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Questão de Português — Pronomes Pessoais — FUNDATEC 2023

PortuguêsPronomes Pessoais
Código
qa503549
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Casca
Ano
2023
Cargo
Ag ( )

A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

 

Os testes de QI

 

Por Bruno Garattoni e Eduardo Szklarz

 

O primeiro teste de QI (quociente de inteligência) foi elaborado em 1905 pelos psicólogos franceses Alfred Binet e Théodore Simon para identificar crianças com algum tipo de deficiência mental. Em 1916, o americano Lewis Terman, da Universidade Stanford, aperfeiçoou o exame, que acabou sendo adaptado e usado pelos EUA, na 1ª Guerra Mundial, para avaliar os soldados.

 

Mas o questionário tinha vários problemas – a começar pelo fato de que ele havia sido desenvolvido para aferir deficiência mental em crianças. Inconformado com isso, o psicólogo romeno-americano David Wechsler resolveu começar do zero.

 

E, em 1955, publicou o WAIS: Wechsler Adult Intelligence Scale, exame que                 o teste de QI mais aceito entre psicólogos, psiquiatras e demais pesquisadores da cognição humana (só neste ano, foi utilizado ou citado em mais de 900 estudos sobre o tema).

 

Ele leva em média 1h30, e deve ser aplicado por um psiquiatra ou psicólogo. Consiste numa bateria de perguntas e testes que avaliam 15 tipos de capacidade intelectual, divididos em quatro eixos: compreensão verbal, raciocínio, memória e velocidade de processamento.

 

Isso inclui testes de linguagem (o psicólogo diz, por exemplo: “defina a palavra abstrato”, e aí avalia a rapidez e a complexidade da sua resposta), conhecimentos gerais, aritmética, reconhecimento de padrões (você vê uma sequência de símbolos, tem de entender a relação entre eles e indicar o próximo), memorização avançada, visualização espacial – reproduzir formas 3D usando blocos de madeira – e outros exercícios.

 

O grau de dificuldade do exame é cuidadosamente calibrado para que a média das pessoas marque de 90 a 110 pontos. Esse é o nível que significa inteligência normal, média. Se você fizer mais de 130 pontos, é enquadrado na categoria mais alta, de inteligência “muito superior” (a pontuação máxima é 160).

 

Mas é preciso encarar esses números em sua devida perspectiva. O teste de QI não diz se uma pessoa vai ter sucesso na vida, nem determina seu valor como indivíduo. Não diz se você é sensato, arguto ou criativo, entre outras dezenas de habilidades intelectuais que um ser humano pode ter.

 

O que ele faz é medir a cognição básica, ou seja, a sua capacidade de executar operações mentais elementares, que formam a base de todas as outras. É um mínimo denominador comum. E, por isso mesmo, pode ajudar a enxergar a evolução (ou involução) da inteligência.

 

Ao longo do século 20, o QI aumentou consistentemente no mundo todo – foram três pontos a mais por década, em média. É o chamado “efeito Flynn”, em alusão ao psicólogo americano James Flynn, que o identificou e documentou. Não é difícil entender essa evolução. Melhore a saúde, a nutrição e a educação das pessoas, e elas naturalmente se sairão melhor em qualquer teste de inteligência.

 

O QI da população japonesa, por exemplo, chegou a crescer 7,7 pontos por década após a 2ª Guerra Mundial; uma consequência direta da melhora nas condições de vida por lá.

 

(Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/a-era-da-burrice/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna tracejada do texto.

  1. ATornou-se.
  2. BSe tornou.
  3. CTornou-lhe.
  4. DLhe tornou.
  5. ESi tornou.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Se tornou.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pronomes pessoais oblíquos: o caso do verbo pronominal "tornar-se"

Gabarito: letra B. A lacuna do texto deve ser preenchida por "Se tornou", pois o verbo "tornar" no sentido de "transformar-se, passar a ser" é pronominal, exigindo o pronome oblíquo átono "se" para formar a voz reflexiva. A passagem que ancora a resposta é: "publicou o WAIS: Wechsler Adult Intelligence Scale, exame que se tornou o teste de QI mais aceito entre psicólogos". As demais alternativas falham por usar pronome inadequado ("lhe", "si") ou por omitir o pronome obrigatório ("tornou-se").

O comando pede que você preencha a lacuna com a forma correta do verbo, o que exige conhecimento de regência e de verbos pronominais. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a norma culta ao contexto. A lacuna está na oração adjetiva "exame que __ o teste de QI mais aceito", e o sentido é claro: o exame passou a ser o mais aceito. Para expressar essa mudança de estado, o verbo "tornar" é usado como pronominal: "tornar-se".

O texto narra a evolução dos testes de QI, e o trecho em questão apresenta o WAIS como o exame que se tornou o padrão. A escolha da alternativa correta depende de duas regras: (1) o verbo "tornar" no sentido de "transformar-se" é pronominal, ou seja, exige o pronome "se"; (2) o pronome "se" é um oblíquo átono reflexivo, que se refere ao sujeito "exame". A forma "tornou-se" (com ênclise) também seria correta, mas a banca optou pela próclise "se tornou", igualmente válida, pois não há palavra atrativa que a proíba.

A armadilha central está em confundir o pronome "se" (reflexivo, parte do verbo pronominal) com o pronome "lhe" (objeto indireto). O "lhe" só substitui complementos com preposição (ex.: "dei-lhe um livro" = dei a ele um livro). No caso de "tornar-se", não há objeto indireto; o "se" é parte integrante do verbo. Já o "si" é um oblíquo tônico, sempre preposicionado (ex.: "pensou em si"), e não pode ser usado como átono. A alternativa A, "Tornou-se", embora gramaticalmente correta, não é a que preenche a lacuna, pois a banca pede a forma com próclise, que é a que aparece no texto original.

PEGA ESSA DICA!

Ao preencher lacunas com verbos, identifique primeiro se o verbo é pronominal (ex.: tornar-se, arrepender-se, queixar-se). Se for, o pronome "se" é obrigatório. Depois, verifique se a forma pedida é próclise (antes do verbo) ou ênclise (depois).

Verbo "tornar" (transformar-se)
  • 1É pronominal
    • Exige o pronome "se"
    • "Se tornou" (próclise)
    • "Tornou-se" (ênclise)
  • 2Pronomes inadequados
    • "lhe" (objeto indireto)
    • "si" (oblíquo tônico, exige preposição)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Tornou-se" é gramaticalmente correto, mas não preenche a lacuna como pede a questão. A banca quer a forma com próclise "se tornou", que é a que aparece no texto original. A alternativa A comete o erro de não corresponder à forma solicitada, embora seja uma construção válida em outros contextos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Se tornou" é a forma correta. O verbo "tornar" no sentido de "transformar-se" é pronominal, exigindo o pronome "se". A próclise é adequada, pois não há palavra atrativa que a proíba. A passagem "exame que se tornou o teste de QI mais aceito" confirma o uso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Tornou-lhe" está errada porque o pronome "lhe" é objeto indireto (substitui complemento com preposição), mas o verbo "tornar-se" não pede objeto indireto. O "lhe" não pode ser usado como parte de verbo pronominal. A alternativa troca o pronome reflexivo "se" pelo oblíquo "lhe", o que quebra a regência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Lhe tornou" comete o mesmo erro da anterior: usa "lhe" como se fosse parte do verbo. Além disso, a posição do pronome antes do verbo não corrige o problema de regência. O "lhe" é inadequado para verbos pronominais.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Si tornou" está errada porque "si" é um pronome oblíquo tônico, que exige preposição (ex.: "pensou em si"). Não pode ser usado como átono junto ao verbo. A forma correta é "se tornou", com o átono "se".

Gabarito: letra B. A questão testa o conhecimento de verbos pronominais e a distinção entre os pronomes oblíquos "se", "lhe" e "si". Lembre-se: "tornar-se" é pronominal, "lhe" é objeto indireto, e "si" é tônico preposicionado.

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