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Questão de Português — Conjunção — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsConjunção
Código
qa503157
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UEAP
Ano
2023
Cargo
Ana ( )

MUITOS DADOS, POSSÍVEIS LEITURAS Carla Madureira Cruz (Instituo de Geociência – UFRJ)

 

Estamos cada vez mais exigentes aos detalhes do mundo que nos rodeia, seja espacial ou temporalmente. Ainda que não saibamos o limite de onde podemos chegar, seguramente romperemos as dificuldades de forma cada vez mais rápida. Vejamos a questão da escala…

 

Não faz muito tempo que observar o mundo através de manchas indicativas do tipo de ocupação (como é o caso das áreas urbanas e dos fragmentos florestais) era o que havia de melhor para fazer medições, monitoramentos e diagnósticos. Isso tudo a intervalos de anos, às vezes, décadas. Afinal, a produção cartográfica sempre foi, historicamente, um desafio complexo, exigindo tempo, métodos e recursos pouco triviais. Não é à toa que era restrita a poucos.

 

Atualmente, e cada vez mais rapidamente, temos sido capazes de romper muitas dessas fronteiras. E por que isto é importante? Porque a representação de dados depende da escala e esta, por sua vez, depende do conjunto de dados primários utilizados. Assim, se quisermos analisar um território de modo mais detalhado, precisaremos de dados suficientemente ajustados ao nível de escala exigido para cada demanda. Hoje, tornou-se comum trocarmos manchas por indivíduos (como casas e árvores) em algumas aplicações como as voltadas aos estudos urbanos.

 

As formas de levantamentos de dados são variáveis e podem ser do tipo in situ (no campo) ou remoto. Com o avanço tecnológico, cresce em qualidade e diversidade as opções remotas de obtenção de dados, como é o caso do sensoriamento remoto com suas múltiplas facetas. Ele nos permite acesso, cada vez mais amplo, a um parque de imagens muito variadas, que buscam atender a estudos e aplicações diversas. Afinal, a leitura espacial é um quesito fundamental para a quantificação e compreensão da evolução da paisagem, podendo considerar aspectos antrópicos ou naturais.

 

Com a facilidade tecnológica de acesso, produção e disponibilização de dados espaciais, as pressões por soluções que passam por essas representações espaciais só crescem. Ampliam-se os dados, expressos na maioria das vezes por imagens e mapas, mas também há um aumento, e aprofundamento, do conhecimento sobre as dinâmicas de eventos – informações consideradas cruciais para lidar com as complexidades do mundo atual.

 

Não devemos esquecer que o que existe e o que representamos nunca é a mesma coisa. Toda representação em escala carrega em si alguma perda, que denominamos generalização. E isso é importante, porque possibilita a análise de áreas maiores. O desafio, portanto, é saber escolher a escala adequada ao estudo: aquela que não invisibiliza o que precisamos observar e medir.

 

Adaptado de: https://cienciahoje.org.br/artigo/muitos-dados-possiveis-leituras/. Acesso em: 05 abr. 2023.

Em “Ainda que não saibamos o limite de onde podemos chegar, seguramente romperemos as dificuldades [...]”, qual é a relação sintático-semântica sinalizada pela locução conjuntiva em destaque?

  1. AComparação.
  2. BExplicação.
  3. CCausa.
  4. DConcessão.
  5. EProporção.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Concessão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Locução conjuntiva concessiva: o valor de "ainda que"

Gabarito: letra D. A locução "ainda que" estabelece relação de concessão: introduz um fato que, embora seja um obstáculo ou ressalva, não impede a realização do que se afirma na oração principal. No trecho, "não sabermos o limite" é uma circunstância que não impede que "rompamos as dificuldades" — exatamente o valor concessivo. A passagem que ancora é:

"Ainda que não saibamos o limite de onde podemos chegar, seguramente romperemos as dificuldades [...]"

A concessão é uma quebra de expectativa: espera-se que, se não sabemos o limite, não consigamos avançar; mas o texto afirma o contrário — romperemos mesmo assim. É isso que a banca pede: reconhecer a relação sintático-semântica da locução.

O comando

A questão pergunta qual é a relação sintático-semântica sinalizada pela locução conjuntiva em destaque. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber a classe da palavra; é preciso identificar o valor semântico que ela estabelece entre as orações. O comando "qual é a relação" pede que você nomeie o tipo de oração subordinada adverbial introduzida pela locução.

O texto

O texto discute a evolução da produção de dados espaciais e a importância da escala. No primeiro parágrafo, o autor afirma que, apesar de não sabermos o limite do que podemos alcançar, certamente superaremos as dificuldades. A locução "ainda que" liga duas ideias: uma ressalva (não saber o limite) e uma afirmação (romper as dificuldades). A relação é de concessão, pois a ressalva não anula a afirmação.

A técnica

Para identificar o valor de uma conjunção ou locução, pergunte: qual é a relação lógica entre as orações? No caso de "ainda que", a relação é de concessão: a oração subordinada expressa um fato que contraria a expectativa criada pela oração principal, mas não a impede. Veja a diferença:

Relação

Pergunta-chave

Exemplo

Causa

Por que acontece?

"Não fui porque choveu."

Concessão

Apesar de quê?

"Fui, ainda que chovesse."

Comparação

Como?

"Ele é tão alto quanto o pai."

Proporção

À medida que?

"À medida que estudava, aprendia."

No trecho, a oração "ainda que não saibamos o limite" responde a "apesar de quê?" — apesar de não sabermos o limite, romperemos. Isso é concessão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Comparação. A comparação estabelece uma relação de igualdade ou semelhança entre dois termos (ex.: "tão... quanto", "como"). No trecho, não há comparação entre elementos; há uma ressalva. A locução "ainda que" não é comparativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Explicação. A explicação justifica uma afirmação anterior (ex.: "pois", "porque"). No trecho, a oração "ainda que não saibamos o limite" não explica por que romperemos; ela apresenta uma condição contrária que não impede o fato. A relação é de concessão, não de explicação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Causa. A causa indica o motivo que determina o fato (ex.: "porque", "já que"). No trecho, "não saber o limite" não é a causa de "romper as dificuldades"; pelo contrário, seria um motivo para não romper. A relação é de oposição entre a ressalva e a afirmação, típica da concessão.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Concessão. A locução "ainda que" é uma locução conjuntiva concessiva, equivalente a "embora", "mesmo que", "se bem que". Ela introduz uma oração subordinada adverbial concessiva, que expressa um fato que contraria a expectativa mas não impede a realização do que se afirma na oração principal. No trecho, "não sabermos o limite" é a ressalva; "romperemos as dificuldades" é a afirmação que se mantém apesar da ressalva. É exatamente o valor de concessão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Proporção. A proporção indica uma relação de simultaneidade ou correspondência entre dois fatos (ex.: "à medida que", "ao passo que"). No trecho, não há ideia de proporção; a locução "ainda que" não expressa algo que varia junto com outro. A relação é de concessão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre concessão e causa. O candidato pode achar que "ainda que" indica causa, mas a concessão expressa um obstáculo que não impede o fato, enquanto a causa é o motivo que determina o fato. No trecho, "não saber o limite" seria um obstáculo, não um motivo.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar concessão de causa, pergunte: "o fato da oração subordinada impede ou explica o fato da principal?" Se impede, é concessão; se explica, é causa. No trecho, "não saber o limite" não explica por que romperemos; ele seria um impedimento, mas mesmo assim romperemos.

Gabarito: letra D.

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