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Questão de Português — Conjunção — Quadrix 2023

PortuguêsConjunção
Código
qa503722
Banca
Quadrix
Órgão
CRM TO
Ano
2023
Cargo
Adm ( )

Em um experimento pioneiro, cientistas do Reino Unido e dos Estados Unidos da América (EUA) criaram, em laboratório, modelos de embriões humanos sintéticos a partir de células‑tronco. A estrutura se parece com as primeiras etapas de desenvolvimento humano, mas não é como um embrião natural — não foi criada com espermatozoides e óvulos. O resultado do trabalho, apresentado na reunião anual da Sociedade Internacional para Pesquisa de Células‑Tronco, em junho de 2023, nos EUA, poderá ajudar a aprofundar entendimentos sobre doenças genéticas e causas biológicas de abortos espontâneos, segundo os autores, mas suscita debates sobre limites éticos na saúde.

 

“Eles são modelos de embriões muito parecidos com embriões humanos, um caminho muito importante para descobrir por que tantas gestações falham, já que a maioria desses problemas ocorre na época do desenvolvimento em que se constroem essas estruturas”, afirmou Magdalena Zernicka‑Goetz, professora da Universidade de Cambridge e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, durante a apresentação do estudo, que ainda não foi revisado por pares.

 

Salmo Raskin, especialista em pediatria e genética e diretor do Laboratório Genetika, em Curitiba, afirma que o aperfeiçoamento conquistado pelo grupo de cientistas é indiscutível, pois, há até pouco tempo, pesquisadores esbarravam em enormes dificuldades técnicas na hora de transformar células‑tronco em tecidos extraembrionários.

 

Ainda de acordo com o especialista, o trabalho é pioneiro, porém, também desperta dúvidas sobre os limites éticos em experimentos desse tipo. As diretrizes da Sociedade Internacional para Pesquisa de Células‑Tronco sobre o tema afirmam que “a pesquisa científica em e com embriões humanos e linhagens de células‑tronco embrionárias em cultura é vista como eticamente permissível em muitos países quando realizada sob rigorosa supervisão científica e ética”.

 

Em comunicado sobre o estudo, Kathryn MacKay, professora de ética na saúde da Universidade de Sydney, na Austrália, também cita a questão e aponta que é preciso entender se o modelo criado em laboratório poderia continuar a se desenvolver. “Há uma questão moral envolvida na criação de algo para pesquisa que pode ou não ter o potencial de viver como a própria entidade completa. Se eles puderem viver como as próprias entidades plenas, então devemos perguntar se é moralmente permissível criar seres vivos apenas para fins de pesquisa”, defende.

 

Álvaro Pigatto Ceschin, presidente da Associação Brasileira de Reprodução Assistida, sublinha que o cuidado é essencial em estudos que lidam com a vida humana: “A questão ética, ao se lidar com embriões, especialmente embriões da espécie humana, deve ser levada em consideração sempre com muita cautela, com muita atenção, porque o limiar ético entre aquilo que é novo e aquilo que é possível ser feito deve sempre ser respeitado”.

 

Internet: <em.com.br> (com adaptações).

Texto     Em relação aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item   A oração introduzida pelo vocábulo “pois” exprime uma conclusão a respeito do fato expresso anteriormente, o de que “o aperfeiçoamento conquistado pelo grupo de cientistas é indiscutível”
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor semântico do "pois" no texto

Gabarito: E (Errado). A oração introduzida por "pois" não exprime conclusão, mas sim explicação/justificativa do que foi dito antes. No trecho, "pois" equivale a "porque" e introduz a causa que sustenta a afirmação de que o aperfeiçoamento é indiscutível. A passagem que prova isso é:

"Salmo Raskin, especialista em pediatria e genética e diretor do Laboratório Genetika, em Curitiba, afirma que o aperfeiçoamento conquistado pelo grupo de cientistas é indiscutível, pois, há até pouco tempo, pesquisadores esbarravam em enormes dificuldades técnicas na hora de transformar células‑tronco em tecidos extraembrionários."

A dificuldade técnica passada é a razão pela qual o aperfeiçoamento é indiscutível — não uma consequência dele. Portanto, a relação é de causa/justificativa, típica da conjunção explicativa, e não de conclusão.

O comando da questão

A banca pede um julgamento sobre a função sintático-semântica do conectivo "pois" no contexto. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta saber que "pois" pode ser conclusivo; é preciso ver qual valor ele assume naquele trecho específico. O comando "exprime uma conclusão" é uma afirmação a ser testada contra o texto.

A técnica: explicativo × conclusivo

A conjunção "pois" tem dois valores principais:

  • Explicativo (quando vem antes do verbo): equivale a "porque" e introduz uma justificativa para a oração anterior. Ex.: "Ele não veio, pois estava doente." (a doença explica a ausência)

  • Conclusivo (quando vem depois do verbo): equivale a "portanto" e introduz uma consequência do que foi dito. Ex.: "Ele estava doente; não veio, pois." (a doença leva à conclusão da ausência)

No trecho, "pois" aparece antes do verbo ("esbarravam") e introduz a causa da afirmação anterior. A estrutura é: [afirmação] + pois + [justificativa]. Isso é típico de explicativa, não de conclusiva.

A pegadinha da banca

A banca explora a polissemia do "pois". O candidato que decora a lista de conjunções sem analisar o contexto tende a marcar "Certo", pois "pois" também pode ser conclusivo. A armadilha está em não perceber que, no trecho, ele introduz uma justificativa (causa), não uma consequência.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o valor semântico do conectivo: apresenta como conclusão o que é explicação. A dica é sempre substituir o "pois" por "porque" e por "portanto" e ver qual mantém o sentido. Se "porque" funcionar, é explicativa; se "portanto" funcionar, é conclusiva.

Análise da assertiva

1Explicativo (antes do verbo)
Equivale a "porque"
Introduz justificativa/causa
2Conclusivo (depois do verbo)
Equivale a "portanto"
Introduz consequência
3No texto
Antes do verbo ("esbarravam")
Não é conclusão
É explicação/justificativa
"Pois" (valores)
LEVELsoulevel.com.br
"Pois" (valores): Explicativo (antes do verbo) (Equivale a "porque", Introduz justificativa/causa); Conclusivo (depois do verbo) (Equivale a "portanto", Introduz consequência); No texto (Antes do verbo ("esbarravam"), Não é conclusão, É explicação/justificativa)

Assertiva — ❌ Errada ⟵ GABARITO

A assertiva afirma que a oração introduzida por "pois" exprime conclusão a respeito do fato de que "o aperfeiçoamento conquistado pelo grupo de cientistas é indiscutível". Isso está errado.

No texto, a oração "pois, há até pouco tempo, pesquisadores esbarravam em enormes dificuldades técnicas" justifica por que o aperfeiçoamento é indiscutível. A dificuldade técnica passada é a causa da afirmação, não uma consequência dela. A relação é de explicação (equivale a "porque"), não de conclusão (que equivaleria a "portanto").

Conclusão: como a banca pediu o julgamento da assertiva, e ela está errada, o gabarito é E (Errado).

Gabarito: E (Errado)

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