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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — Quadrix 2023

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
qa502226
Banca
Quadrix
Órgão
CRECI AL
Ano
2023
Cargo
PAS-AF ( )

Das áreas remotas da Antártida até o topo dos prédios mais altos de Dubai, a crise climática atinge a todos. Isso não significa, no entanto, que os efeitos sejam igualmente distribuídos pelo mundo. Pessoas em situações mais vulneráveis de pobreza, miséria e fome, assim como comunidades localizadas em espaços de infraestrutura precarizada, tendem a sofrer mais com os eventos extremos que o resto da população. E é aí que entra o conceito que tomou conta do debate sobre a transição energética, com razão: a justiça climática.


A justiça climática é uma das principais pautas de jovens ativistas, como, por exemplo, a sueca Greta Thunberg e a brasileira Amanda Costa. O movimento busca, de acordo com o instituto Alana, uma divisão mais justa dos investimentos e das responsabilidades no combate à emergência climática.


A justiça climática procura colocar as pessoas e as questões éticas como prioridade no combate ao aquecimento global. O conceito funciona a partir do entendimento de que os países e as regiões com maior desenvolvimento causam maior impacto nas emissões de gases de efeito estufa, mas, ao mesmo tempo, têm uma população menos vulnerável aos estragos que o aquecimento global pode trazer.


De acordo com um relatório do SEI (Stockholm Environment Institute), o 1% mais rico da população global causou o dobro de emissões de carbono que os 50% mais pobres, nos últimos 25 anos. Nas contas do Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (Unicef), os 50% mais pobres foram responsáveis por menos de 10% das emissões nos últimos anos. Enquanto isso, 3 bilhões de pessoas no mundo vivem em lugares vulneráveis à crise climática.


A prioridade é que os espaços urbanos consigam ajudar a mitigar os riscos de eventos extremos e proteger a vida de seus cidadãos mais vulneráveis. As pessoas que moram na “cidade informal”, ou seja, em espaços mais distantes dos investimentos públicos e privados, são aquelas que, invariavelmente, sofrerão mais em casos de enchentes, excesso de calor (ou frio), tufões e falta de água. No Brasil, 10% da população vive em favelas e apenas um entre quatro moradores de aglomerações urbanas vive bem.


Internet: <www.habitability.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Com relação às ideias do texto, julgue o item.

 

Há um paradoxo no que diz respeito às emissões de gases de efeito estufa e à vulnerabilidade das populações às consequências do aquecimento global.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Paradoxo entre emissões e vulnerabilidade: a leitura do texto

Gabarito: C (Certo). O item está correto porque o texto, ao apresentar a justiça climática, descreve exatamente uma contradição aparente: os países e regiões mais desenvolvidos causam maior impacto nas emissões de gases de efeito estufa, mas têm população menos vulnerável aos estragos do aquecimento global. Essa oposição é o que se chama de paradoxo, e o texto a explicita no terceiro parágrafo.

"O conceito funciona a partir do entendimento de que os países e as regiões com maior desenvolvimento causam maior impacto nas emissões de gases de efeito estufa, mas, ao mesmo tempo, têm uma população menos vulnerável aos estragos que o aquecimento global pode trazer."

A passagem é a âncora da resposta: ela junta, com o conectivo "mas", duas ideias que se contradizem — quem mais emite é quem menos sofre. É isso que o item chama de paradoxo.

O comando: julgar a afirmação

A questão pede para julgar (certo/errado) uma afirmação sobre as ideias do texto. Não se trata de inferência nem de reescrita: é compreensão direta — a resposta está explícita no texto. O candidato deve apenas verificar se a afirmação do item corresponde ao que o autor disse. Aqui, a afirmação é uma paráfrase fiel do terceiro parágrafo.

O texto: tema e tese

O texto discute a justiça climática — a ideia de que os efeitos da crise climática não são distribuídos igualmente e que os mais vulneráveis sofrem mais. A tese central é que os países ricos, maiores emissores, são menos afetados, enquanto os pobres, que pouco emitem, são os mais atingidos. O paradoxo está no cerne dessa tese: inversão entre responsabilidade e vulnerabilidade.

A técnica: reconhecer o paradoxo

Paradoxo é uma figura de pensamento que apresenta uma contradição aparente, mas que, analisada, revela uma verdade. No texto, a contradição é clara: quem mais polui (países desenvolvidos) é quem menos sofre; quem menos polui (populações pobres) é quem mais sofre. O conectivo "mas" é a pista linguística que marca a oposição. O item apenas nomeia essa oposição como "paradoxo" — e o texto a sustenta integralmente.

Análise do item

Item — ✅ Correto

A afirmação "Há um paradoxo no que diz respeito às emissões de gases de efeito estufa e à vulnerabilidade das populações às consequências do aquecimento global" é verdadeira frente ao texto. O terceiro parágrafo afirma que os países mais desenvolvidos "causam maior impacto nas emissões" e, ao mesmo tempo, "têm uma população menos vulnerável". Essa é a definição exata de paradoxo: uma contradição aparente entre dois fatos. O item não extrapola, não restringe e não acrescenta opinião — apenas parafraseia o que o autor escreveu.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens de certo/errado, grife os conectivos de oposição ("mas", "porém", "contudo") — eles costumam marcar o ponto central da argumentação e, muitas vezes, a resposta da questão.

Conclusão

O item está certo porque o texto, no terceiro parágrafo, descreve exatamente a contradição entre emissões e vulnerabilidade. A banca não armou pegadinha: a resposta está explícita, e o candidato que souber reconhecer o paradoxo acerta.

Gabarito: C (Certo).

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