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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — FURB 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa502689
Banca
FURB
Órgão
Pref Ilhota
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

Haverá em breve uma vacina contra o câncer?

 

Empresas de biotecnologia querem lançar em alguns anos imunizantes contra a doença, algo que se tornou possível com a tecnologia de mRNA. Com isso, o câncer pode deixar de ser uma "sentença de morte". Em poucos anos, a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) revolucionou a medicina. Durante a pandemia de covid-19, imunizantes de alta eficácia contra o vírus Sars-Cov-2 foram desenvolvidos em apenas alguns meses graças a essa tecnologia.

 

Mesmo que o vírus se desenvolva com mutações mais agressivas, vacinas sob medida podem ser novamente desenvolvidas em pouco tempo graças à tecnologia de mRNA. Mas esse avanço, recentemente agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina, pode ainda alcançar muito mais.

 

A tecnologia de mRNA também deu novo impulso à pesquisa sobre o câncer. O CEO da empresa de biotecnologia CureVac, Alexander Zehnder, quer introduzir no mercado vacinas com base nessa tecnologia em um prazo máximo de cinco anos.

 

O desenvolvimento de vacinas contra certos tipos de câncer seria um sonho realizado para a humanidade. "Pesquisas sobre vacinas contra o câncer vêm sendo realizadas há 20 anos. Os progressos atuais, porém, são enormes", afirma Zehnder. "Ganhamos muita experiência durante a pandemia e a inteligência artificial está tão avançada que consegue resolver muitos problemas na programação do mRNA", explicou o chefe da CureVac em entrevista ao jornal alemão Bild am Sonntag.

 

As vacinas contra o câncer estimulam o sistema imunológico de maneira que as defesas próprias do corpo podem combater especificamente as células tumorais. "O fator mortal no câncer é o fato de ele se manter em crescimento. A vacina visa conter esse crescimento, mesmo que o câncer já esteja metastático. O câncer, dessa forma, se torna uma doença crônica com a qual se pode conviver durante décadas. Não é mais uma sentença de morte", disse Zehnder.

 

Corrida pela vacina

 

Além da CureVac, outras empresas também investem intensamente em pesquisas contra o câncer. No início de outubro, a empresa BioNTech publicou resultados preliminares promissores de um estudo clínico em andamento. A eficácia de sua vacina de mRNA contra o câncer, CARVac, já está sendo testada em cobaias.

 

O CEO da BioNTech, Ugur Sahin, disse em entrevista à revista alemã Der Spiegel que, segundo sua estimativa, haverá vacinas contra o câncer disponíveis nos próximos anos. "Acreditamos que será possível produzi-las em larga escala antes de 2030", afirmou.

 

No longo prazo, as vacinas tendem a substituir o tratamento convencional contra o câncer. Isso também seria um fator bastante positivo, uma vez que as terapias com quimioterapia ou radiação são extremamente agressivas para os pacientes.

 

"A quimioterapia ou a radiação nunca combatem somente o tumor, mas também os tecidos saudáveis. É por isso que há tantos efeitos colaterais", explicou Zehnder. "A vantagem de usar o mRNA é que o sistema imunológico próprio é estimulado e combate especificamente o câncer, e nada mais".

 

Como funciona a vacina?

 

As células T, ou linfócitos T, ajudam o corpo a combater infecções ao destruir as células adoecidas ou estimular outras células imunológicas a agirem, mas têm dificuldades em reconhecer as células cancerígenas, o que as células CAR-T conseguem fazer.

 

O tratamento com as células CAR-T foi aprovado na Europa em 2018 e vem sendo utilizado principalmente no tratamento da leucemia, o chamado câncer sanguíneo.

 

No entanto, essa forma bastante eficaz de imunoterapia tem custos impraticáveis para muitos. Segundo o Centro Alemão de Pesquisas sobre o Câncer da Alemanha, os fabricantes cobram até 320 mil euros pela produção dessas células imunológicas para apenas um paciente.

 

Nesse tipo de imunoterapia, as células T são filtradas dos leucócitos - os glóbulos brancos - do sangue do paciente. Elas então são geneticamente modificadas para formarem receptores quiméricos de antígeno (CARs) na superfície. Isso resulta em um receptor cujos componentes diferentes não se encaixam.

 

Vacinas deixam as células tumorais visíveis

 

Se as células CAR-T produzidas dessa forma forem injetadas de volta no paciente, elas se alojam especificamente nas células cancerígenas. O sistema imunológico é ativado e ataca as células tumorais. As futuras vacinas podem dar apoio a esse processo se, por exemplo, as células CAR-T não conseguirem encontrar ou estiverem muito enfraquecidas para lutar contra as tumorais.

 

Para deixar as células tumorais mais visíveis, a proteína Claudin-6 é introduzida na célula cancerígena com ajuda da tecnologia mRNA. Isso cria um antígeno que se aloja na superfície da célula tumoral, tornando-a mais fácil de ser reconhecida e combatida pelas CAR-T.

 

Até agora, as células T modificadas combatiam somente o câncer sanguíneo. Mas os avanços rápidos na tecnologia de mRNA aumentam as esperanças de que possa haver no futuro terapias eficazes e menos agressivas, não apenas para a leucemia, mas também para outros tipos de câncer.

 

Retirado e adaptado de: TERRA. Haverá em breve uma vacina

contra o câncer? Portal Terra. Disponível em: https://www.terra.

com.br/noticias/havera-em-breve-uma-vacina-contra-o-cancer,

60f8d40daa34735e8fe2882052bb273fti7x3zb1.html

Acesso em: 09 nov., 2023.

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.     Assinale a alternativa em que o uso da vírgula é opcional:
  1. AAs células T, ou linfócitos T, ajudam o corpo a combater infecções ao destruir as células adoecidas ou estimular outras células imunológicas a agirem.
  2. BDurante a pandemia de covid-19, imunizantes de alta eficácia contra o vírus Sars-Cov-2 foram desenvolvidos em apenas alguns meses graças a essa tecnologia.
  3. CAlém da CureVac, outras empresas também investem intensamente em pesquisas contra o câncer.
  4. DMesmo que o vírus se desenvolva com mutações mais agressivas, vacinas sob medida podem ser novamente desenvolvidas em pouco tempo graças à tecnologia de mRNA.
  5. ESe as células CAR-T produzidas dessa forma forem injetadas de volta no paciente, elas se alojam especificamente nas células cancerígenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Durante a pandemia de covid-19, imunizantes de alta eficácia contra o vírus Sars-Cov-2 foram desenvolvidos em apenas alguns meses graças a essa tecnologia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso da Vírgula: Casos Facultativos

Gabarito: letra B. A vírgula em "Durante a pandemia de covid-19, imunizantes..." é facultativa porque separa um adjunto adverbial de tempo deslocado e curto — e, nesse caso, a norma permite suprimi-la sem prejuízo sintático ou semântico. Nas demais alternativas, a vírgula é obrigatória por isolar orações subordinadas adverbiais antepostas (C, D, E) ou um aposto explicativo (A).

O que o comando pede

A questão quer que você identifique em qual frase a vírgula poderia ser retirada sem tornar o período incorreto ou mudar seu sentido. Isso é diferente de perguntar "onde a vírgula é obrigatória". Aqui, o foco é o uso facultativo: a vírgula existe, mas sua presença não é exigida pela gramática — é uma escolha estilística do autor.

A regra que decide

A vírgula é obrigatória quando separa uma oração subordinada adverbial (temporal, condicional, concessiva, etc.) que vem antes da oração principal. Exemplo: "Quando cheguei, ele já tinha saído" — sem a vírgula, o período fica confuso. Já o adjunto adverbial (expressão que indica tempo, lugar, modo etc.) deslocado para o início da frase tem tratamento diferente: se for curto (até três palavras, aproximadamente), a vírgula é facultativa; se for longo, torna-se obrigatória para clareza.

No texto-base, a frase da alternativa B é:

"Durante a pandemia de covid-19, imunizantes de alta eficácia contra o vírus Sars-Cov-2 foram desenvolvidos em apenas alguns meses graças a essa tecnologia."

O trecho "Durante a pandemia de covid-19" é um adjunto adverbial de tempo, composto por quatro palavras (preposição + artigo + substantivo + numeral). Embora não seja curtíssimo, é curto o suficiente para que a vírgula seja dispensável: "Durante a pandemia de covid-19 imunizantes..." continua perfeitamente compreensível e gramatical. A banca considerou esse caso como facultativo, seguindo a orientação de que adjuntos adverbiais curtos deslocados não exigem vírgula.

Análise das alternativas

Vírgula no início da frase
  • 1Oração subordinada adverbial anteposta
    • Obrigatória (D, E)
  • 2Adjunto adverbial deslocado
    • Curto (até ~3 palavras)
      • Facultativa (B)
    • Longo
      • Obrigatória
  • 3Aposto explicativo
    • Obrigatória (A)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"As células T, ou linfócitos T, ajudam o corpo..."

Aqui, "ou linfócitos T" é um aposto explicativo — termo que explica ou especifica o anterior. Aposto explicativo sempre vem isolado por vírgulas (ou travessões, ou parênteses). Retirar as vírgulas tornaria o trecho incorreto e mudaria a estrutura: "As células T ou linfócitos T ajudam..." soaria como se fossem duas coisas diferentes. Portanto, vírgula obrigatória.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como explicado, a vírgula separa um adjunto adverbial de tempo deslocado e curto. Sua retirada não prejudica a compreensão nem a correção gramatical. É o único caso em que a vírgula é facultativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Além da CureVac, outras empresas também investem..."

"Além da CureVac" é uma locução que funciona como adjunto adverbial (ou expressão explicativa) deslocada. Embora seja curta, a vírgula aqui é obrigatória porque a expressão "além de" tem valor de inclusão e, sem a vírgula, o período ficaria ambíguo: "Além da CureVac outras empresas..." poderia ser lido como se "outras empresas" fosse parte da CureVac. A vírgula marca a pausa que separa a ideia de "além de" do restante. A banca a considerou obrigatória.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Mesmo que o vírus se desenvolva com mutações mais agressivas, vacinas sob medida podem ser novamente desenvolvidas..."

A oração "Mesmo que o vírus se desenvolva..." é uma oração subordinada adverbial concessiva anteposta à principal. Orações subordinadas adverbiais deslocadas (que vêm antes da principal) exigem vírgula. Sem ela, o período fica incorreto: "Mesmo que o vírus se desenvolva... vacinas..." — a vírgula é indispensável para separar as duas orações.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Se as células CAR-T produzidas dessa forma forem injetadas de volta no paciente, elas se alojam..."

A oração "Se as células CAR-T... forem injetadas" é uma oração subordinada adverbial condicional anteposta. Mesma regra da D: oração subordinada adverbial deslocada exige vírgula. Retirá-la tornaria o período confuso e gramaticalmente inadequado.

Conclusão

A única frase em que a vírgula pode ser retirada sem prejuízo é a B, pois ali temos um adjunto adverbial curto deslocado — caso clássico de vírgula facultativa. Nas demais, a vírgula é obrigatória por isolar aposto (A) ou oração subordinada adverbial anteposta (C, D, E).

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura casos de vírgula obrigatória (oração subordinada anteposta) com o caso facultativo (adjunto adverbial curto). Não confunda: oração subordinada sempre pede vírgula quando vem antes da principal; adjunto adverbial curto, não.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver uma vírgula após uma expressão no início da frase, pergunte: isso é uma oração (tem verbo) ou um adjunto (só locução)? Se for oração, vírgula obrigatória; se for adjunto curto, facultativa.

Gabarito: letra B

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