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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2023

PortuguêsCrase
Código
qa501817
Banca
FUNDATEC
Órgão
Água de Ivoti
Ano
2023
Cargo
Cont ( )

Ambientes tóxicos: o papel do líder

 

Por Fernando Mantovani

 

É impossível sentir-se feliz todos os dias do ano, mas a sensação de bem-estar precisa predominar em relação aos dias ruins. Não é necessário ser especialista para saber que, quando o desânimo e o pessimismo tomam conta da rotina, abrimos portas para transtornos como depressão, insônia, ansiedade, entre outros.

 

Quem não passou por isso certamente conhece alguém próximo que já passou. Isso porque as questões de saúde mental nunca estiveram tão disseminadas em nossa sociedade, e boa parte desse cenário está relacionado ao estresse no trabalho.

 

A terceira edição do estudo Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho, realizado pela The School of Life, em parceria com a Robert Half, ajuda .... clarear essa questão. Ouvimos 774 profissionais empregados, de diferentes regiões do Brasil, com 25 anos de idade ou mais e formação superior completa, sendo 387 líderes e 387 liderados. A pesquisa revela que 42,86% dos liderados entrevistados, quase metade da amostra, consideram o ambiente de trabalho tóxico como o principal fator para pedir demissão. Ou seja, mais do que salário, benefícios ou perspectivas de ascensão, sentir-se mal com o nível de pressão, os conflitos ou prazos é o que realmente pesa contra um emprego atualmente.

 

Outras razões citadas pelos participantes foram: falta de reconhecimento (percepção de 13,43% dos entrevistados), imposição de trabalho 100% presencial (13,14%), ausência de plano de carreira (8,86%) e pouco protagonismo (3,71%). É interessante observar a significativa distância entre o primeiro e segundo motivos: quase 30 pontos percentuais.

 

Sair da empresa é uma medida extrema, mas, antes disso, surgem outras dificuldades. De acordo com o estudo, nos últimos 12 meses, 44% dos líderes e 45% dos liderados afirmaram que deixaram de produzir ou se manter engajados em algum momento por estar emocionalmente abalados. A baixa performance foi indicada por 37,19% dos líderes como a maior motivação para demissão.

 

Esse quadro mostra como se tornou importante zelar pelo bem-estar e qualidade de vida dos times, tanto pela empatia ao próximo quanto pelos resultados dos negócios. E nesse ponto surge mais um obstáculo identificado pela pesquisa: 61% dos liderados e 65% dos líderes acreditam que os gestores das empresas em que atuam não estão capacitados para acolher quem está com a saúde mental em xeque.

 

Um alento é saber que 19% dos gestores que indicaram essa falta de preparo disseram que, em suas empresas, essa capacitação deve ser iniciada até o fim de 2024. Lideranças sensíveis .... temperatura emocional do escritório não só podem ajudar as equipes como também evitar gatilhos que levam uma empresa .... se tornar tóxica. Relações desequilibradas, metas irreais ou regras excessivamente rígidas são alguns deles, entre tantos outros.

 

(Disponível em: https://exame.com/colunistas/sua-carreira-sua-gestao/ambientes-toxicos-o-papel-do-lider/ –

texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas das linhas em destaque.

  1. Aà – à – a
  2. Ba – à – à
  3. Cà – a – à
  4. Da – à – a
  5. Ea – a – à
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a – à – a

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: preposição + artigo feminino — Gabarito: letra D.

Gabarito: letra D. A sequência correta é a – à – a: na primeira lacuna, o verbo ajudar é transitivo direto (não exige preposição), então não há crase; na segunda, o verbo levar exige a preposição a e o substantivo empresa admite o artigo a, formando a crase; na terceira, o verbo tornar é transitivo direto, sem preposição, logo sem crase. A passagem que ancora a resposta está no 7º parágrafo do texto: “Lideranças sensíveis .... temperatura emocional do escritório não só podem ajudar as equipes como também evitar gatilhos que levam uma empresa .... se tornar tóxica.”

O comando pede que você preencha as lacunas com o emprego indicativo de crase, ou seja, é uma questão de gramática aplicada ao texto: você precisa analisar a regência dos verbos e a presença do artigo feminino para decidir se há fusão (crase) ou não. Não é interpretação de sentido, é aplicação de regra — mas a regra só se resolve dentro da frase, observando o termo que rege e o termo regido.

O texto trata do impacto de ambientes de trabalho tóxicos na saúde mental e do papel do líder. No trecho em destaque, o autor afirma que lideranças sensíveis à temperatura emocional do escritório podem ajudar as equipes e evitar gatilhos que levam uma empresa a se tornar tóxica. A resposta mora exatamente aí: na relação entre o verbo e seu complemento.

A técnica que decide é o teste da troca por palavra masculina: se, ao substituir o termo feminino por um masculino, aparecer “ao”, há crase; se aparecer apenas “o”, não há. Aplique:

  • Ajudar algo/alguém → “ajudar o time” (sem “ao”) → sem crase: a.

  • Levar algo a algum lugar → “levar ao escritório” (com “ao”) → crase: à.

  • Tornar-se algo → “tornar-se o problema” (sem “ao”) → sem crase: a.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre crase obrigatória (preposição + artigo) e crase proibida (antes de verbo). Na terceira lacuna, “a se tornar” é preposição + verbo — crase jamais ocorre antes de verbo. Quem marcou C caiu nessa armadilha.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, identifique o verbo da oração e pergunte: “quem ajuda, ajuda algo ou a algo?”. Se o verbo for transitivo direto, não há preposição, logo não há crase.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência à – à – a erra na primeira lacuna: “ajudar” é transitivo direto (ajudar algo/alguém), não exige preposição. Portanto, não há crase em “ajudar a temperatura”. A alternativa extrapola a regra ao aplicar crase onde o verbo não pede preposição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência a – à – à erra na terceira lacuna: “tornar-se” é transitivo direto (tornar-se algo), sem preposição. Além disso, “a se tornar” é preposição + verbo, e crase é proibida antes de verbo. A alternativa contradiz a regra de crase proibida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência à – a – à erra na segunda lacuna: “levar” exige preposição a (levar algo a algum lugar), e “empresa” é substantivo feminino que admite artigo, formando a crase à. A alternativa restringe indevidamente o uso da crase, suprimindo-a onde é obrigatória.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência a – à – a está correta: a (ajudar é VTD, sem preposição), à (levar exige “a” + artigo “a” de “empresa”), a (tornar-se é VTD, sem preposição). A passagem do texto confirma: “Lideranças sensíveis .... temperatura emocional do escritório não só podem ajudar as equipes como também evitar gatilhos que levam uma empresa .... se tornar tóxica.” — exatamente a estrutura analisada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência a – a – à erra na segunda lacuna: “levar” exige preposição a, e “empresa” admite artigo, então a crase é obrigatória (à). A alternativa omite a crase onde ela é exigida pela regência do verbo.

Conclusão: a questão testa a regência verbal e a fusão preposição + artigo. Lembre-se: crase só ocorre quando há preposição “a” + artigo feminino “a” (ou pronome demonstrativo). Antes de verbo, nunca. Aplicando o teste da troca por palavra masculina, você resolve sem decorar.

Gabarito: letra D

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