PALAVRA – As gramáticas classificam as palavras em substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, conjunção, pronome, numeral, artigo e preposição. Os poetas classificam as palavras pela alma porque gostam de brincar com elas, e para brincar com elas é preciso ter intimidade primeiro. É a alma da palavra que define, explica, ofende ou elogia, se coloca entre o significante e o significado para dizer o que quer, dar sentimento às coisas, fazer sentido. A palavra nuvem chove. A palavra triste chora. A palavra sono dorme. A palavra tempo passa. A palavra fogo queima. A palavra faca corta. A palavra carro corre. A palavra “palavra” diz. O que quer.
E nunca desdiz depois. As palavras têm corpo e alma, mas são diferentes das pessoas em vários pontos. As palavras dizem o que querem, está dito, e pronto.
FALCÃO, Adriana. Pequeno dicionário de palavras ao vento.
São Paulo: Salamandra, 2013 (adaptado).
No excerto “As palavras têm corpo e alma, mas são diferentes das pessoas em vários pontos.”, faz-se uma relação comparativa entre pessoas e palavras. Ao empregar-se a segunda oração, iniciada pela conjunção “mas”, estabelece-se, no texto, uma relação de:
Acondição.
Boposição.
Cadição.
Dexplicação.
Econcessão.
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GabaritoB — oposição.
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Conjunção "mas" — Relação de Oposição
Gabarito: letra B. A conjunção "mas" estabelece, no trecho, uma relação de oposição entre as orações: a primeira afirma que as palavras têm corpo e alma (semelhança com as pessoas), e a segunda introduz uma ressalva que as diferencia. Como se lê no excerto: "As palavras têm corpo e alma, mas são diferentes das pessoas em vários pontos." — o "mas" contrapõe a ideia de semelhança à de diferença, caracterizando a adversativa.
O Comando
A questão pede que você identifique a relação semântica estabelecida pela conjunção "mas" no contexto. Isso é uma tarefa de compreensão (o valor está explícito no uso do conectivo), mas exige que você diferencie os valores que uma mesma conjunção pode assumir. O comando não pede "o que o texto afirma", mas "que relação se estabelece" — ou seja, você deve classificar o conectivo pelo sentido que ele cria entre as orações.
O Texto e a Técnica
O texto de Adriana Falcão brinca com a personificação das palavras: elas têm "corpo e alma", como as pessoas, mas diferenciam-se delas em vários pontos. A conjunção "mas" é o operador argumentativo que marca essa diferença. Na gramática, "mas" é a conjunção coordenativa adversativa por excelência — indica oposição, contraste, quebra de expectativa. A técnica para resolver: substitua mentalmente o "mas" por outra adversativa ("porém", "contudo", "todavia") e veja se o sentido se mantém. Se mantém, é oposição. Se você tentar substituir por "e" (adição) ou "embora" (concessão), o sentido muda ou fica estranho.
"As palavras têm corpo e alma, mas são diferentes das pessoas em vários pontos."
Aqui, a primeira oração estabelece uma semelhança (têm corpo e alma), e a segunda introduz uma diferença (são diferentes). O "mas" contrapõe essas duas ideias — é exatamente o valor de oposição.
Análise das Alternativas
Conjunção "mas"
1Valor: oposição (adversativa)
Contrapõe ideias
Substituível por "porém"
2Distratores
Concessão ("embora" + subjuntivo)
Adição ("e")
Condição ("se")
Explicação ("porque")
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Condição é a relação expressa por conjunções como "se", "caso", "desde que", que introduzem uma hipótese necessária para a ocorrência do fato. No trecho, não há nenhuma condição: a segunda oração não é uma condição para a primeira, nem vice-versa. A banca oferece esse valor para testar se você confunde adversativa com condicional — mas o "mas" nunca indica condição.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conjunção "mas" é adversativa e estabelece oposição entre as orações. No trecho, a primeira oração afirma que as palavras têm corpo e alma (aproximando-as das pessoas), e a segunda contrapõe essa ideia ao dizer que são diferentes das pessoas. O contraste entre "têm corpo e alma" e "são diferentes" é a relação de oposição. Substitua por "porém": "As palavras têm corpo e alma, porém são diferentes das pessoas" — o sentido se mantém. É a única alternativa que classifica corretamente o conectivo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Adição é a relação expressa por "e", "nem", "mas também", que soma ideias. No trecho, a segunda oração não soma uma informação à primeira; ela contrasta com ela. Se fosse adição, o sentido seria "as palavras têm corpo e alma e são diferentes das pessoas" — mas isso não expressa o contraste que o autor quer marcar. O "mas" aqui não tem valor aditivo (como em "não só... mas também").
Alternativa D — ❌ Incorreta
Explicação é a relação expressa por "porque", "pois", "que", que justifica a ideia anterior. No trecho, a segunda oração não explica por que as palavras têm corpo e alma; ela contrapõe uma característica. Não há relação de causa e consequência, nem de justificativa. O "mas" não é explicativo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Concessão é a relação expressa por "embora", "ainda que", "conquanto", que introduz uma ressalva que não impede a realização do fato principal. A concessão é próxima da oposição, mas se distingue por admitir uma objeção sem anulá-la. No trecho, o "mas" não introduz uma concessão — ele opõe diretamente as ideias. Além disso, a concessão normalmente exige o verbo no subjuntivo ("embora sejam diferentes"), o que não ocorre aqui. A banca oferece "concessão" como distrator porque é o valor mais próximo da oposição, mas o contexto pede oposição pura.
NÃO CAIA NESSA!
A banca aposta na confusão entre oposição e concessão. A diferença: a concessão admite uma objeção ("embora seja diferente, ainda assim..."), enquanto a oposição simplesmente contrapõe ideias ("tem corpo e alma, mas é diferente"). No trecho, não há "ainda assim" — há contraste direto.
PEGA ESSA DICA!
Para distinguir oposição de concessão, substitua o conectivo: se "mas" puder ser trocado por "porém" sem alterar o sentido, é oposição; se só couber "embora" (com verbo no subjuntivo), é concessão.
Conclusão
A relação estabelecida pelo "mas" é de oposição, pois contrapõe a semelhança (ter corpo e alma) à diferença (ser diferente das pessoas). As demais alternativas ou extrapolam (condição, explicação) ou confundem valores próximos (adição, concessão). Sempre que a banca perguntar o valor de uma conjunção, teste a substituição por outra da mesma classe — é o método mais seguro.