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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — Quadrix 2023

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
qa503747
Banca
Quadrix
Órgão
CRM TO
Ano
2023
Cargo
Ass ( )

Há uma fratura ética em nosso cotidiano que é a acomodação. Isto é, a percepção de que as coisas são como são. Não por serem do melhor modo, mas porque do modo como são não demandam esforço. A postura do “não mexa, é melhor assim” é muito marcante. O que justifica essa condição acomodada? O hábito. E o que é o hábito? É aquilo que, feito de maneira repetitiva, ganha função de norma. Em vez de ser uma possibilidade, se torna um imperativo. O escritor norte‑americano Mark Twain dizia que “hábitos não são coisas que se jogam pela janela, você tem de pegar e empurrar pela escada degrau por degrau”. Isso vale para hábito alimentar, de estudo, de sono, de leitura. Para se desvencilhar de um mau hábito ou para adquirir bons hábitos, é preciso um esforço intenso. Qual é o fundamento do mau hábito? A passividade e o repouso que ele oferece. Fazer do mesmo modo, acreditando que aquele é o único modo de ser feito, me oferece tranquilidade para continuar fazendo do mesmo jeito. Esse nível de repetitividade acalma, mas pode gerar passividade e, portanto, ausência de vitalidade. O teólogo Erasmo de Roterdã (1466‑1536), em sua obra Colóquios, escreveu: “Não há nada de tão absurdo que o hábito não torne aceitável”. Ele chama atenção para o poder do hábito de configurar uma regra. Quando o hábito vira regra, ele perde a natureza de ser um dos modos de fazer para ser uma conduta contínua. A frase “com o tempo você se acostuma” expressa um modo de fazer que se instalou e se tornou regra. Isso está presente em nosso dia a dia. Paga‑se IPVA e paga‑se pedágio. Pagam‑se o INSS e o seguro de saúde privado. Toma‑se algo como normal. Não se deve tomar aquilo que é comum como normal. Isso é comum, não é normal. Normal é estar na norma, e normal seria o contrário. Pela norma, eu não poderia ser bitributado. Ter dois pagamentos para a mesma atividade configura desperdício. Isso seria a norma. Mas nós entendemos que aquilo que seria comum seja entendido como normal. É normal colar, é normal o professor desconsiderar um risco de perturbação do ambiente, é normal a família não participar das reuniões, é normal haver gozação em sala de aula. Isso é comum, não é normal. Ao se tornar um hábito, ele precisa ser impedido; é preciso recusá‑lo.

 

Internet: <mscortella.com.br> (com adaptações).

Texto para o item     Em relação ao texto e a seus aspectos linguísticos e semânticos, julgue o item   A substituição de “paga‑se IPVA e paga‑se pedágio” por “pagam‑se IPVA e pedágio” manteria a correção gramatical do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal com sujeito composto posposto

Gabarito: letra C (Certo). A substituição de “paga‑se IPVA e paga‑se pedágio” por “pagam‑se IPVA e pedágio” mantém a correção gramatical, pois, na voz passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito paciente. No trecho original, há duas orações com sujeitos simples (“IPVA” e “pedágio”); na reescrita, forma-se um sujeito composto posposto (“IPVA e pedágio”), e a concordância no plural é a forma gramaticalmente correta, como se lê no trecho: “Paga‑se IPVA e paga‑se pedágio.”

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento sobre correção gramatical após uma reescritura. Não se trata de interpretação de sentido, mas de aplicar a regra de concordância verbal na voz passiva sintética (com a partícula “se” apassivadora). A tarefa é verificar se a nova redação respeita a norma padrão — e não se o sentido foi preservado (embora também o seja).

O texto e o ponto decisivo

O texto-base discute a acomodação e o hábito, e, em dado momento, exemplifica: “Paga‑se IPVA e paga‑se pedágio. Pagam‑se o INSS e o seguro de saúde privado.” A questão isola a primeira dessas frases e propõe a fusão dos dois sujeitos em um só verbo. O ponto central é identificar a função do “se” e o núcleo do sujeito em cada construção.

A regra que decide

Na voz passiva sintética, o “se” é partícula apassivadora e o verbo concorda com o sujeito paciente (o termo que sofre a ação). Veja:

  • “Paga‑se IPVA” → “IPVA é pago” (sujeito simples: “IPVA”; verbo no singular).

  • “Paga‑se pedágio” → “pedágio é pago” (sujeito simples: “pedágio”; verbo no singular).

  • “Pagam‑se IPVA e pedágio” → “IPVA e pedágio são pagos” (sujeito composto: dois núcleos; verbo no plural).

A reescrita une os dois sujeitos simples em um sujeito composto posposto ao verbo. A regra para sujeito composto posposto admite duas possibilidades: concordância com todos os núcleos (plural) ou com o mais próximo (singular). A forma “pagam‑se” (plural) é, portanto, perfeitamente correta — e é a mais recomendada pela norma culta quando se quer dar ênfase à totalidade dos elementos.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever frases com “se” apassivador, transforme mentalmente para a voz passiva analítica: “pagam‑se IPVA e pedágio” = “IPVA e pedágio são pagos”. Se a versão analítica está correta, a sintética também está.

Análise da alternativa

Voz passiva sintética (se apassivador)
  • 1Verbo concorda com o sujeito paciente
    • Sujeito simples → singular
      • Paga-se IPVA
      • Paga-se pedágio
    • Sujeito composto → plural
      • Pagam-se IPVA e pedágio
  • 2Confirmação: passiva analítica
    • IPVA e pedágio são pagos
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Alternativa C — ✅ Certo ⟵ GABARITO

A afirmação está correta. A substituição mantém a correção gramatical porque:

  1. No original, há duas orações com sujeito simples: “IPVA” e “pedágio”.

  2. Na reescrita, forma-se sujeito composto (“IPVA e pedágio”), posposto ao verbo.

  3. O verbo “pagar”, na voz passiva sintética, concorda com o sujeito paciente: no plural, “pagam‑se”.

A passagem que ancora a análise é o próprio trecho do texto: “Paga‑se IPVA e paga‑se pedágio.” A reescrita proposta é uma fusão legítima, e a concordância no plural é a forma correta — exatamente como o texto já faz em “Pagam‑se o INSS e o seguro de saúde privado”, em que o verbo também vai para o plural com sujeito composto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação de que a substituição não manteria a correção gramatical está errada. Não há qualquer vício de concordância em “pagam‑se IPVA e pedágio”. O erro desta alternativa seria supor que o verbo deveria permanecer no singular por haver dois núcleos — o que contraria a regra da voz passiva sintética com sujeito composto. A banca, aqui, tenta fazer o candidato acreditar que a fusão de dois sujeitos exigiria manutenção do singular, quando o plural é justamente a forma correta e mais formal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre sujeito simples repetido e sujeito composto. No original, cada verbo tem um sujeito; na reescrita, um só verbo passa a ter dois núcleos — e o verbo deve ir para o plural.

Conclusão

A questão cobra a aplicação da regra de concordância verbal na voz passiva sintética. A chave é identificar o sujeito paciente e verificar se ele é simples ou composto. Como “IPVA e pedágio” formam sujeito composto, o verbo “pagam‑se” no plural está correto. Gabarito: letra C (Certo).

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