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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — FUNDATEC 2023

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
qa503587
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Casca
Ano
2023
Cargo
Ana Inf ( )

A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

 

A era da burrice

 

Por Bruno Garattoni e Eduardo Szklarz

 

Discussões inúteis, intermináveis, agressivas. Gente defendendo as maiores asneiras, e se orgulhando disso. Pessoas perseguindo e ameaçando as outras. Um tsunami infinito de informações falsas. Reuniões, projetos, esforços que dão em nada. Decisões erradas. Líderes políticos imbecis. De uns tempos para cá, parece que o mundo está mergulhando na burrice. Você já teve essa sensação? Talvez não seja só uma sensação. Estudos realizados com dezenas de milhares de pessoas, em vários países, revelam algo inédito e assustador: aparentemente, a inteligência humana começou a cair.

 

Os primeiros sinais vieram da Dinamarca. Lá, todos os homens que se alistam no serviço militar são obrigados a se submeter a um teste de inteligência: o famoso, e ao mesmo tempo misterioso, teste de QI. Os dados revelaram que, depois de crescer sem parar durante todo o século 20, o quociente de inteligência dos dinamarqueses virou o fio, e em 1998 iniciou uma queda contínua: está descendo 2,7 pontos a cada década.

 

A mesma coisa acontece na Holanda (onde tem sido observada uma queda de 1,35 ponto por década), na Inglaterra (2,5 a 3,4 pontos de QI a menos por década, dependendo da faixa etária analisada), e na França (3,8 pontos perdidos por década). Noruega, Suécia e Finlândia – bem como Alemanha e Portugal, onde foram realizados estudos menores – detectaram efeito similar.

 

“Há um declínio contínuo na pontuação de QI ao longo do tempo. E é um fenômeno real, não um simples desvio”, diz o antropólogo inglês Edward Dutton, autor de uma revisão analítica das principais pesquisas já feitas a respeito.

 

A regressão pode parecer lenta; mas, sob perspectiva histórica, definitivamente não é. No atual ritmo de queda, alguns países poderiam regredir para QI médio de 80 pontos, patamar definido como “baixa inteligência”, já na próxima geração de adultos.

 

Não há dados a respeito no Brasil, mas nossos indicadores são terríveis. Um estudo realizado este ano pelo Ibope Inteligência, com 2 mil pessoas, revelou que 29% da população adulta é analfabeta funcional, ou seja, não consegue ler sequer um cartaz ou um bilhete. E o número de analfabetos absolutos, que não conseguem ler nada, cresceu de 4% para 8% nos últimos três anos (no limite da margem de erro da pesquisa, 4%).

 

Nos países desenvolvidos, o QI da população tem caído até 3,8 pontos por década. No caso brasileiro, a piora pode ser atribuída à queda nos investimentos em educação, que já são baixos (o país gasta US$ 3.800 anuais com cada aluno do ensino básico, menos da metade da média das nações da OCDE) e têm caído nos últimos anos.

 

Mas como explicar a aparente proliferação de burrice mesmo entre quem foi à escola? E a queda do QI nos países desenvolvidos? O primeiro passo é entender a base da questão: o que é, e como se mede, inteligência.

 

(Disponível em: https://super.abril.com.br/especiais/a-era-da-burrice/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica quantas outras alterações deveriam obrigatoriamente serem feitas caso substituíssemos a palavra “investimentos” por sua forma singular no trecho a seguir:   “No caso brasileiro, a piora pode ser atribuída à queda nos investimentos em educação, que já são baixos (o país gasta US$ 3.800 anuais com cada aluno do ensino básico, menos da metade da média das nações da OCDE) e têm caído nos últimos anos”.
  1. A1.
  2. B2.
  3. C3.
  4. D4.
  5. E5.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — 4.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Resolução

Gabarito: letra D — a conta chega a 4 alterações obrigatórias: 'são' → 'é', 'baixos' → 'baixo', 'têm' → 'tem' — alternativa D.

A ideia por trás

Concordância é a regra que faz as palavras de uma frase combinarem entre si: o verbo se ajusta ao sujeito e o adjetivo se ajusta ao substantivo a que se refere. Quando um substantivo muda de número (plural para singular), todos os termos que dependem dele — verbos, adjetivos, pronomes — precisam se ajustar para manter a frase correta.

A concordância verbal exige que o verbo concorde em número e pessoa com o sujeito; a concordância nominal exige que o adjetivo, o pronome e o artigo concordem em gênero e número com o substantivo. No trecho, o núcleo 'investimentos' comanda vários termos: o pronome relativo 'que' (que retoma o núcleo), o verbo 'são', o adjetivo 'baixos' e o verbo 'têm'. Cada um desses termos, ao mudar o núcleo para o singular, precisa ser flexionado de acordo.

Esta questão cobra a aplicação prática da concordância: identificar todos os termos que dependem do substantivo alterado. O erro comum é contar apenas os verbos e esquecer o adjetivo, ou contar o pronome relativo 'que', que é invariável.

O que a questão dá

  • trecho: 'a piora pode ser atribuída à queda nos investimentos em educação, que já são baixos (o país gasta US$ 3.800 anuais com cada aluno do ensino básico, menos da metade da média das nações da OCDE) e têm caído nos últimos anos'

  • palavra a substituir: 'investimentos' por 'investimento'

O que queremos: quantas outras alterações de concordância são obrigatórias no trecho após a substituição

Passo 1 — Ajustar o verbo 'são' para o singular

O verbo 'são' concorda com o sujeito 'que' (que representa 'investimentos'). Com o núcleo no singular, o verbo deve ir para a terceira pessoa do singular: 'é'.

sa~oeˊ\boxed{\text{s}ã\text{o} → é}
NÃO CAIA NESSA!

Manter 'são' no plural — a concordância verbal exige o singular.

Passo 2 — Ajustar o adjetivo 'baixos' para o singular

O adjetivo 'baixos' qualifica 'investimentos' (via 'que'). No singular, deve concordar em número: 'baixo'.

baixosbaixo\boxed{\text{baixos} → \text{baixo}}
NÃO CAIA NESSA!

Esquecer o adjetivo — é uma alteração nominal obrigatória.

Passo 3 — Ajustar o verbo 'têm' para o singular

O verbo 'têm' também concorda com 'que' (investimentos). No singular, vira 'tem'.

te^mtem\boxed{\text{t}ê\text{m} → \text{tem}}
NÃO CAIA NESSA!

Confundir 'têm' (plural) com 'tem' (singular) — a diferença é o acento.

Passo 4 — Descartar o pronome relativo 'que'

O pronome relativo 'que' retoma 'investimentos', mas é uma palavra invariável: não muda de forma nem para singular nem para plural. Portanto, ele não conta como alteração obrigatória.

quepermaneceque\boxed{\text{que} \text{permanece} '\text{que}'}
NÃO CAIA NESSA!

Contar o 'que' como uma alteração — ele é invariável.

Resposta: 4 alterações obrigatórias: 'são' → 'é', 'baixos' → 'baixo', 'têm' → 'tem' — alternativa D

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