). Ela expressa o propósito da ação de “fui beber com os amigos”. É exatamente o que o enunciado descreve: um efeito esperado, um intuito, um objetivo. Correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“[...] sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.”

Aqui, a oração “como a última luz na varanda” é uma oração subordinada adverbial comparativa (introduzida por “como”, estabelecendo comparação entre a presença da Senhora e a última luz na varanda). Não há finalidade. Erro: não é oração final; é comparativa.

Conclusão

A questão exige o reconhecimento da oração subordinada adverbial final, que expressa propósito. A única alternativa que apresenta esse valor é a letra C, com a locução “para”. As demais alternativas ou são orações coordenadas (A e B) ou oração comparativa (D).

PEGA ESSA DICA!

Ao procurar oração final, pergunte ao verbo da oração principal: “para quê?” ou “com que finalidade?”. Se a resposta for uma oração iniciada por “para”, “para que” ou “a fim de que”, é final.

Gabarito: letra C

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