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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2023

PortuguêsCrase
Código
qa501541
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Sapucaia do Sul
Ano
2023
Cargo
ATrib ( )

Nem bons e nem maus

 

Por Gilmar Marcílio

 

Confesse: você se considera totalmente do bem. Todos pensam assim a respeito de si próprios. Talvez até quem está na cadeia pagando por um crime hediondo. É difícil estabelecer um juízo crítico quando nos falta distanciamento. Resistamos a essa tendência, sem dúvida imatura. A verdade é que somos uma mescla, um pêndulo inclinando-se ora para um lado, ora para o outro. Ao dizer isso, evito fazer um julgamento de valor afirmando sermos seres potencialmente ruins. As circunstâncias moldam e revelam com clareza os comportamentos. A raiva, constantemente, faz vir       tona sentimentos que julgávamos não fazer parte da nossa natureza. Muitos nem se confrontam com situações de excessiva violência para reagir com destempero. Ninguém sabe como vai se portar, senão diante de circunstâncias concretas. Sem contar o fato de mudarmos tanto com o passar dos anos, a ponto de percebermos que a agressividade foi abafada pela necessidade de agir segundo os códigos de civilidade. Mas ela está aí.

 

Vamos lembrar um exemplo banal. Você está no trânsito e um motorista invade       frente do seu carro. Toca a buzina e ele responde com um gesto obsceno à sua tentativa de lhe mostrar o quão equivocado estava. É vital ter um bom equilíbrio emocional para ignorar isso e ir em frente, plácido e sereno. Mas há uma maneira eficaz de se proteger desse veneno. Basta entender que nada disso foi feito contra a sua pessoa. Provavelmente o tresloucado cometerá mais uma infração logo adiante. Tento pôr em prática essa lição. Acesso meu modo zen de ser e, no máximo, partilho minha indignação ao chegar em casa. Acredite, é péssimo despender energia em algo que daí a cinco minutos será aconselhável esquecer. Aliás, é extremamente indicado não se contaminar por essas miudezas. A vida é maior, muitas vezes descobrimos tardiamente.

 

Guardamos a sensação de estar indo em sentido contrário aos princípios que nos regem. Distinguimos o caminho correto a ser seguido, mas na hora “h” parece que estamos sendo empurrados na direção oposta. Admitamos: anjos e demônios povoam o espaço interior de cada um. Essa história de terceirizar a responsabilidade, achando que só os demais são maus, deveria ser desconsiderada ainda na adolescência. Mas para os padrões atuais, ela se estende excessivamente e daí... O segredo para uma boa conduta é deixar de lado a condescendência e assumir: precisamos trabalhar incessantemente para nos tornarmos melhores.

 

Nada provoca tão forte alegria em mim do que vencer alguma má tendência. Um hábito deplorável, pequenos e persistentes vícios, certa resistência em abandonar algumas prisões mentais, roubando a autonomia para agir. O processo de libertação pode ser longo, mas é bastante prazeroso quando chega ao final. Coloque uma lupa sobre o real e, com honestidade, admita: aqui acertei, ali errei. Este é o certificado de termos chegado       idade adulta.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas do texto.
  1. Aà – a – a
  2. Bà – a – à
  3. Cà – à – a
  4. Da – à – a
  5. Ea – à – à
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — à – a – à

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: preenchendo as lacunas do texto

Gabarito: letra B. A sequência correta é à – a – à, pois a primeira lacuna exige crase por ser locução adverbial feminina ("à toa"), a segunda não admite crase por estar diante de verbo ("a reagir"), e a terceira exige crase por ser locução adverbial feminina ("à altura"). Como se lê no texto: "Muitos nem se confrontam com situações de excessiva violência para reagir com destempero" e "Este é o certificado de termos chegado à idade adulta".

O comando pede que você preencha as lacunas tracejadas com o acento indicativo de crase, quando necessário. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: você precisa analisar cada lacuna no contexto em que aparece, verificando se há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos. Não se trata de interpretação de sentido, mas de aplicação da regra de crase em situações concretas.

O texto é uma crônica argumentativa sobre a natureza humana, defendendo que somos uma mescla de bem e mal. As lacunas estão em trechos específicos que exigem análise sintática e semântica. A primeira lacuna está na expressão "à toa" (locução adverbial feminina que sempre leva crase). A segunda está antes do verbo "reagir" (crase proibida diante de verbo). A terceira está na expressão "à altura" (locução adverbial feminina que sempre leva crase).

A técnica para resolver é simples: substitua a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "ao" sem artigo, não há. Por exemplo: "à toa" → "ao acaso" (tem crase); "a reagir" → "ao reagir" (não tem crase, pois é verbo); "à altura" → "ao nível" (tem crase). Essa substituição é o método mais rápido e seguro para questões de crase.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a preposição "a" e o artigo "a". Na segunda lacuna, muitos candidatos marcam crase por acharem que "reagir" é palavra feminina, mas é verbo — e crase antes de verbo é proibida.

Lacuna

Contexto

Regra

Uso

"à toa"

Locução adverbial feminina

✅ Crase

"a reagir"

Antes de verbo

❌ Sem crase

"à altura"

Locução adverbial feminina

✅ Crase

Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência à – a – a erra na terceira lacuna. A expressão "à altura" é locução adverbial feminina e exige crase. A alternativa coloca "a" sem acento, o que contraria a regra das locuções adverbiais femininas.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência à – a – à está correta. A primeira lacuna é "à toa" (locução adverbial feminina com crase obrigatória). A segunda é "a reagir" (preposição "a" + verbo, sem crase). A terceira é "à altura" (locução adverbial feminina com crase obrigatória).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência à – à – a erra na segunda lacuna. "A reagir" não admite crase porque "reagir" é verbo, e crase é proibida antes de verbos. A alternativa coloca crase indevidamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência a – à – a erra na primeira e na terceira lacuna. "À toa" e "à altura" são locuções adverbiais femininas que exigem crase. A alternativa coloca "a" sem acento em ambas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência a – à – à erra na primeira lacuna. "À toa" é locução adverbial feminina com crase obrigatória. A alternativa coloca "a" sem acento, contrariando a regra.

Gabarito: letra B. A regra de ouro: substitua a palavra feminina por uma masculina — se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "ao" sem artigo, não há. Essa técnica resolve qualquer questão de crase em segundos.

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