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Questão de Português — Conjunção — Quadrix 2023

PortuguêsConjunção
Código
qa503719
Banca
Quadrix
Órgão
CRM TO
Ano
2023
Cargo
Adm ( )

Em um experimento pioneiro, cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos da América (EUA) criaram, em laboratório, modelos de embriões humanos sintéticos a partir de células‑tronco. A estrutura se parece com as primeiras etapas de desenvolvimento humano, mas não é como um embrião natural — não foi criada com espermatozoides e óvulos. O resultado do trabalho, apresentado na reunião anual da Sociedade Internacional para Pesquisa de Células‑Tronco, em junho de 2023, nos EUA, poderá ajudar a aprofundar entendimentos sobre doenças genéticas e causas biológicas de abortos espontâneos, segundo os autores, mas suscita debates sobre limites éticos na saúde.

 

“Eles são modelos de embriões muito parecidos com embriões humanos, um caminho muito importante para descobrir por que tantas gestações falham, já que a maioria desses problemas ocorre na época do desenvolvimento em que se constroem essas estruturas”, afirmou Magdalena Zernicka‑Goetz, professora da Universidade de Cambridge e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, durante a apresentação do estudo, que ainda não foi revisado por pares.

 

Salmo Raskin, especialista em pediatria e genética e diretor do Laboratório Genetika, em Curitiba, afirma que o aperfeiçoamento conquistado pelo grupo de cientistas é indiscutível, pois, há até pouco tempo, pesquisadores esbarravam em enormes dificuldades técnicas na hora de transformar células‑tronco em tecidos extraembrionários.

 

Ainda de acordo com o especialista, o trabalho é pioneiro, porém, também desperta dúvidas sobre os limites éticos em experimentos desse tipo. As diretrizes da Sociedade Internacional para Pesquisa de Células‑Tronco sobre o tema afirmam que “a pesquisa científica em e com embriões humanos e linhagens de células‑tronco embrionárias em cultura é vista como eticamente permissível em muitos países quando realizada sob rigorosa supervisão científica e ética”.

 

Em comunicado sobre o estudo, Kathryn MacKay, professora de ética na saúde da Universidade de Sydney, na Austrália, também cita a questão e aponta que é preciso entender se o modelo criado em laboratório poderia continuar a se desenvolver. “Há uma questão moral envolvida na criação de algo para pesquisa que pode ou não ter o potencial de viver como a própria entidade completa. Se eles puderem viver como as próprias entidades plenas, então devemos perguntar se é moralmente permissível criar seres vivos apenas para fins de pesquisa”, defende.

 

Álvaro Pigatto Ceschin, presidente da Associação Brasileira de Reprodução Assistida, sublinha que o cuidado é essencial em estudos que lidam com a vida humana: “A questão ética, ao se lidar com embriões, especialmente embriões da espécie humana, deve ser levada em consideração sempre com muita cautela, com muita atenção, porque o limiar ético entre aquilo que é novo e aquilo que é possível ser feito deve sempre ser respeitado”.

 

Internet: <em.com.br> (com adaptações).

Texto     Em relação aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item   A oração “por que tantas gestações falham” expressa uma circunstância de causa em relação à oração anterior.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Oração subordinada adverbial: valor de causa ou finalidade?

Gabarito: E (Errado). A oração “por que tantas gestações falham” não expressa circunstância de causa em relação à oração anterior; ela expressa finalidade (equivale a “para que tantas gestações falham”). A pista está no próprio texto: a professora afirma que os modelos são “um caminho muito importante para descobrir por que tantas gestações falham”, ou seja, a oração indica o objetivo da descoberta, não a causa dela.

“Eles são modelos de embriões muito parecidos com embriões humanos, um caminho muito importante para descobrir por que tantas gestações falham, já que a maioria desses problemas ocorre na época do desenvolvimento em que se constroem essas estruturas”

A banca tenta confundir o candidato com o uso de “por que”, que normalmente introduz causa ou explicação. Mas, no contexto, a locução “por que” equivale a “para que” (finalidade), pois o trecho responde à pergunta: para que descobrir? Para entender por que as gestações falham. A relação de causa, se houvesse, estaria marcada por “já que”, que aparece logo em seguida.

Análise sintática do trecho

  • Oração anterior: “um caminho muito importante para descobrir” — o verbo “descobrir” pede um complemento (objeto direto), que é a oração seguinte.

  • Oração subordinada: “por que tantas gestações falham” — funciona como objeto direto do verbo “descobrir”, e não como adjunto adverbial de causa.

  • Valor semântico: a oração indica a finalidade da descoberta: descobrir para que (ou por que) as gestações falham. Em outras palavras, o objetivo é entender a causa das falhas, mas a oração em si não expressa a causa; ela expressa o propósito.

Por que a alternativa está errada

A afirmativa diz que a oração expressa “circunstância de causa”. Isso só seria verdade se a oração respondesse à pergunta “por que motivo?” em relação ao fato anterior. Mas o trecho responde à pergunta “para quê?” — qual é a finalidade de os modelos serem importantes. A causa real está expressa pela conjunção “já que”, que introduz uma oração causal: “já que a maioria desses problemas ocorre na época do desenvolvimento...”.

Tabela comparativa: causa × finalidade

Critério

Causa

Finalidade

Pergunta que responde

Por que motivo?

Para quê?

Conectivo típico

porque, já que, como

para que, a fim de que

No trecho

“já que a maioria...”

“por que tantas gestações falham”

Conclusão

A oração “por que tantas gestações falham” é uma subordinada substantiva objetiva direta (complemento de “descobrir”) e tem valor de finalidade, não de causa. Portanto, o item está errado.

Gabarito: E (Errado).

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