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Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — Quadrix 2023

PortuguêsSinônimos e Antônimos
Código
qa503752
Banca
Quadrix
Órgão
CRM TO
Ano
2023
Cargo
Ass ( )

Há uma fratura ética em nosso cotidiano que é a acomodação. Isto é, a percepção de que as coisas são como são. Não por serem do melhor modo, mas porque do modo como são não demandam esforço. A postura do “não mexa, é melhor assim” é muito marcante. O que justifica essa condição acomodada? O hábito. E o que é o hábito? É aquilo que, feito de maneira repetitiva, ganha função de norma. Em vez de ser uma possibilidade, se torna um imperativo. O escritor norte‑americano Mark Twain dizia que “hábitos não são coisas que se jogam pela janela, você tem de pegar e empurrar pela escada degrau por degrau”. Isso vale para hábito alimentar, de estudo, de sono, de leitura. Para se desvencilhar de um mau hábito ou para adquirir bons hábitos, é preciso um esforço intenso. Qual é o fundamento do mau hábito? A passividade e o repouso que ele oferece. Fazer do mesmo modo, acreditando que aquele é o único modo de ser feito, me oferece tranquilidade para continuar fazendo do mesmo jeito. Esse nível de repetitividade acalma, mas pode gerar passividade e, portanto, ausência de vitalidade. O teólogo Erasmo de Roterdã (1466‑1536), em sua obra Colóquios, escreveu: “Não há nada de tão absurdo que o hábito não torne aceitável”. Ele chama atenção para o poder do hábito de configurar uma regra. Quando o hábito vira regra, ele perde a natureza de ser um dos modos de fazer para ser uma conduta contínua. A frase “com o tempo você se acostuma” expressa um modo de fazer que se instalou e se tornou regra. Isso está presente em nosso dia a dia. Paga‑se IPVA e paga‑se pedágio. Pagam‑se o INSS e o seguro de saúde privado. Toma‑se algo como normal. Não se deve tomar aquilo que é comum como normal. Isso é comum, não é normal. Normal é estar na norma, e normal seria o contrário. Pela norma, eu não poderia ser bitributado. Ter dois pagamentos para a mesma atividade configura desperdício. Isso seria a norma. Mas nós entendemos que aquilo que seria comum seja entendido como normal. É normal colar, é normal o professor desconsiderar um risco de perturbação do ambiente, é normal a família não participar das reuniões, é normal haver gozação em sala de aula. Isso é comum, não é normal. Ao se tornar um hábito, ele precisa ser impedido; é preciso recusá‑lo.

 

Internet: <mscortella.com.br> (com adaptações).

Texto para o item     Acerca das ideias, dos sentidos e das propriedades linguísticas do texto, julgue o item   Conforme o último parágrafo do texto, comum é o mesmo que normal.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Comum × Normal: oposição de sentido no texto

Gabarito: letra E (Errado). O item afirma que, conforme o último parágrafo, "comum é o mesmo que normal", mas o texto estabelece exatamente o contrário: são conceitos opostos. A passagem decisiva é: "Não se deve tomar aquilo que é comum como normal. Isso é comum, não é normal." — o autor separa os dois termos e nega a equivalência. A banca tenta fazer o candidato confundir sinonímia com antonímia, mas o texto é explícito ao opor os conceitos.

O comando

O enunciado pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação a respeito do texto. Isso é uma questão de compreensão literal (o que o texto diz), não de inferência. A resposta deve ser encontrada diretamente no último parágrafo, sem deduções ou conhecimentos externos. A palavra-chave é "mesmo que" — o item afirma uma equivalência entre "comum" e "normal".

O texto

O autor critica a acomodação e o hábito que transforma o que é frequente em regra. No último parágrafo, ele distingue com clareza:

"Não se deve tomar aquilo que é comum como normal. Isso é comum, não é normal. Normal é estar na norma, e normal seria o contrário."

Aqui, "comum" é o que acontece com frequência (o habitual, o corriqueiro), enquanto "normal" é o que está na norma (o que deveria ser, o correto). O autor usa exemplos: "É normal colar, é normal o professor desconsiderar um risco..." — mas logo corrige: "Isso é comum, não é normal." Ou seja, ele opõe os dois termos, não os iguala.

A técnica que decide

A questão testa a relação semântica entre as palavras no contexto. "Comum" e "normal" podem ser sinônimos em alguns usos cotidianos, mas no texto o autor os trata como antônimos contextuais. A prova está na estrutura adversativa: "Isso é comum, não é normal." A negação "não" estabelece uma oposição direta. Se fossem sinônimos, a frase seria contraditória — não se pode dizer "X é A, não é A".

1Comum
O que acontece com frequência
O habitual, o corriqueiro
2Normal
O que está na norma
O que deveria ser
3Relação no texto
Antônimos contextuais
"Isso é comum, não é normal"
Comum × Normal (no texto)
LEVELsoulevel.com.br
Comum × Normal (no texto): Comum (O que acontece com frequência, O habitual, o corriqueiro); Normal (O que está na norma, O que deveria ser); Relação no texto (Antônimos contextuais, "Isso é comum, não é normal")

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação "comum é o mesmo que normal" contradiz o texto. O autor escreve explicitamente:

"Isso é comum, não é normal."

A palavra "não" inverte o sentido: o que é comum não é normal. O item comete o erro de trocar o conceito — transforma uma relação de oposição em relação de igualdade. A banca explora o fato de que, fora do texto, "comum" e "normal" podem ser usados como sinônimos, mas o contexto os separa.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O item está errado porque o texto não diz que comum é o mesmo que normal; diz o oposto. A passagem "Isso é comum, não é normal" é a prova cabal. O autor reforça: "Normal é estar na norma, e normal seria o contrário." — "o contrário" de quê? Do que é comum. Portanto, a afirmação do item é falsa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na sinonímia cotidiana entre "comum" e "normal" para fazer o candidato ignorar o contexto. No texto, os termos são antônimos contextuais — a negação "não" os separa.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de sinônimos/antônimos, nunca confie no sentido de dicionário isolado. Leia o trecho e veja como as palavras se relacionam: se há "não", "mas", "porém", a relação é de oposição.

Conclusão: o item é ERRADO porque o texto opõe "comum" a "normal", não os iguala. A resposta é a letra E.

Gabarito: letra E

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