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Questão de Português — Conjunção — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsConjunção
Código
qa502481
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
CODEBA
Ano
2023
Cargo
Tec Por ( )

Por que o Brasil tem a população mais ansiosa do

mundo?

 

Coração acelerado antes de uma prova, nervosismo em uma reunião importante ou mãos suando no primeiro dia de trabalho. Provavelmente, você já sentiu algum desses sintomas.

 

Agora, se você está com dificuldades recorrentes para dormir, fica sem ar em uma reunião importante e não consegue se concentrar no trabalho por somente pensar no pior, deve ficar atento. O que acredita ser normal pode ser um distúrbio psiquiátrico e exige avaliação médica.

 

Quando não tratada corretamente, a ansiedade pode virar uma adversidade e desencadear outros transtornos mentais, como a depressão, que acomete aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). [...]

 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, no primeiro ano da pandemia de Covid-19, a prevalência global de ansiedade e de depressão aumentou em 25%.

 

De acordo com o último grande mapeamento global de transtornos mentais, realizado pela OMS, o Brasil possui a população com a maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo. [...]

 

Índice elevado de desemprego, recorrentes mudanças no rumo da economia e falta de segurança pública são apontados por especialistas ouvidos pela BBC Brasil como principais fatores para a alta prevalência de transtornos de ansiedade na população.

 

"O Brasil tem uma alta taxa de violência, que faz muitas pessoas saírem de casa com o receio de serem assaltadas. Receio que gera ansiedade", apontou Rafael Boechat, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB). [...]

 

Segundo a psicóloga Adriana Botarelli, "A maior parte da população do Brasil tem pouco acesso a serviços de saúde mental, muitas horas de trabalho por dia, inseguranças quanto ao futuro e pouca qualidade de vida. Todos esses fatores trazem sentimentos de medo, preocupação e angústia.".

 

Já Gerardo Maria de Araújo Filho, professor do departamento de ciências neurológicas, psiquiatria e psicologia médica da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), acredita que o uso excessivo de computadores e de smartphones também explica a alta prevalência de ansiedade no Brasil.

 

Um estudo realizado pela Canadian Journal of Psychiatry comprovou que, quanto maior o uso de telas, maior o nível de ansiedade. [...]

 

Crianças são mais vulneráveis

 

Entre as faixas etárias mais vulneráveis a ter o diagnóstico de transtorno de ansiedade, crianças e adolescentes aparecem na liderança. [...]

   

João*, por exemplo, adorava brincar com os amigos, ir para a escola e passear com a família. Com a pandemia, tudo mudou, e o menino de 13 anos precisou ficar mais tempo recluso em casa.

 

Foi quando a mãe percebeu o adolescente mais irritado, medroso e com preocupações excessivas. Eram os primeiros sintomas da ansiedade patológica. [...] Assim como João,* diversos outros jovens foram diagnosticados, em 2022, com ansiedade no Brasil. [...]

 

"O tratamento mais indicado para a ansiedade na infância e adolescência é a terapia cognitiva comportamental (TCC); caso ela não funcione, associa-se a tratamento farmacológico. Em adulto, também vale iniciar com TCC, contudo, geralmente o início com farmacoterapia é muito frequente", pontuou Ênio Roberto de Andrade, diretor do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas de São Paulo. [...]

 

"Sempre que os sintomas começam a atrapalhar a vida da pessoa, é a hora de buscar um psiquiatra para uma avaliação do quadro. Ansiedade e tristeza são características normais do ser humano, mas, a partir do momento em que nos impedem de sair de casa, trabalhar, levar uma vida social ativa, nos relacionar com outras pessoas, devemos procurar auxílio", afirmou Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

 

Psicofobia atrapalha

 

Um dos grandes desafios no combate as altas taxas de ansiedade é o forte estereótipo existente sobre os transtornos mentais. No Brasil, o preconceito em relação a pessoas que sofrem com distúrbios psiquiátricos é conhecido como psicofobia.

 

Jorge* lembra bem de quando teve sintomas do transtorno de ansiedade na adolescência e encontrou resistência dentro de casa para procurar ajuda especializada.

 

"De início, minha mãe me levou em um centro espírita. Meio que relutou em me levar no médico, mas, como os sintomas persistiram, marcamos uma consulta com um psiquiatra. Foi quando descobri que estava com transtorno de ansiedade." [...]

 

Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), afirma que o ideal é que, desde cedo, crianças e adolescentes possam falar abertamente sobre saúde mental nas escolas e em casa, para que cresçam sem o estigma recorrente entre pessoas idosas. [...]

 

Já Gerardo afirma que mais importante do que frequentar a terapia é o paciente reconhecer como usar a ansiedade a seu favor.

 

*A reportagem resguardou os nomes verdadeiros de João e Jorge.

 

Adaptado de

https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4ne681q64lo.

Acesso em: 05 ago. 2023.

Considerando o conectivo destacado em "O tratamento mais indicado para a ansiedade na infância e adolescência é a terapia cognitiva comportamental (TCC), caso ela não funcione, associa-se tratamento farmacológico. Em adulto, também vale iniciar com TCC, contudo, geralmente o início com farmacoterapia é muito frequente", assinale a alternativa que apresenta valor diverso ao de “contudo”.

  1. ANo entanto.
  2. BEntretanto.
  3. CPortanto.
  4. DTodavia.
  5. EPorém.
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GabaritoC — Portanto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conectivos adversativos: o valor de “contudo”

Gabarito: letra C. A questão pede a alternativa que apresenta valor diverso ao de “contudo”, ou seja, que não exprima oposição/contraste. “Contudo” é uma conjunção coordenativa adversativa, e as alternativas A, B, D e E (“No entanto”, “Entretanto”, “Todavia”, “Porém”) são todas adversativas — sinônimas. A única que foge é “Portanto”, que é uma conjunção conclusiva, indicando conclusão/consequência, e não oposição. Como se vê no trecho: “Em adulto, também vale iniciar com TCC, contudo, geralmente o início com farmacoterapia é muito frequente” — o “contudo” marca a quebra de expectativa entre a recomendação da TCC e a frequência do uso de remédios.

O comando é de semântica dos conectivos: não se pergunta o que o texto diz, mas o valor lógico que a conjunção “contudo” estabelece entre as orações. Isso muda a estratégia: em vez de buscar paráfrases do conteúdo, você deve classificar a relação que o conectivo instaura. No trecho, o autor afirma que, em adultos, também vale iniciar com TCC — mas, em seguida, ressalva que o início com farmacoterapia é muito frequente. Há uma contrariedade entre a recomendação (TCC) e a prática (fármacos). Essa relação de oposição/ressalva é típica das conjunções adversativas.

A técnica que decide a questão é o reconhecimento das conjunções coordenativas:

  • Adversativas (oposição, quebra de expectativa): mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, ainda assim.

  • Conclusivas (conclusão, consequência): logo, portanto, por conseguinte, por isso, assim, pois (posposto ao verbo).

NÃO CAIA NESSA!

Ao ver “contudo”, “porém”, “todavia”, “entretanto”, “no entanto”, pense imediatamente em adversidade. A banca adora trocar um conectivo adversativo por um conclusivo (“portanto”, “logo”) para ver se você confunde oposição com conclusão.

A pegadinha central está em “Portanto”: ele parece um conectivo “forte” e pode passar despercebido, mas pertence a outra classe. Enquanto “contudo” introduz uma ressalva (o que se esperava é contrariado), “portanto” introduz uma conclusão (o que se afirma é consequência do que foi dito antes). São relações lógicas opostas.

Conjunções coordenativas
  • 1Adversativas (oposição)
    • mas
    • porém
    • contudo
    • todavia
    • entretanto
    • no entanto
  • 2Conclusivas (conclusão)
    • logo
    • portanto
    • por conseguinte
    • por isso
    • assim
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Alternativa A — ❌ Incorreta

“No entanto” é conjunção adversativa, sinônima de “contudo”. No trecho, poderia substituí-lo sem alterar o sentido: “Em adulto, também vale iniciar com TCC, no entanto, geralmente o início com farmacoterapia é muito frequente”. Mantém a ideia de oposição. Erro: não é a resposta, pois apresenta o mesmo valor do conectivo destacado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Entretanto” também é adversativa, com o mesmo valor de “contudo”. A substituição preservaria a relação de contraste entre a recomendação da TCC e a frequência da farmacoterapia. Erro: mesmo valor semântico do conectivo em questão.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Portanto” é conjunção conclusiva, indicando que a segunda oração é uma conclusão da primeira. No trecho, não caberia: “Em adulto, também vale iniciar com TCC, portanto, geralmente o início com farmacoterapia é muito frequente” — a frase perderia o sentido de oposição e passaria a sugerir que a frequência da farmacoterapia é consequência da TCC, o que não é o caso. É a única alternativa com valor diverso (conclusivo, não adversativo).

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Todavia” é adversativa, sinônima de “contudo”. A troca manteria a quebra de expectativa: “Em adulto, também vale iniciar com TCC, todavia, geralmente o início com farmacoterapia é muito frequente”. Erro: mesmo valor de oposição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Porém” é a conjunção adversativa mais clássica, com o mesmo valor de “contudo”. A substituição seria perfeita: “Em adulto, também vale iniciar com TCC, porém, geralmente o início com farmacoterapia é muito frequente”. Erro: mesmo valor semântico do conectivo destacado.

Conclusão: a questão testa a classificação das conjunções coordenativas. “Contudo” é adversativa; “No entanto”, “Entretanto”, “Todavia” e “Porém” também são adversativas. Apenas “Portanto” é conclusiva, apresentando valor diverso. Ao encontrar conectivos, pergunte sempre: qual relação lógica ele estabelece — oposição, conclusão, adição, explicação? Essa pergunta resolve a questão.

Gabarito: letra C

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