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Questão de Português — Pronomes Indefinidos — Avança SP 2023

PortuguêsPronomes Indefinidos
Código
qa502486
Banca
Avança SP
Órgão
FMSRC
Ano
2023
Cargo
Ana ( )

Caso de divórcio (I)

 

O divórcio é necessário. Todos conhecem dezenas de casos que convenceriam até um arcebispo. Eu mesmo conheço meia dúzia. Vou contar uns três ou quatro. O nome dele é Morgadinho. Baixo, retaco, careca precoce. Você conhece o tipo. No carnaval se fantasia de legionário romano e no futebol de praia dá pau que não é fácil. Frequenta o clube e foi lá que conheceu sua mulher, mais alta do que ele, morena, linda, as unhas do pé pintadas de roxo. Na noite de núpcias, ele lhe declarou.

 

― Se você algum dia me enganar, eu te esgoelo.

 

― Ora, Morgadinho…

 

Ela se chama Fátima Araci. Ou é Mara Sirlei? Não, Fátima Araci. Não é que ela não goste do Morgadinho, é que nunca prestou muita atenção no marido. Na cerimônia do casamento já dava para notar. O olhar dela passava dois centímetros acima da careca do Morgadinho. Ela estava maravilhada com o próprio casamento e o Morgadinho era um simples acessório daquele dia inesquecível. Como um castiçal ou um coroinha. No álbum de fotografias do casamento que ela guardou junto com a grinalda, há esta constatação terrível: o Morgadinho não aparece. Aparece o coroinha mas não aparece o Morgadinho. Um ou dois meses depois do casamento, o Morgadinho sugeriu que ela lhe desse um apelido. Um nome secreto, carinhoso, para ser usado na intimidade, algo que os unisse ainda mais, sei lá. Ela prometeu que ia pensar no assunto. O Morgadinho insistiu.

 

― Eu te chamo de Fafá e você me chama de qualquer coisa.

 

― Vamos ver.

 

Uma semana depois, Morgadinho voltou ao assunto.

 

― Já pensaste num apelido para mim, Fafá?

 

― Ainda não.

 

Três semanas depois, ele mesmo deu um palpite.

 

― Quem sabe Momo?

 

― Não.

 

― Gagá? Fofura? ― Tomou coragem e, rindo meio sem jeito, arriscou:

 

― Tigre?

 

Ela nem riu. Pediu que ele tivesse paciência. Estava lendo o Sétimo Céu. Tinha tempo. O Morgadinho não desistiu. Às vezes, chegava em casa com uma novidade.

 

― Que tal este: “Barrilzinho”?

 

― Não gosto.

 

Outra vez, os dois estavam passando por um quintal e ouviram uma criança chamando um cachorro.

 

― Pitoco. Vem, Pitoco.

 

Morgadinho virou-se para a mulher, cheio de esperança, mas ela fez que não com a cabeça. Finalmente (passava um ano do casamento e nada de apelido), Morgadinho perdeu a paciência. Estavam os dois na cama. Ela pintava as unhas do pé.

 

― Você não me ama.

 

― Ora, Morgadinho…

 

― Até hoje não pensou num apelido para mim.

 

― Está bem, sabe o que tu és? Um xaropão. Taí teu apelido. Xaropão.

 

O Morgadinho já tinha enfrentado várias levas de policiais a tapa. Uma vez desmontara um bar depois de um mal-entendido e saíra para a rua dando cadeiradas em meio mundo. Homens, mulheres e crianças. Mas naquela noite virou-se para o lado e chorou no travesseiro. Aí a mulher, com cuidado para não estragar o esmalte, chegou perto do seu ouvido e disse, rindo:

 

― Xaropãozinho… ― Rindo. Rindo!

 

Luís Fernando Verissimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:

 

I. “Todos conhecem dezenas de casos que convenceriam até um arcebispo.”

 

II. “Na noite de núpcias, ele lhe declarou.”

 

III. “Taí teu apelido. Xaropão.”

 

As sentenças dadas apresentam diferentes tipos de pronomes. Ocorre pronome indefinido apenas em:

  1. AI.
  2. BII.
  3. CIII.
  4. DI e II.
  5. EII e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — I.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação dos Pronomes nas Sentenças do Texto

Gabarito: letra A. Ocorre pronome indefinido apenas na sentença I, pois o termo "todos" é um pronome indefinido, referindo-se a um grupo de pessoas de forma vaga e genérica. Nas sentenças II e III, os pronomes são, respectivamente, pessoal oblíquo átono ("lhe") e possessivo ("teu"). A passagem que sustenta a análise é a sentença I: "Todos conhecem dezenas de casos que convenceriam até um arcebispo."

O que a questão pede

O comando é direto: identificar em qual das sentenças ocorre pronome indefinido. Isso é uma questão de morfologia — classificação das palavras quanto à classe gramatical. Não há interpretação de texto envolvida; basta reconhecer a classe de cada pronome destacado. A banca quer que você diferencie os tipos de pronomes: indefinidos, pessoais e possessivos.

Os pronomes nas sentenças

  • Sentença I: "Todos conhecem dezenas de casos..." — "Todos" é pronome indefinido, pois se refere a um conjunto indeterminado de pessoas, sem especificar quem são. É um pronome substantivo, pois substitui o substantivo ("todas as pessoas").

  • Sentença II: "Na noite de núpcias, ele lhe declarou." — "lhe" é pronome pessoal oblíquo átono, pois substitui um complemento verbal (objeto indireto: "declarou a ela"). Não é indefinido.

  • Sentença III: "Taí teu apelido. Xaropão." — "teu" é pronome possessivo, pois indica posse (o apelido pertence à pessoa com quem se fala). Não é indefinido.

A técnica para resolver

Para classificar um pronome, pergunte: qual é a função dele na frase?

  • Se indica posse → possessivo (meu, teu, seu, nosso...).

  • Se substitui um substantivo de forma vaga/indeterminada → indefinido (alguém, ninguém, todo, algo, nada...).

  • Se substitui um complemento verbal → pessoal oblíquo (me, te, lhe, o, a...).

No caso de "todos", ele não indica posse nem é complemento; ele generaliza: "todas as pessoas". Isso é a marca do indefinido.

Análise das alternativas

Pronome

Sentença

Classificação

Todos

I

Indefinido

Lhe

II

Pessoal oblíquo átono

Teu

III

Possessivo

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sentença I contém "todos", que é um pronome indefinido. O texto traz: "Todos conhecem dezenas de casos...". O pronome "todos" refere-se a um grupo indeterminado de pessoas, sem nomear ninguém. É exatamente o que caracteriza um indefinido: sentido vago, genérico. Portanto, a alternativa está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sentença II tem "lhe", que é pronome pessoal oblíquo átono. No texto: "Na noite de núpcias, ele lhe declarou." O "lhe" substitui o objeto indireto ("declarou a ela"), ou seja, é um pronome pessoal, não indefinido. A alternativa erra ao classificar como indefinido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sentença III tem "teu", que é pronome possessivo. No texto: "Taí teu apelido. Xaropão." O "teu" indica posse (o apelido é da pessoa com quem se fala). Não é indefinido. A alternativa erra ao classificar como indefinido.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que há pronome indefinido em I e II. Isso é falso, pois a sentença II tem "lhe" (pessoal oblíquo), não indefinido. Apenas a I tem indefinido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que há pronome indefinido em II e III. Isso é falso, pois II tem "lhe" (pessoal) e III tem "teu" (possessivo). Nenhuma das duas tem indefinido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura pronomes de tipos diferentes e cobra a identificação do indefinido. A pegadinha está em "todos" (indefinido) versus "lhe" (pessoal oblíquo) e "teu" (possessivo).

PEGA ESSA DICA!

Decore a lista de pronomes indefinidos: alguém, ninguém, algo, nada, todo, outro, certo, vários, qualquer, etc. Se o pronome indicar posse, é possessivo; se substituir complemento, é pessoal oblíquo.

Conclusão: A única sentença com pronome indefinido é a I, pois "todos" generaliza. As demais têm pronomes pessoais e possessivos. Portanto, Gabarito: letra A.

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