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Questão de Português — Orações Subordinadas Substantivas — Quadrix 2023

PortuguêsOrações Subordinadas Substantivas
Código
qa503745
Banca
Quadrix
Órgão
CRM TO
Ano
2023
Cargo
Ass ( )

Há uma fratura ética em nosso cotidiano que é a acomodação. Isto é, a percepção de que as coisas são como são. Não por serem do melhor modo, mas porque do modo como são não demandam esforço. A postura do “não mexa, é melhor assim” é muito marcante. O que justifica essa condição acomodada? O hábito. E o que é o hábito? É aquilo que, feito de maneira repetitiva, ganha função de norma. Em vez de ser uma possibilidade, se torna um imperativo. O escritor norte‑americano Mark Twain dizia que “hábitos não são coisas que se jogam pela janela, você tem de pegar e empurrar pela escada degrau por degrau”. Isso vale para hábito alimentar, de estudo, de sono, de leitura. Para se desvencilhar de um mau hábito ou para adquirir bons hábitos, é preciso um esforço intenso. Qual é o fundamento do mau hábito? A passividade e o repouso que ele oferece. Fazer do mesmo modo, acreditando que aquele é o único modo de ser feito, me oferece tranquilidade para continuar fazendo do mesmo jeito. Esse nível de repetitividade acalma, mas pode gerar passividade e, portanto, ausência de vitalidade. O teólogo Erasmo de Roterdã (1466‑1536), em sua obra Colóquios, escreveu: “Não há nada de tão absurdo que o hábito não torne aceitável”. Ele chama atenção para o poder do hábito de configurar uma regra. Quando o hábito vira regra, ele perde a natureza de ser um dos modos de fazer para ser uma conduta contínua. A frase “com o tempo você se acostuma” expressa um modo de fazer que se instalou e se tornou regra. Isso está presente em nosso dia a dia. Paga‑se IPVA e paga‑se pedágio. Pagam‑se o INSS e o seguro de saúde privado. Toma‑se algo como normal. Não se deve tomar aquilo que é comum como normal. Isso é comum, não é normal. Normal é estar na norma, e normal seria o contrário. Pela norma, eu não poderia ser bitributado. Ter dois pagamentos para a mesma atividade configura desperdício. Isso seria a norma. Mas nós entendemos que aquilo que seria comum seja entendido como normal. É normal colar, é normal o professor desconsiderar um risco de perturbação do ambiente, é normal a família não participar das reuniões, é normal haver gozação em sala de aula. Isso é comum, não é normal. Ao se tornar um hábito, ele precisa ser impedido; é preciso recusá‑lo.

 

Internet: <mscortella.com.br> (com adaptações).

Texto para o item     Em relação ao texto e a seus aspectos linguísticos e semânticos, julgue o item   Na oração “Mas nós entendemos que aquilo que seria comum seja entendido como normal”, o conectivo “que” introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oração Subordinada Substantiva Subjetiva — Análise Sintática

Gabarito: letra E (Errado). O conectivo "que" em "Mas nós entendemos que aquilo que seria comum seja entendido como normal" não introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva. A oração introduzida por esse "que" exerce a função de objeto direto do verbo "entendemos", pois quem entende, entende algo. A classificação correta é oração subordinada substantiva objetiva direta.

Desenvolvimento

1. O comando: A questão pede um julgamento (Certo/Errado) sobre a classificação sintática de uma oração. Isso é uma questão de gramática metalinguística — não se trata de interpretar o sentido do texto, mas de aplicar a nomenclatura gramatical à estrutura do período. O foco está na função sintática que a oração subordinada exerce em relação à oração principal.

2. O texto: O trecho analisado é "Mas nós entendemos que aquilo que seria comum seja entendido como normal". A oração principal é "nós entendemos" (sujeito: "nós"; verbo transitivo direto: "entendemos"). A oração subordinada é "que aquilo que seria comum seja entendido como normal". O verbo "entender" é transitivo direto — quem entende, entende algo. Esse "algo" é exatamente o conteúdo da oração subordinada, que funciona como o objeto direto do verbo.

3. A técnica/regra que decide: Para classificar uma oração subordinada substantiva, o método mais eficaz é substituí-la por "isso" (ou "isto"). Se a oração puder ser substituída por "isso" e a frase continuar fazendo sentido, ela é substantiva. Em seguida, identifica-se a função sintática que esse "isso" exerce na oração principal.

"Mas nós entendemos que aquilo que seria comum seja entendido como normal" → "Mas nós entendemos isso".

Agora, qual a função de "isso" na oração "nós entendemos isso"? O verbo "entender" pede um complemento sem preposição — logo, "isso" é objeto direto. Portanto, a oração subordinada é objetiva direta.

O que seria uma subjetiva? A oração subordinada substantiva subjetiva exerce a função de sujeito do verbo da oração principal. Isso ocorre quando a oração principal não tem um sujeito próprio, e o sujeito é justamente a oração. Exemplo clássico: "É importante que você estude" — aqui, "que você estude" é o sujeito de "é importante". No trecho do texto, a oração principal "nós entendemos" já tem sujeito ("nós"), então a oração subordinada não pode ser subjetiva.

4. O gancho: A pegadinha da banca está em tentar confundir o candidato com a presença de dois "que" no período. O primeiro "que" (após "entendemos") é a conjunção integrante que introduz a oração substantiva objetiva direta. O segundo "que" (após "aquilo") é um pronome relativo que introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva ("que seria comum"), referindo-se a "aquilo". A banca explora essa ambiguidade para induzir o candidato a classificar erroneamente a oração.

1Subjetiva
Exerce função de sujeito
Principal sem sujeito próprio
Ex.: "É importante que você estude"
2Objetiva direta
Exerce função de objeto direto
Principal com sujeito próprio
Ex.: "Nós entendemos isso"
3Método de classificação
Substituir por "isso"
Identificar função na principal
Orações subordinadas substantivas
LEVELsoulevel.com.br
Orações subordinadas substantivas: Subjetiva (Exerce função de sujeito, Principal sem sujeito próprio, Ex.: "É importante que você estude"); Objetiva direta (Exerce função de objeto direto, Principal com sujeito próprio, Ex.: "Nós entendemos isso"); Método de classificação (Substituir por "isso", Identificar função na principal)

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que o "que" introduz uma oração subordinada substantiva subjetiva está errada. A oração "que aquilo que seria comum seja entendido como normal" exerce a função de objeto direto do verbo "entendemos", pois quem entende, entende algo. A oração principal "nós entendemos" já possui sujeito explícito ("nós"), o que inviabiliza a classificação como subjetiva. O erro é de troca de conceito: a banca confunde a função de objeto direto com a de sujeito.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O item está errado porque a classificação apresentada não corresponde à função sintática real da oração. A oração introduzida pelo "que" é objetiva direta, não subjetiva. A prova está na substituição por "isso": "nós entendemos isso" — "isso" é objeto direto. A banca pediu para julgar a afirmação, e a afirmação é falsa.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar orações subordinadas substantivas, sempre substitua a oração por "isso" e identifique a função que "isso" exerce na oração principal. Se a principal já tem sujeito, a oração não pode ser subjetiva.

Conclusão: A questão testa a capacidade de distinguir os tipos de orações subordinadas substantivas. A oração "que aquilo que seria comum seja entendido como normal" é objetiva direta, pois completa o sentido do verbo transitivo direto "entendemos". A afirmação do item é falsa.

Gabarito: letra E (Errado).

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