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Questão de Português — Colocação Pronominal — Avança SP 2023

PortuguêsColocação Pronominal
Código
qa501700
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Louveira
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

A maçã

 

No outro dia eu estava traindo o meu médico com um apfelstrudel quando comecei a pensar seriamente na maçã. Na importância da maçã na história do mundo e nos seus significados para a humanidade, nunca muito bem explicados. Doispontos. A Bíblia não especifica qual era o fruto proibido que Adão e Eva comeram naquele dia fatídico em que, desobedecendo a Deus, perdemos o Paraíso e em troca ganhamos a mortalidade, o sexo e a indústria do vestuário. Pensando bem, a única fruta que era certo que havia no Paraíso era o figo, pois foi com folhas de figueira que cobriram a nossa protonudez. Só muito mais tarde convencionou-se que, para provocar tanto estrago de uma vez só, a fruta proibida do Paraíso tinha que ser uma maçã. Como a maçã não tem propriedades afrodisíacas nem, que se saiba, estimula a inteligência ou o desrespeito à autoridade, conclui-se que sua reputação se deve à sua aparência, ao seu rubor lustroso e à rigidez das suas formas, que de algum modo simbolizam rebeldia e luxúria. A maçã é um triunfo da sugestão sobre a verdade. Existem frutas muito mais lúbricas, como o próprio figo e a escandalosa romã, enquanto a maçã é recomendada para crianças e convalescentes (no erótico “Cãntico dos cãnticos” ela só entra como terapia: “Confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor”), e mesmo assim a sua fama de provocadora persiste. Também não se sabe ao certo que fruta caiu na cabeça de Newton para que ele descobrisse a gravidade, mas na história ficou que era uma maçã. A maçã parece que está sempre querendo nos dizer alguma coisa. E, no meu caso pessoal, continua induzindo à desobediência e ao pecado. A fruta não me seduz, mas não resisto a nenhum doce feito com maçã, que é a maçã com ainda mais culpa. Não tem sido fácil conciliar a necessidade da dieta e do combate ao colesterol com a minha busca do apfelstrudel perfeito. Mas todos temos uma missão a cumprir neste mundo.

 

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio

século de crônicas, ou coisa parecida. São

Paulo: Objetiva, 2020.

Texto para responder à questão.     A ênclise em “Confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor” se justifica, pois, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa:
  1. Aé facultativo iniciar o período por pronome átono.
  2. Bo pronome átono se pospõe a verbo no futuro do presente e futuro do pretérito.
  3. Co pronome átono se pospõe a verbo flexionado em oração subordinada.
  4. Dnão se inicia período por pronome átono.
  5. Eo pronome átono se pospõe a verbo modificado diretamente por advérbio.
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GabaritoD — não se inicia período por pronome átono.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal: Ênclise e a Proibição de Iniciar Período com Pronome Átono

Gabarito: letra D. A ênclise em “Confortai-me com maçãs” é obrigatória porque a norma-padrão proíbe iniciar período com pronome oblíquo átono — ou seja, não se pode escrever “Me confortai”. Como o verbo “Confortai” abre o período, o pronome “me” só pode vir depois do verbo (ênclise). Essa é a regra que decide a questão, e ela está expressa na alternativa D.

A questão é de gramática normativa aplicada ao texto, não de interpretação. O comando pergunta por que a ênclise se justifica no trecho citado. Para resolver, você precisa conhecer as regras de colocação pronominal e identificar qual delas se aplica ao caso: o pronome está posposto ao verbo porque o verbo inicia o período, e a norma veda o pronome átono em início de frase.

No trecho, “Confortai-me com maçãs” é uma oração imperativa (pedido/súplica). O verbo “Confortai” está no início absoluto do período — não há nenhuma palavra atrativa antes dele (como advérbio, conjunção subordinativa, pronome relativo etc.). Nessa situação, a ênclise é a única colocação possível, pois a próclise (“Me confortai”) violaria a regra de não iniciar período com pronome átono.

A regra geral da colocação pronominal: usa-se próclise quando há palavra atrativa antes do verbo (advérbios, palavras negativas, conjunções subordinativas, pronomes relativos, indefinidos, interrogativos); usa-se ênclise quando não há atrativo e o verbo não está no futuro do presente nem no futuro do pretérito; usa-se mesóclise com verbos no futuro do presente ou do pretérito, desde que não haja palavra atrativa. Além disso, há duas proibições absolutas: não se inicia período com pronome átono e não se usa ênclise com futuro do presente/pretérito nem com particípio.

No caso em tela, o verbo está no imperativo (“Confortai”), não há palavra atrativa, e o período começa com o verbo. Logo, a ênclise é obrigatória. A alternativa D captura exatamente essa proibição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura regras de colocação que parecem plausíveis, mas a única que explica o caso é a proibição de iniciar período com pronome átono. As demais alternativas citam regras verdadeiras, porém não aplicáveis ao trecho — cuidado para não escolher uma regra correta fora do contexto.

1Próclise (atrativo antes do verbo)
Advérbios
Palavras negativas
Conjunções subordinativas
Pronomes relativos/indefinidos/interrogativos
2Ênclise (sem atrativo)
Não inicia período com pronome átono
Não com futuro do presente/pretérito
Não com particípio
3Mesóclise
Futuro do presente
Futuro do pretérito
Colocação pronominal
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Colocação pronominal: Próclise (atrativo antes do verbo) (Advérbios, Palavras negativas, Conjunções subordinativas, Pronomes relativos/indefinidos/interrogativos); Ênclise (sem atrativo) (Não inicia período com pronome átono, Não com futuro do presente/pretérito, Não com particípio); Mesóclise (Futuro do presente, Futuro do pretérito)

Alternativa A — ❌ Incorreta

“é facultativo iniciar o período por pronome átono.”

Erro: contradiz a norma. Iniciar período com pronome átono é proibido, não facultativo. A gramática normativa veda construções como “Me dá um cigarro?”. Portanto, a alternativa afirma exatamente o oposto da regra que justifica a ênclise.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“o pronome átono se pospõe a verbo no futuro do presente e futuro do pretérito.”

Erro: troca de conceito. A regra correta é que, com verbos no futuro do presente e do pretérito, usa-se mesóclise (pronome no meio do verbo), e não ênclise. Ex.: “Confortar-me-ei” (futuro do presente) e “Confortar-me-ia” (futuro do pretérito). Além disso, o verbo do trecho está no imperativo, não no futuro. A alternativa mistura duas regras e não se aplica ao caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“o pronome átono se pospõe a verbo flexionado em oração subordinada.”

Erro: generalização indevida. Em orações subordinadas, a regra é a próclise, pois há conjunção subordinativa ou pronome relativo atraindo o pronome. Ex.: “Espero que me confortem”. A ênclise em oração subordinada só ocorre em casos específicos (ex.: com infinitivo). No trecho, a oração é principal e independente, não subordinada. A alternativa inverte a regra e não se aplica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“não se inicia período por pronome átono.”

Correta. Essa é a regra que justifica a ênclise em “Confortai-me”. Como o verbo inicia o período, o pronome “me” não pode vir antes dele; deve vir depois, em ênclise. A norma-padrão proíbe iniciar frase com pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, lhes). Portanto, a alternativa D é a única que explica corretamente o fenômeno.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“o pronome átono se pospõe a verbo modificado diretamente por advérbio.”

Erro: contradiz a regra de atração. Quando há advérbio antes do verbo, a regra é a próclise (pronome antes do verbo), não a ênclise. Ex.: “Sempre me conforta”. Além disso, no trecho não há advérbio modificando o verbo “Confortai”. A alternativa inverte a regra e não se aplica ao caso.

Conclusão: a ênclise em “Confortai-me” é obrigatória porque a norma-padrão proíbe iniciar período com pronome oblíquo átono. As demais alternativas ou contradizem a norma, ou citam regras que não se aplicam ao trecho. Gabarito: letra D.

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