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Questão de Português — Conjunção — INSTITUTO AOCP 2023

PortuguêsConjunção
Código
qa503168
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
UEAP
Ano
2023
Cargo
Tec ( )

DIRIGIR COM MENOS DE 5 HORAS DE SONO PODE SER TÃO PERIGOSO QUANTO DIRIGIR BÉBADO

 

Por Leo Caparroz — 12 abr 2023

 

Os perigos de beber e dirigir já são bem conhecidos. Agora, um estudo feito por um grupo de cientistas australianos mostra que, se você tiver dormido mal, também não deveria pegar o volante.

 

Uma pesquisa de 2021 apontou que entre 10% e 20% dos acidentes de trânsito provavelmente eram causados, ao menos em parte, pelo cansaço. Buscando alternativas para diminuir esse número, os pesquisadores australianos avaliaram as evidências científicas de estudos de laboratório e de campo para determinar quantas horas de sono você precisaria para dirigir com segurança.

 

Os novos achados, publicados na revista Nature and Science of Sleep este ano, mostram que dormir por menos de 4 ou 5 horas nas 24 horas anteriores praticamente dobra o risco de um acidente. O risco é o mesmo observado em motoristas com 0,05% de álcool no sangue.

 

Diferente de um happy hour depois do serviço, as pessoas não costumam escolher dormir menos. Pessoas com distúrbios no sono, pais de recém-nascidos e trabalhadores de turnos noturnos podem, às vezes, não conseguir dormir a quantidade necessária por dia. Seria difícil controlar o nível de sono dos motoristas. Não existe um “teste de bafômetro” que avalie a fadiga na beira da estrada, o quanto você dormiu ou quão debilitado está.

 

Alguns regulamentos já levam em conta o cansaço no trânsito. No estado americano de Nova Jersey, uma lei determina que motoristas são legalmente prejudicados se, nas últimas 24 horas, não tiverem dormido nada. Não é o ideal, mas é alguma coisa.

 

No Brasil, não há uma especificação sobre o sono; mas, segundo o art. 169 do CTB, dirigir sem atenção ou cuidados indispensáveis à segurança caracteriza uma infração leve e, para o art. 166, entregar a direção do veículo a alguém que não esteja em estado físico ou psíquico de conduzir é infração gravíssima.

 

Já que a legislação não dá conta de regular esse tema, é útil seguir alguns conselhos práticos para decidir se você está ou não cansado demais para dirigir. Se você boceja com frequência, dá umas piscadas mais longas, está com a visão embaçada, tem dificuldade de manter a cabeça erguida e a velocidade estável, e faz desvios na pista, talvez seja melhor passar o volante. E se você dormiu por menos de cinco horas, talvez seja melhor nem arriscar.

Adaptado de: https://super.abril.com.br/ciencia/dirigir-com-menosde- 5-horas-de-sono-pode-ser-tao-perigoso-quanto-dirigir-bebado/. Acesso em: 15 abr. 20283.

Em “Já que a legislação não dá conta de regular esse tema, é útil seguir alguns conselhos práticos [...]”, a expressão destacada sinaliza qual relação sintático-semântica estabelecida no excerto?

  1. AConclusão.
  2. BAdição.
  3. COposição.
  4. DTempo.
  5. ECausa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Causa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação sintático-semântica de "Já que"

Gabarito: letra E. A expressão "Já que" estabelece relação de causa entre as orações: a impossibilidade de a legislação regular o tema é o motivo que torna útil seguir conselhos práticos. Como se lê no trecho: "Já que a legislação não dá conta de regular esse tema, é útil seguir alguns conselhos práticos" — a primeira oração apresenta a razão, e a segunda, a consequência.

O comando

A questão pede para identificar a relação sintático-semântica estabelecida pela locução conjuntiva "Já que" no excerto. Isso significa que devemos analisar o valor lógico que o conectivo imprime entre as orações, e não apenas sua classificação morfológica. O comando "sinaliza qual relação" aponta para a semântica do conectivo no contexto — a banca quer saber se a relação é de causa, conclusão, adição, oposição ou tempo.

O texto

O trecho analisado está no último parágrafo do texto, que trata dos conselhos práticos para decidir se alguém está cansado demais para dirigir. O autor argumenta que, como a legislação não consegue regular o tema do sono ao volante, é útil seguir recomendações práticas. A relação entre as duas ideias é clara: a falha da legislação (causa) leva à necessidade de conselhos práticos (consequência).

A técnica

A locução "Já que" é uma locução conjuntiva causal, equivalente a "porque", "visto que", "uma vez que". Ela introduz uma oração subordinada adverbial causal, que expressa a causa do fato expresso na oração principal. Para confirmar, basta substituir: "Porque a legislação não dá conta de regular esse tema, é útil seguir alguns conselhos práticos" — o sentido permanece idêntico. A relação de causa é a única que se sustenta no contexto, pois a primeira oração responde à pergunta "por quê?" da segunda.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "causa" e "conclusão". Em "Já que...", a oração introduzida é a causa; a conclusão estaria em conectivos como "portanto", "logo", "por isso" — que apareceriam na oração que expressa o resultado, não na que expressa o motivo.

Conectivos coordenativos
  • 1Conclusão
    • portanto, logo, por isso
  • 2Adição
    • e, nem, além disso
  • 3Oposição
    • mas, porém, contudo
  • 4Conectivos subordinativos
    • Causa
      • porque, visto que, já que
    • Tempo
      • quando, enquanto, assim que
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A relação de conclusão seria marcada por conectivos como "portanto", "logo", "por conseguinte", "assim". No trecho, "Já que" não conclui nada; ela introduz a razão que justifica a oração seguinte. A conclusão está implícita na segunda oração ("é útil seguir conselhos práticos"), mas o conectivo em destaque marca a causa, não a conclusão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A relação de adição seria marcada por "e", "nem", "mas também", "além disso". "Já que" não soma ideias; ela estabelece uma relação de subordinação entre as orações, em que uma depende da outra para fazer sentido. A adição ligaria orações independentes, o que não ocorre aqui.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A relação de oposição seria marcada por "mas", "porém", "contudo", "entretanto". "Já que" não expressa contraste ou quebra de expectativa; ao contrário, ela expressa uma relação de consequência lógica — a segunda oração é uma decorrência natural da primeira.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A relação de tempo seria marcada por "quando", "enquanto", "logo que", "assim que". "Já que" não indica circunstância temporal; ela indica causa. A substituição por um conectivo temporal ("Quando a legislação não dá conta...") alteraria o sentido, pois transformaria a relação de causa em uma relação de tempo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A relação de causa é a correta. "Já que" é uma locução conjuntiva causal, equivalente a "porque", "visto que", "uma vez que". No trecho, a oração "a legislação não dá conta de regular esse tema" é a causa que torna útil seguir conselhos práticos. A substituição por "porque" mantém o sentido: "Porque a legislação não dá conta de regular esse tema, é útil seguir alguns conselhos práticos".

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a relação de um conectivo, substitua-o por outro de valor conhecido. Se "Já que" pode ser trocado por "porque" sem alterar o sentido, a relação é de causa.

Gabarito: letra E — "Já que" estabelece relação de causa, pois introduz a razão que justifica a oração principal.

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