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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2023

PortuguêsCrase
Código
qa502717
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC
Ano
2023
Cargo
Aux ( )

A questão refere-se ao texto abaixo.

 

Preferiria congelar nos 50, mas deter o tempo como?

 

Por Martha Medeiros

 

Tem pessoas que adoram obras, estão sempre derrubando uma parede, trocando um piso, consertando um telhado,            vezes tudo isso ao mesmo tempo. Eu? Nem que tivesse energia e dinheiro sobrando. Minha especialidade na vida é evitar incomodação. Sou craque em manter as coisas como           encontro – a não ser que representem algum risco. Só de imaginar as negociações de prazo, o entra-e-sai de funcionários e o barulho, desisto e me apego             tese de que o tempo deixa tudo mais bonito.

 

Parece desculpa para a preguiça, mas há um fundamento. As coisas gastas desenvolvem um valor, digamos, atmosférico. Ganham ranhuras, trocam de cor e se revestem, por fim, com a aura sofisticada da permanência. Resistiram a modismos e ansiedades, viraram testemunhas do que foi vivido ao seu redor. Acho isso de uma elegância rara, pena que só valorizada lá longe, na Europa.

 

Este texto deveria ser publicado em algum folheto de antiquário, eu sei, ou de um museu. Sou bem retrô em relação a certos assuntos. Gosto de novidades, desde que a ebulição aconteça dentro da minha cabeça, sem necessidade de um caminhão de mudanças. Tive poucos endereços na vida. Preservo amizades feitas no colégio. Conto mês a mês os aniversários de relacionamento, e quanto mais ele resiste íntegro e satisfatório, mais me orgulho. Quase gosto de estar envelhecendo.

 

Quase. Preferiria congelar nos 50, mas deter o tempo como? Cada um é livre para fazer o que deseja, eu faço nada. No que diz respeito à vaidade pessoal, sigo a mesma cartilha das paredes, pisos e telhados: deixo tudo como está. Invisto em maquiagem leve, tonalizante nos cabelos e exercícios físicos – de agulhas, passo longe. Até aqui, dispensei procedimentos rejuvenescedores, como botox, preenchimentos ou lifting (o “valor atmosférico” do meu rosto confirma). Nunca fui estonteante, o que ajuda a envelhecer sem pânico. Não há tanto a perder, afinal, e o que se ganha fica visível de outra forma.

 

Mulheres lindas de nascença talvez sofram mais para aceitar com tranquilidade o desgaste da própria aparência. E as apaixonadas por obras, essas nem querem saber: têm conta nas clínicas de estética e trocam de pele como quem troca de tapete. Não posso garantir que um dia não venha também a ceder meu corpo a reformas (mesmo o corpo sendo uma casa provisória: não o deixaremos de herança para ninguém). Mas ainda prefiro defender a tese de que o tempo costuma, sim, deixar tudo mais bonito. É quando a dignidade prevalece.

 

Alterações físicas nos abalam, mas devemos reagir a elas com calma, sem exagerar na camuflagem. Nada adianta fazermos das nossas casas – corpo e residência – lugares belos para se fotografar, mas que dão a impressão de não haver nenhum morador dentro.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas do texto.
  1. Aàs – às – a
  2. Bàs – as – a
  3. Càs – as – à
  4. Das – às – à
  5. Eas – as – à
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — às – as – à

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em três lacunas — Gabarito: letra C.

A alternativa correta é a letra C, que preenche as lacunas com “às – as – à”. A primeira lacuna exige crase por ser a locução adverbial feminina “às vezes”; a segunda não admite crase, pois o “as” é pronome relativo sem preposição (o verbo “encontrar” é transitivo direto); a terceira exige crase, pois o verbo “apegar” pede a preposição “a” e o substantivo “tese” admite o artigo “a”, formando a fusão “à”. Como se lê no texto: “Sou craque em manter as coisas como as encontro – a não ser que representem algum risco. Só de imaginar as negociações de prazo, o entra-e-sai de funcionários e o barulho, desisto e me apego à tese de que o tempo deixa tudo mais bonito.”

O que a questão cobra

A questão pede que você analise o emprego do acento indicativo de crase em três lacunas do texto. Isso significa que você deve verificar, em cada caso, se há a fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a” (ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos/relativos). Não se trata de interpretação de sentido, mas de aplicação da regra gramatical ao contexto específico. O comando é claro: “assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas do texto”. Portanto, você deve analisar cada lacuna isoladamente e depois ver qual alternativa traz a sequência correta.

A técnica que resolve

A técnica central para crase é: troque a palavra feminina por uma masculina. Se na troca surgir “ao”, há crase; se surgir apenas “o”, não há. Veja como aplicar:

  • 1ª lacuna: “...vezes tudo isso ao mesmo tempo.” → A expressão “às vezes” é uma locução adverbial feminina e sempre recebe crase. É um caso de crase obrigatória.

  • 2ª lacuna: “manter as coisas como as encontro” → O “as” é um pronome relativo que retoma “as coisas”. O verbo “encontrar” é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. Portanto, não há crase: escreve-se “as”.

  • 3ª lacuna: “me apego à tese” → O verbo “apegar-se” exige a preposição “a” (quem se apega, apega-se a algo). O substantivo “tese” é feminino e admite o artigo “a”. Assim, temos preposição “a” + artigo “a” = “à”.

Por que a letra C é a única correta

A sequência “às – as – à” é a única que respeita as três regras: locução adverbial com crase, pronome relativo sem crase e regência com crase. As demais alternativas erram em pelo menos uma lacuna, como veremos a seguir.

1Ocorre
Preposição "a" + artigo "a"
Locução adverbial feminina (às vezes)
Regência que exige "a" + substantivo feminino
2Não ocorre
Pronome relativo "as" sem preposição
Verbo transitivo direto
3Técnica de verificação
Trocar por palavra masculina
Surge "ao" → há crase
Surge "o" → não há crase
Crase
LEVELsoulevel.com.br
Crase: Ocorre (Preposição "a" + artigo "a", Locução adverbial feminina (às vezes), Regência que exige "a" + substantivo feminino); Não ocorre (Pronome relativo "as" sem preposição, Verbo transitivo direto); Técnica de verificação (Trocar por palavra masculina, Surge "ao" → há crase, Surge "o" → não há crase)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência “às – às – a” erra na segunda lacuna, pois coloca crase em “as” quando não há preposição. O “as” é pronome relativo e o verbo “encontrar” é transitivo direto, então não há fusão. Também erra na terceira lacuna, pois omite a crase exigida pela regência de “apegar-se”.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência “às – as – a” acerta as duas primeiras lacunas, mas erra na terceira, pois não coloca crase em “a tese”. O verbo “apegar-se” exige a preposição “a”, e o substantivo “tese” admite o artigo, então a forma correta é “à”.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência “às – as – à” está correta: “às vezes” (locução adverbial com crase), “as encontro” (pronome relativo sem crase) e “à tese” (preposição + artigo). É a única que respeita as três regras.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência “as – às – à” erra na primeira lacuna, pois não coloca crase em “as vezes”. A expressão “às vezes” é uma locução adverbial feminina e sempre recebe crase. Acerta as outras duas, mas a primeira já invalida a alternativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A sequência “as – as – à” erra na primeira lacuna, pois omite a crase em “às vezes”. Também erra na segunda, pois coloca crase em “as” sem necessidade. Apenas a terceira está correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura três casos clássicos de crase. A armadilha está em confundir a segunda lacuna, onde o “as” é pronome relativo sem preposição, com a terceira, onde o verbo “apegar” exige a preposição “a”. Fique atento à regência!

PEGA ESSA DICA!

Sempre que houver lacunas, analise cada uma separadamente. Troque a palavra feminina por uma masculina: se aparecer “ao”, há crase; se aparecer “o”, não há. Isso resolve a maioria dos casos.

Gabarito: letra C

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