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Questão de Português — Crase — FURB 2023

PortuguêsCrase
Código
qa502695
Banca
FURB
Órgão
Pref Ilhota
Ano
2023
Cargo
Serv ( )

Redes sociais podem ser viciantes?

 

Por muitos anos, a comunidade científica definiu o vício em relação a substâncias, como drogas. Mais recentemente, isso tem mudado. Agora, comportamentos, como jogos de azar ou uso da internet e redes sociais, também levantam o debate sobre características viciantes.

 

Em 2013, a APA (Associação Americana de Psiquiatria) do Estados Unidos introduziu a ideia de vício em jogos na internet no Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais, que é uma referência mundial para condições de saúde mental.

 

Esse foi o primeiro passo para consolidar um debate que vem crescendo há alguns anos. Contudo, mais estudos são necessários antes de que a ciência bata o martelo. Isso porque, quando utilizada com limites, a internet é bastante importante para a vida cotidiana. Especialistas compreendem, porém, que as redes sociais, por exemplo, podem incitar um uso problemático da internet.

 

Reforço intermitente

 

De modo geral, as redes sociais oferecem conteúdos em tempo real e em quantidade sempre crescente. Dessa forma, agem sobre os impulsos e circuitos neurológicos de uma pessoa, tornando difícil se afastar do fluxo constante de informações.

 

Na ciência, uma das principais táticas das redes sociais é o reforço intermitente. Ele consiste na ideia de que um usuário poderia ser recompensado a qualquer momento. No entanto, a chegada da recompensa é imprevisível − pode acontecer daqui cinco minutos ou uma hora.

 

É o mesmo mecanismo de uma máquina de caça-níqueis, em que a expectativa de ser recompensado faz com que a pessoa fique presa ao aparelho. Assim como no jogo de azar, as luzes e sons fazem parte do processo de atração.

 

Mas, de maneira ainda mais complexa, as redes sociais fazem isso também com informações personalizadas, que vão de acordo com os interesses e gostos do usuário.

 

Perigo para os jovens

 

De modo geral, todos estão suscetíveis a cair nesse mecanismo e usar as redes sociais sem limites. Contudo, os jovens estão particularmente em risco. Isso porque eles ainda não têm o cérebro tão desenvolvido quanto adultos. Dessa forma, algumas regiões cerebrais envolvidas na resistência à tentação e na recompensa não são tão eficazes.

 

Por isso, eles costumam ser mais impulsivos e menos controlados. Além disso, outro aspecto importante nessa relação com as redes sociais é a sociabilidade.

 

O cérebro adolescente é especialmente ligado em fazer conexões sociais, o que é super estimulado nas redes sociais, já que elas são feitas justamente para esse objetivo.

 

Por isso, podem ser ainda mais perigosas entre crianças e adolescentes. Pensando nisso, o governo brasileiro lançou, em outubro de 2023, o guia "De Boa na Rede", com objetivo de orientar pais e responsáveis a como manter crianças e adolescentes seguros nas redes sociais. O principal objetivo do guia é ajudar a detectar e combater o vício em telas, além de proteger os jovens de crimes na internet.

 

Retirado e adaptado de: GIOVANI, Bárbara. As redes sociais podem

ser viciantes? Como elas incitam uso sem limites. UOL. Disponível

em: https://gizmodo.uol.com.br/as-redes-sociais-podem-ser-

viciantes-como-elas-incitam-uso-sem-limites/ Acesso em: 07 nov., 2023.

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

   

Assinale a alternativa que apresenta o correto emprego do acento grave (crase):

  1. AMeus estudantes pediram orientação no que concerne à postagens sobre saúde mental.
  2. BÉ importante monitorar o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais.
  3. CMeu filho pediu um celular de Natal e estou ponderando se dou esse presente à ele.
  4. DTenho perdido muito tempo nas redes sociais e não sei o que fazer em relação à isso.
  5. ETudo o que é postado nas redes sociais só me incita à trabalhar mais e ficar mais ansioso.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — É importante monitorar o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: Emprego do Acento Grave (FURB/2023)

Gabarito: letra B. A alternativa correta é a única em que o acento grave é obrigatório e corretamente empregado: "acesso às redes sociais" — fusão da preposição "a" (exigida pelo nome "acesso": quem tem acesso, tem acesso a algo) com o artigo feminino plural "as" (que determina "redes sociais"). As demais alternativas erram por usar crase antes de palavra masculina, verbo no infinitivo, pronome pessoal do caso reto ou pronome demonstrativo que não admite artigo.

A questão é de gramática aplicada (crase), não de interpretação de texto. O comando pede que você identifique a frase em que o acento grave está corretamente empregado. Para resolver, é preciso dominar a regra de ouro da crase: ela só ocorre quando há fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a/as" (ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos como "aquele", "aquela", "aquilo", e do relativo "a qual/as quais"). O teste prático é substituir a palavra feminina por uma masculina: se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o", não há.

Aplicando o teste à alternativa B: "acesso às redes sociais" → "acesso ao Facebook" (palavra masculina). Como surge "ao", a crase é obrigatória. Veja a estrutura:

"É importante monitorar o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais."

O nome "acesso" rege a preposição "a" (acesso a algo), e "redes sociais" é um substantivo feminino plural que admite o artigo "as". Preposição + artigo = às. Nenhuma outra alternativa apresenta essa fusão legítima.

Critério

A (concerne à postagens)

B (acesso às redes)

C (presente à ele)

D (relação à isso)

E (incita à trabalhar)

Palavra seguinte

Substantivo plural

Substantivo feminino plural

Pronome pessoal reto

Pronome demonstrativo neutro

Verbo no infinitivo

Admite artigo feminino?

Não (sem "as")

Sim ("as")

Não

Não

Não

Há fusão (preposição + artigo)?

Não

Sim (a + as = às)

Não

Não

Não

Crase correta?

❌ Não

✅ Sim

❌ Não

❌ Não

❌ Não

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Meus estudantes pediram orientação no que concerne à postagens sobre saúde mental."

Erro: crase antes de palavra no plural sem artigo definido. A expressão "no que concerne a" exige a preposição "a", mas "postagens" está no plural e não vem precedida de artigo definido "as" (seria "às postagens" se houvesse o artigo). Como não há o artigo, não há fusão — logo, não há crase. O correto seria "concerne a postagens". A banca explora a generalização indevida: o candidato vê a preposição "a" e aplica a crase sem verificar se o artigo está presente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"É importante monitorar o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais."

Crase obrigatória e correta. O nome "acesso" exige a preposição "a" (quem tem acesso, tem acesso a algo), e "redes sociais" é substantivo feminino plural que admite o artigo "as". A fusão "a + as = às" é exatamente o caso de crase. O teste da troca por palavra masculina confirma: "acesso ao Facebook" — se surge "ao", há crase.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Meu filho pediu um celular de Natal e estou ponderando se dou esse presente à ele."

Erro: crase antes de pronome pessoal do caso reto. "Ele" é pronome pessoal e não admite artigo — logo, não pode haver fusão. O correto é "a ele", sem acento grave. A regra é clara: crase é proibida antes de pronomes pessoais (ele, ela, você, etc.).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Tenho perdido muito tempo nas redes sociais e não sei o que fazer em relação à isso."

Erro: crase antes de pronome demonstrativo que não admite artigo. "Isso" é pronome demonstrativo neutro e não admite artigo feminino — portanto, não há fusão possível. O correto é "em relação a isso". A banca tenta confundir com o caso de "àquilo" (que admite crase), mas "isso" não se encaixa na regra.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Tudo o que é postado nas redes sociais só me incita à trabalhar mais e ficar mais ansioso."

Erro: crase antes de verbo no infinitivo. "Trabalhar" é verbo, e crase é proibida antes de verbos — não há artigo feminino para fundir com a preposição. O correto é "incita a trabalhar". A banca explora a confusão entre a preposição "a" (exigida pelo verbo "incitar": incitar alguém a algo) e a crase.

NÃO CAIA NESSA!

A banca arma com a generalização indevida — o candidato vê a preposição "a" e aplica a crase sem verificar se há artigo feminino. O teste da troca por palavra masculina ("ao") resolve todas as alternativas em segundos.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, faça o teste: substitua a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o", não há. Esse macete elimina 90% dos erros em questões de crase.

Gabarito: letra B — a única em que a crase é obrigatória e corretamente empregada, pois há fusão da preposição "a" (exigida por "acesso") com o artigo feminino plural "as" (que determina "redes sociais").

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