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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2023

PortuguêsCrase
Código
qa501520
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Sapucaia do Sul
Ano
2023
Cargo
Adm ( )

A língua do século

 

Por Cláudio Moreno

 

Uma leitora de Vitória, ES, estudante de Relações Internacionais, anexou à sua pergunta um gráfico onde figuram as 10 línguas mais faladas no mundo em 2022 (a nossa fica num honroso oitavo lugar). Diz ela: "Segundo esta pesquisa, as quatro primeiras são o Inglês, o Mandarim, o Híndi e o Espanhol, e discutimos em aula qual delas tem mais condições de se tornar a língua de maior abrangência nas relações políticas, culturais e comerciais do século 21. Descartamos o Híndi, pois praticamente só é usado na Índia e nem ao menos é uma das línguas oficiais da ONU, mas a turma se dividiu entre as outras três: o Inglês, por causa da internet; o Mandarim, por causa da importância crescente da China no cenário mundial; por fim, o Espanhol, por ser o idioma oficial do maior número de países diferentes. Qual seria o seu palpite?".

 

Eu já devo ter respondido          essa questão, há muito tempo, há muitos anos, e, que eu me lembre, as candidatas eram exatamente as mesmas três — e, exatamente como naquela ocasião, continuo a apostar todas as minhas fichas no Inglês. O Francês seria a minha preferência pessoal, mas vou responder objetivamente          leitora, baseado nos prós e nos contras das línguas que estão no páreo.

 

Para começar, o Mandarim está fora de questão. Ele nunca haverá de levantar esta taça, pois oferece, para os não chineses, dificuldades insuperáveis. A primeira é o fato de usar um alfabeto próprio, o que o exclui do teclado da maioria esmagadora de computadores e de celulares do planeta, que consagraram o alfabeto latino (como bem entendeu Ataturk, o pai da Turquia moderna, que o implantou quase       força no país). Essa mesma barreira do alfabeto pesa contra o Russo e o Árabe, dois pesos-pesados na arena dos idiomas mais falados.

 

Segundo depoimentos de missionários que trabalharam na China, um estrangeiro leva anos para distinguir perfeitamente os tons que ouve ― e muitos outros para conseguir pronunciálos corretamente. Repito: anos! Muitos anos! E é por esse mesmo motivo que, segundo os jornalistas esportivos, a leitura labial é quase inútil para acompanhar, de longe, o que um técnico ou um atleta chinês estão dizendo.

 

O Espanhol também não serve. Como qualquer língua românica, ele é flexionado demais. Enquanto no Inglês o verbo praticamente fica imóvel, o artigo e o adjetivo são invariáveis e o substantivo muda apenas no plural, no Espanhol, além do verbo marcar tempo, modo, pessoa e número, os substantivos, os adjetivos e os artigos variam para marcar gênero e número. Só isso basta para torná-lo uma língua com escassíssima vocação para a universalidade, pois os falantes de outras línguas teriam de memorizar o gênero de cada substantivo para fazer a concordância do artigo e do adjetivo! E não é mole: sal e creme são femininos no Espanhol, masculinos no Português, neutros no Inglês, mas masculino e feminino, respectivamente, no Francês. Vai saber? Na visita de João Paulo II ao México, americanos que atravessaram a fronteira para vêlo ostentavam vistosas camisetas com os dizeres "Viva la Papa!" — o que, com a troca do artigo el por la, passou a significar, surrealisticamente, "Viva a Batata!".

 

Por tudo isso, a palma certamente irá para o Inglês, por sua simplicidade de funcionamento e pelo extraordinário léxico que oferece (ou seja, tem um motor simples com um grande tanque de combustível) — e este título será seu por muito tempo, independentemente do poder que os EUA tenham ou venham a ter no concerto geral das nações. Como a História já mostrou, o Latim se manteve a língua internacional da Ciência muitos séculos depois do Império Romano ter sumido na poeira dos tempos...

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudio-moreno/noticia/2023/07/a-lingua-doseculo- cljq80nbe00bw015096li5yvy.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas do texto:
  1. Aà – à – à
  2. Bà – a – a
  3. Ca – à – à
  4. Da – a – à
  5. Ea – à – a
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — a – à – à

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase nas lacunas do texto — Gabarito: letra C.

A alternativa C é a correta porque preenche as lacunas com a – à – à, respectivamente. A primeira lacuna exige apenas a preposição a (sem crase), pois o verbo responder pede preposição, mas o termo seguinte é o pronome "essa" (demonstrativo), que não admite artigo. A segunda lacuna exige crase, pois o verbo responder pede preposição a e o termo seguinte é o substantivo feminino "leitora", que admite artigo a — fusão a + a = à. A terceira lacuna também exige crase, pois o verbo implantar pede preposição a e o termo seguinte é o substantivo feminino "força", que admite artigo a — fusão a + a = à. Como se lê no texto: "vou responder objetivamente ___ leitora" e "que o implantou quase ___ força no país".

Desenvolvimento

1. O comando

A questão pede que você preencha as lacunas tracejadas com o acento indicativo de crase, correta e respectivamente. Isso significa que você deve analisar cada lacuna isoladamente, verificando se ocorre a fusão da preposição a com o artigo feminino a ou com o a inicial de pronomes demonstrativos/relativos. A crase é marcada pelo acento grave (à) e só ocorre quando há essa fusão.

2. O texto

O texto é uma crônica argumentativa de Cláudio Moreno sobre qual língua será a mais abrangente no século XXI. O autor defende o Inglês e, ao longo do texto, usa verbos que pedem preposição a (responder, implantar). As lacunas estão em trechos específicos que exigem análise de regência e de presença de artigo.

3. A técnica/regra que decide

A regra central é: crase = preposição a + artigo a (ou a de pronome demonstrativo/relativo). Para saber se há crase, você deve:

  1. Verificar se o verbo ou nome exige a preposição a.

  2. Verificar se o termo seguinte é feminino e admite o artigo a.

  3. Se ambos ocorrerem, há crase (à). Se apenas a preposição ocorrer (sem artigo), não há crase (a).

Primeira lacuna: "Eu já devo ter respondido ___ essa questão" — o verbo responder pede preposição a (responder a algo). O termo seguinte é o pronome demonstrativo "essa", que não admite artigo. Portanto, há apenas preposição, sem crase: a.

Segunda lacuna: "vou responder objetivamente ___ leitora" — o verbo responder pede preposição a. O termo seguinte é o substantivo feminino "leitora", que admite artigo a. Fusão a + a = à: à.

Terceira lacuna: "que o implantou quase ___ força no país" — o verbo implantar pede preposição a (implantar algo a alguém/algo). O termo seguinte é o substantivo feminino "força", que admite artigo a. Fusão a + a = à: à.

"vou responder objetivamente à leitora" "que o implantou quase à força no país"

4. O gancho

Teste cada alternativa perguntando: o termo seguinte admite artigo feminino? Se sim, e o verbo pede preposição a, há crase. Se o termo for pronome demonstrativo (essa, este) ou palavra masculina, não há crase. A alternativa C é a única que acerta as três lacunas.

  1. 1Verbo pede preposição a?
  2. 2Termo admite artigo a?
  3. 3Sim: à / Não: a
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Alternativa A — ❌ Incorreta

à – à – à — Erra na primeira lacuna: coloca crase antes de "essa", que é pronome demonstrativo e não admite artigo. O correto é apenas a (preposição). Erro: contradiz a regra de crase antes de pronome demonstrativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

à – a – a — Erra na segunda e terceira lacunas: coloca apenas preposição a antes de "leitora" e "força", que são substantivos femininos que admitem artigo. O correto é à (com crase). Erro: omite a crase obrigatória antes de substantivo feminino.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

a – à – à — Preenche corretamente: primeira lacuna sem crase (antes de pronome demonstrativo), segunda e terceira com crase (antes de substantivo feminino). Correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

a – a – à — Erra na segunda lacuna: coloca apenas preposição a antes de "leitora", que admite artigo. O correto é à. Erro: omite a crase obrigatória antes de substantivo feminino.

Alternativa E — ❌ Incorreta

a – à – a — Erra na terceira lacuna: coloca apenas preposição a antes de "força", que admite artigo. O correto é à. Erro: omite a crase obrigatória antes de substantivo feminino.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre pronome demonstrativo (que não admite artigo) e substantivo feminino (que admite). A primeira lacuna é a armadilha: muitos candidatos aplicam crase automaticamente após verbo que pede preposição, sem verificar se o termo seguinte aceita artigo.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar a crase, faça o teste: troque o termo feminino por um masculino. Se aparecer ao, há crase (à); se aparecer apenas ao sem artigo, não há. Ex.: "responder ao leitor" (masculino) → "responder à leitora" (feminino, com crase).

Gabarito: letra C — a única que respeita a regra de crase nas três lacunas, distinguindo pronome demonstrativo (sem crase) de substantivo feminino (com crase).

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