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Questão de Português — Crase — Quadrix 2023

PortuguêsCrase
Código
qa501916
Banca
Quadrix
Órgão
CREFITO 14
Ano
2023
Cargo
Ag Fis ( )

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 42% da população mundial sofre de dores e até 92% das pessoas vão ter o mesmo problema ao menos uma vez na vida. O assunto é tão grave que até ganhou uma data especial para ser debatido e desmistificado: 17 de outubro é o dia mundial de combate à dor.

 

André Félix, médico especialista em tratamento da dor, explica a diferença entre dor aguda e crônica: “Esse mal é uma sensação comum à condição humana, sendo que a dor aguda indica que algo em nosso organismo não está bem. No entanto, quando persiste por mais de três meses, deixa de ser um sinal e passa a representar a própria doença, o que chamamos de dor crônica”.

 

De acordo com pesquisa da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor, conduzida ao longo de 2016, a cada dez pessoas no Brasil, quase quatro sofrem de alguma dor crônica. Isso significa 37% da população, cuja maioria é formada por mulheres.

 

O especialista em dor crônica explica que há diversos tipos de dor que acometem o corpo humano. A fibromialgia, por exemplo, afeta cerca de 3% da população, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). As mulheres na faixa etária de 30 a 55 anos de idade fazem parte do maior número de pessoas que sofrem com essa síndrome, mas a doença pode se manifestar em outras idades e em homens também.

 

André Félix comenta que as opções de tratamento variam de acordo com a necessidade de cada paciente. Podem ser realizados desde uso de medicamentos, terapias – como, por exemplo, fisioterapia, acupuntura, radiofrequência – e, em alguns casos, até cirurgia, como forma de controlar a dor. “Há casos em que o paciente sofre, há 30 anos, de fortes dores. Imaginem os danos psicológicos que esse problema causa ao longo desse tempo. Por isso, a importância de uma equipe interdisciplinar, constituída de profissionais com formação específica para auxiliar a pessoa a ter melhor qualidade de vida”, finaliza o especialista em dor crônica.

 

É importante não subestimar a dor, assim como buscar um tratamento adequado para combatê‑la. Muitas vezes, diante de uma dor leve ou ocasional, a tendência é ignorá‑la ou recorrer apenas aos remédios de farmácia como solução rápida. Entretanto, o uso constante e indiscriminado de medicamentos pode ocasionar consequências indesejadas à saúde e mascarar os sintomas sem resolver o problema em si. Portanto, é fundamental fazer uma transição para um tratamento mais completo e eficaz, em que se foquem as causas subjacentes da dor e o alívio sustentável dos sintomas.

 

Internet: <relevium.com.br> (com adaptações).

Em relação ao emprego do acento indicativo de crase no texto, assinale a alternativa correta.
  1. ANa linha, o emprego do sinal indicativo de crase em “à condição humana” justifica‑se pela regência do termo “comum” e à presença do artigo definido que determina a expressão “condição humana”.
  2. BEm “combate à dor”, o emprego do sinal indicativo de crase justifica‑se pela função sintática desempenhada pelo vocábulo “dor”, que complementa o sentido do vocábulo “combate”, empregado no período em que se insere como verbo transitivo indireto.
  3. CEstaria mantida a correção gramatical do texto, caso se reescrevesse o segmento “a própria doença” como à própria doença, visto que o emprego do acento indicativo de crase, nesse caso, é facultativo.
  4. DEstariam mantidos os sentidos e a correção gramatical do texto, caso o segmento “de acordo com a necessidade de cada paciente” fosse substituído por conforme à necessidade de cada paciente, visto que o termo “necessidade” está especificado.
  5. EEstaria mantida a correção gramatical do texto, caso a expressão “diante de” fosse substituída por ante à.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Na linha, o emprego do sinal indicativo de crase em “à condição humana” justifica‑se pela regência do termo “comum” e à presença do artigo definido que determina a expressão “condição humana”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase no texto: a regência de “comum” e o artigo definido

Gabarito: letra A. A crase em “à condição humana” é obrigatória porque o adjetivo “comum” exige a preposição a (quem é comum, é comum a algo) e o substantivo “condição humana” admite o artigo definido a — logo, preposição + artigo = à. Como se lê no 2º parágrafo: “a dor aguda indica que algo em nosso organismo não está bem... deixa de ser um sinal e passa a representar a própria doença”. A alternativa A é a única que descreve exatamente esse mecanismo.

O comando: o que a banca pede

A questão é de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o conteúdo, mas de justificar o emprego do acento grave em cada ocorrência. O verbo do enunciado é “assinale a alternativa correta” — ou seja, você deve testar cada justificativa contra a regra de crase e contra o trecho citado. Aqui, o erro clássico é confundir crase obrigatória (preposição + artigo) com crase facultativa (antes de possessivo adjetivo) ou com crase proibida (antes de verbo, antes de palavra masculina).

A regra que decide: crase = preposição “a” + artigo “a”

A crase é a fusão da preposição a com o artigo definido a (ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos). Para saber se há crase, faça o teste clássico: troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer “ao”, há crase; se aparecer apenas “o”, não há. Exemplo: “refiro-me à aluna” → “refiro-me ao aluno” (crase). “Refiro-me a alunas” → “refiro-me a alunos” (sem crase, pois não há artigo).

No trecho do texto, temos:

“Esse mal é uma sensação comum à condição humana

Aqui, “comum” é um adjetivo que rege a preposição a (quem é comum, é comum a algo). O termo “condição humana” é um substantivo feminino que admite o artigo definido a. Portanto, preposição + artigo = à. A alternativa A descreve exatamente isso: “justifica-se pela regência do termo ‘comum’ e à presença do artigo definido que determina a expressão ‘condição humana’”.

A pegadinha central: crase facultativa × obrigatória

A banca adora explorar a diferença entre crase obrigatória e facultativa. A crase é facultativa em três casos principais: antes de nome próprio feminino, antes de pronome possessivo adjetivo (singular) e após a preposição até. Fora desses casos, se houver preposição + artigo, a crase é obrigatória; se não houver artigo, é proibida.

No texto, “à condição humana” é um caso de crase obrigatória, pois há preposição exigida por “comum” e artigo definido. Já em “combate à dor”, temos um substantivo (“combate”) que rege a preposição a e o artigo definido a antes de “dor” — também obrigatória, mas a alternativa B erra ao dizer que “combate” é verbo.

Análise das alternativas

1Obrigatória
Preposição "a" + artigo "a"
Ex.: comum à condição humana
2Facultativa
Nome próprio feminino
Pronome possessivo adjetivo
Após "até"
3Proibida
Antes de verbo
Antes de palavra masculina
Após preposição que não exige "a" (conforme, ante)
Crase
LEVELsoulevel.com.br
Crase: Obrigatória (Preposição "a" + artigo "a", Ex.: comum à condição humana); Facultativa (Nome próprio feminino, Pronome possessivo adjetivo, Após "até"); Proibida (Antes de verbo, Antes de palavra masculina, Após preposição que não exige "a" (conforme, ante))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que a crase em “à condição humana” se justifica pela regência de “comum” e pela presença do artigo definido. Isso está perfeitamente correto. O adjetivo “comum” exige a preposição a (comum a algo), e “condição humana” é um substantivo feminino que admite o artigo a. A fusão gera à. Não há qualquer erro aqui.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz que em “combate à dor” o vocábulo “dor” complementa o sentido de “combate”, empregado como verbo transitivo indireto. Isso está errado: no texto, “combate” é um substantivo (o dia mundial de combate à dor), não um verbo. A crase ocorre porque o substantivo “combate” exige a preposição a (combate a algo) e “dor” admite o artigo a. A banca tenta confundir o candidato ao tratar “combate” como verbo, mas a análise sintática correta é de complemento nominal, não de objeto indireto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C propõe reescrever “a própria doença” como “à própria doença”, afirmando que a crase seria facultativa. Isso está errado: no trecho “passa a representar a própria doença”, o “a” antes de “própria” é apenas preposição exigida pelo verbo “passar” (passar a representar), e “própria doença” é o objeto direto, sem artigo definido. Não há fusão de preposição + artigo, logo a crase é proibida. Reescrever com “à” tornaria o trecho gramaticalmente incorreto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D sugere substituir “de acordo com a necessidade” por “conforme à necessidade”, afirmando que a crase seria correta. Isso está errado: “conforme” é uma preposição que não exige a preposição “a” — dizemos “conforme a necessidade”, sem crase. A forma “conforme à” é incorreta na norma culta. A banca tenta induzir o candidato a achar que a presença de um termo especificado (“a necessidade”) justificaria a crase, mas a regência de “conforme” não admite preposição “a”.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E propõe substituir “diante de” por “ante à”. Isso está errado: “ante” é uma preposição que não admite artigo — dizemos “ante a dor”, sem crase. A forma “ante à” é incorreta. Além disso, a substituição alteraria o sentido do texto, pois “diante de” e “ante” têm usos distintos. A banca explora a confusão entre preposições que pedem ou não artigo.

Conclusão

A única alternativa que descreve corretamente o mecanismo da crase é a letra A. As demais cometem erros típicos: confundir substantivo com verbo (B), propor crase onde é proibida (C), usar crase após preposição que não exige artigo (D) e usar crase após preposição que não admite artigo (E).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre crase obrigatória e facultativa, e a troca de termos que altera a regência. Fique atento à classe gramatical das palavras e à regência de cada termo.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de crase, faça sempre o teste da troca por palavra masculina: se aparecer “ao”, há crase; se aparecer apenas “o”, não há. E verifique se o termo regente exige a preposição “a”.

Gabarito: letra A

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