Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2023

PortuguêsConjunção
Código
qa503548
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref BVB
Ano
2023
Cargo
Professor ( )
Conforme preconiza Cegalla (2008), conjunção é uma palavra invariável utilizada para ligar orações ou palavras de uma mesma oração. Tendo esse tema em vista, assinale a alternativa correta.
  1. AAs conjunções coordenativas ligam duas orações, subordinando uma à outra.
  2. BNa frase “Não deixe a vela acesa, que pode causar um incêndio”, a conjunção “que” é classificada como uma conjunção concessiva.
  3. CA conjunção “e”, embora seja comumente classificada como conjunção coordenativa aditiva, também pode apresentar-se com sentido adversativo.
  4. DA locução subordinativa proporcional “à medida que” também pode ser empregada como “à medida em que”, “na medida que” e “na medida em que”.
  5. EMuitas conjunções apresentam classificações diferentes, devendo ser considerado o sentido que expressam no contexto. É o caso da conjunção “que”, a qual pode ter sentido adversativo e conclusivo, por exemplo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — A conjunção “e”, embora seja comumente classificada como conjunção coordenativa aditiva, também pode apresentar-se com sentido adversativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunções: o valor semântico da "e" e as locuções proporcionais — Gabarito: letra C.

A questão pede a alternativa correta sobre conjunções, e a resposta é a letra C: a conjunção "e", embora seja tipicamente aditiva, pode assumir valor adversativo (= mas) quando liga orações de sentido oposto. Isso é confirmado pela gramática normativa e pelo próprio texto de apoio, que lista a conjunção "e" entre as adversativas em certos contextos. As demais alternativas contêm erros de classificação ou de uso das locuções conjuntivas.

O comando e o que ele exige

O enunciado pede a alternativa correta sobre conjunções, com base na definição de Cegalla. Isso significa que devemos testar cada afirmação contra a classificação gramatical e o valor semântico que as conjunções assumem no contexto. Não se trata de interpretar um texto, mas de aplicar conhecimento conceitual sobre a classe das conjunções.

O que a questão realmente cobra

A banca explora dois pontos clássicos:

  1. A polissemia da conjunção "e": embora seja a rainha das aditivas, ela pode expressar oposição (adversativa) quando liga orações que contrastam entre si. Exemplo clássico: "Falou muito, e não disse nada" — aqui o "e" equivale a "mas".

  2. A distinção entre locuções proporcionais e causais: "à medida que" é proporcional (ideia de proporção/simultaneidade), enquanto "na medida em que" é causal (ideia de causa). A alternativa D tenta confundir essas duas locuções, afirmando que são equivalentes — o que é falso.

A técnica para resolver

Para cada alternativa, pergunte: "O que a gramática diz sobre essa conjunção/locução?" e "O sentido no contexto confirma?". A alternativa correta é a única que está inteiramente de acordo com a norma culta e com o uso real.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"As conjunções coordenativas ligam duas orações, subordinando uma à outra."

Erro: contradiz o texto. As conjunções coordenativas ligam orações sintaticamente independentes — não há subordinação. O próprio texto de apoio afirma: "As conjunções coordenativas introduzem orações coordenadas, isto é, sintaticamente independentes uma da outra." Quem subordina são as subordinativas. A alternativa inverte o conceito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Na frase 'Não deixe a vela acesa, que pode causar um incêndio', a conjunção 'que' é classificada como uma conjunção concessiva."

Erro: troca de conceito. Na frase, o "que" introduz uma explicação/justificativa — equivale a "porque". Portanto, é uma conjunção explicativa (coordenativa), não concessiva. As concessivas são "embora", "ainda que", "mesmo que", que expressam oposição com quebra de expectativa. Aqui, o "que" apenas explica o motivo de não deixar a vela acesa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A conjunção 'e', embora seja comumente classificada como conjunção coordenativa aditiva, também pode apresentar-se com sentido adversativo."

Correta. A conjunção "e" é, por excelência, aditiva (soma ideias), mas, em contextos de oposição, pode equivaler a "mas". Exemplo: "Estudou muito, e não passou" — o "e" expressa contraste. O texto de apoio confirma: na lista de adversativas, aparece a conjunção "e" (orações opostas). Portanto, a afirmação está perfeitamente alinhada com a gramática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A locução subordinativa proporcional 'à medida que' também pode ser empregada como 'à medida em que', 'na medida que' e 'na medida em que'."

Erro: generalização indevida. A locução "à medida que" é proporcional e não admite as variantes "à medida em que" ou "na medida que" (estas são consideradas erradas na norma culta). Já "na medida em que" é uma locução causal — não é sinônima da proporcional. O texto de apoio alerta: "Cuidado! Na medida em que ≠ à medida que (proporção)". Portanto, a alternativa mistura locuções de valores diferentes e ainda sugere formas incorretas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Muitas conjunções apresentam classificações diferentes, devendo ser considerado o sentido que expressam no contexto. É o caso da conjunção 'que', a qual pode ter sentido adversativo e conclusivo, por exemplo."

Erro: troca de conceito. A primeira parte é verdadeira — conjunções mudam de classificação conforme o contexto. Porém, a conjunção "que" não tem sentido adversativo nem conclusivo. Ela pode ser: integrante, explicativa, causal, consecutiva, comparativa, concessiva (em "que seja"), mas nunca adversativa ou conclusiva. As adversativas são "mas", "porém", etc.; as conclusivas são "logo", "portanto", etc. A alternativa atribui ao "que" valores que ele não possui.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura locuções parecidas ("à medida que" × "na medida em que") e atribui ao "que" classificações que não lhe cabem. Fique atento: "à medida que" é proporcional; "na medida em que" é causal — não são intercambiáveis.

PEGA ESSA DICA!

Decore as conjunções por valor semântico (adição, oposição, causa, consequência, proporção, etc.) e teste sempre a substituição no contexto. Se o "e" puder ser trocado por "mas", é adversativa; se o "que" puder ser trocado por "porque", é explicativa/causal.

Conclusão: a única alternativa inteiramente correta é a C, pois reconhece a polissemia da conjunção "e" — fato gramatical comprovado. As demais ou contradizem a definição de coordenadas (A), ou classificam errado o "que" (B e E), ou generalizam indevidamente as locuções (D).

Gabarito: letra C.

Link permanente: /questoes/qa503548