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Questão de Português — Questões Mescladas sobre Pronomes — Avança SP 2023

PortuguêsQuestões Mescladas sobre Pronomes
Código
qa503815
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Vinhedo
Ano
2023
Cargo
GCM ( )

O mundo restaurado

 

O pai ganha os presentes que um pai costuma ganhar. Camisas, lenços, uma gravata muito parecida com a que deu para alguém no ano passado, meias. Alguns livros, alguns vinhos. Mas fica de olho nos presentes das crianças. Com o ar condescendente de quem tem um saudável interesse nas atividades dos filhos. Mas louco de inveja.

 

Meu filho. Um Autorama!II)

 

― É, pai.

 

― Vamos armar agora mesmo!

 

― Agora não, pai. Amanhã, a gente arma.

 

― Amanhã, nada. Agora! Arreda essa papelada pra lá. Aqui na sala mesmo tem lugar.

 

A mãe intervém.

 

― Você está louco? Armar esse negócio no meio da sala, no meio da festa?! E as crianças precisam ir dormir. Foi excitação demais para um dia só.

 

O pai fica olhando com ressentimento o Autorama que desaparece da sala embaixo do braço do guri. Pensa, vagamente, em seguir o filho e propor uma barganha. “Escuta, a mãe não está nos ouvindo. Eu te dou todos os meus lenços e tu deixa eu armar o Autorama aqui no teu quarto, com a porta fechada.” Mas não. Os convidados, o que pensariam dele? Na certa que estaria bêbado, como no ano passado. Ele examina o livro que ganhou do cunhado. O Mundo Restaurado, de Henry Kissinger. O cunhado, inexplicavelmente, lhe atribui um grave interesse nos problemas contemporâneos. Vive lhe mandando recortes de jornal com trechos sublinhadosIII e pontos de exclamação na margem. Às vezes, telefona, com recados cifrados.

 

― Lembra aquela nossa conversa?

 

― Qual?

 

― Veja na terceira página do Correio de hoje. Um pequeno tópico no canto inferior direito. É a prova de tudo aquilo que nós discutíamos no outro dia, lembra?

 

― Não.

 

― A crise é irreversível, meu filho. Um abração.

 

Ele só ganha presente de homem sério. De homem preocupado com os problemas contemporâneos. Lenços brancos, camisas sóbrias, meias pretas e marrons. No ano passado, deu para um primo taciturno uma gravata cinza-escura com manchas pretas e estrias roxas, como hematomas. Com um cartão gozando a seriedade do primo. Este ano recebeu de volta a mesma gravata. Sem cartão. As pessoas, pensa, me confundem com um adulto. Vê a filha mais velha que passa equilibrando várias caixas de presentes.

 

― Te desafio para uma partida de damas. Não é uma proposta carinhosa. É um desafio mesmo. Posso derrotar qualquer criança nesta sala! Dama, moinho, bola de gude, palavra-cruzada…

 

A filha o ignora e também vai para o quarto. Decidiram, ele e a mulher, não dar nenhuma arma de brinquedo no Natal. Nem arco e flecha. Os psicólogos não aconselham. Mas ele agora tem uma lembrança que lhe sobe até a garganta e fica atravessada: aos doze anos ganhou uma metralhadora de latão que cuspia fogo. Tinha uma manivela do lado que a gente girava e a metralhadora cuspia fogo! O cunhado senta ao seu lado, com um copo de uísque na mão. Aponta para o livro.

 

Isso aí explica muita coisaI). Lembras daquela minha tese?…

 

Mas ele não ouve mais nada. Ergue o Henry Kissinger até os olhos, como se mirasse uma metralhadora, e começa a girar uma manivela invisível do lado do livro. Ao mesmo tempo, com a boca imita o ruído de tiros, e descobre entusiasmado que ainda não perdeu o jeito. O cunhado fica olhando, entre surpreso e divertido, enquanto ele varre a sala com rajadas imaginárias.

 

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011

Texto base para questão abaixo.

   

Considere as seguintes sentenças, retiradas do texto:

 

I. “Isso aí explica muita coisa.”

 

II. “Meu filho. Um Autorama!”

 

III. “Vive lhe mandando recortes de jornal com trechos sublinhados”

 

Nas sentenças dadas, ocorrem, respectivamente, pronomes dos tipos:

  1. Arelativo, possessivo e pessoal do caso oblíquo.
  2. Bdemonstrativo, possessivo e pessoal do caso oblíquo.
  3. Cdemonstrativo, pessoal do caso reto e pessoal do caso oblíquo.
  4. Ddemonstrativo, possessivo e pessoal do caso reto.
  5. Erelativo, pessoal do caso oblíquo e pessoal do caso reto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — demonstrativo, possessivo e pessoal do caso oblíquo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação de Pronomes: Demonstrativo, Possessivo e Oblíquo

Gabarito: letra B. Nas sentenças dadas, ocorrem, respectivamente, pronome demonstrativo (I: “Isso”), pronome possessivo (II: “Meu”) e pronome pessoal do caso oblíquo (III: “lhe”). A classificação se prova pela função de cada pronome no trecho: “Isso” retoma o livro de Kissinger (demonstrativo), “Meu” indica posse (possessivo) e “lhe” substitui o objeto indireto “ao pai” (oblíquo átono).

O Comando

A questão pede que você classifique os pronomes destacados nas três sentenças, na ordem em que aparecem. Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar a morfologia dos pronomes — identificar a classe de cada um. O comando é direto: “ocorrem, respectivamente, pronomes dos tipos”. Portanto, a resolução exige conhecimento das subclasses: demonstrativo, possessivo, pessoal reto, pessoal oblíquo e relativo.

O Texto e a Localização dos Pronomes

No texto, as três sentenças aparecem em contextos que ajudam a confirmar a classificação:

  • I. “Isso aí explica muita coisa.” — O pronome “Isso” refere-se ao livro O Mundo Restaurado, de Kissinger, mencionado anteriormente. É um pronome demonstrativo, pois aponta para um elemento já citado (função anafórica).

  • II. “Meu filho. Um Autorama!” — “Meu” acompanha o substantivo “filho”, indicando posse (relação de pertencimento). É um pronome possessivo.

  • III. “Vive lhe mandando recortes de jornal com trechos sublinhados” — “lhe” é um pronome pessoal do caso oblíquo átono, que substitui o objeto indireto (a quem se manda). No contexto, refere-se ao pai, que recebe os recortes do cunhado.

A Técnica que Decide

A pegadinha central está em não confundir pronome demonstrativo com pronome relativo. O pronome relativo (que, o qual, cujo, quem, onde) sempre introduz uma oração subordinada adjetiva e retoma um antecedente explícito. Já o demonstrativo (este, esse, aquele, isto, isso, aquilo) aponta para algo no discurso, sem necessariamente iniciar uma oração adjetiva. Em “Isso aí explica muita coisa”, “Isso” não introduz oração subordinada; ele simplesmente retoma o livro, funcionando como sujeito da oração. Portanto, é demonstrativo, não relativo.

Outra distinção importante: pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele, nós, vós, eles) exerce função de sujeito, enquanto o oblíquo (me, te, se, lhe, o, a, nos, vos) exerce função de complemento. Em “Vive lhe mandando”, “lhe” é complemento indireto do verbo “mandar” (mandar algo a alguém), logo é oblíquo.

1I. "Isso"
Demonstrativo
Retoma livro (anafórico)
2II. "Meu"
Possessivo
Indica posse
3III. "lhe"
Pessoal oblíquo átono
Objeto indireto
Pronomes nas sentenças
LEVELsoulevel.com.br
Pronomes nas sentenças: I. "Isso" (Demonstrativo, Retoma livro (anafórico)); II. "Meu" (Possessivo, Indica posse); III. "lhe" (Pessoal oblíquo átono, Objeto indireto)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A diz: “relativo, possessivo e pessoal do caso oblíquo”. O erro está no primeiro item: “Isso” não é pronome relativo. O pronome relativo introduz oração subordinada adjetiva e retoma um antecedente explícito, como em “O livro que comprei”. No trecho, “Isso” não introduz oração; ele é o sujeito da oração “Isso aí explica muita coisa”. Portanto, a classificação correta é demonstrativo, não relativo. Os itens II e III estão corretos, mas o primeiro invalida a alternativa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B diz: “demonstrativo, possessivo e pessoal do caso oblíquo”. Confere com a análise:

  • I. “Isso” — pronome demonstrativo, retoma o livro de Kissinger (função anafórica).

  • II. “Meu” — pronome possessivo, indica posse sobre “filho”.

  • III. “lhe” — pronome pessoal do caso oblíquo átono, objeto indireto de “mandando”.

A sequência está exata, tornando esta a única alternativa inteiramente correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C diz: “demonstrativo, pessoal do caso reto e pessoal do caso oblíquo”. O erro está no segundo item: “Meu” não é pronome pessoal do caso reto. Pronomes pessoais do caso reto são eu, tu, ele, nós, vós, eles — exercem função de sujeito. “Meu” é um pronome possessivo, pois acompanha o substantivo “filho” e indica relação de posse. O primeiro e o terceiro itens estão corretos, mas o segundo invalida a alternativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz: “demonstrativo, possessivo e pessoal do caso reto”. O erro está no terceiro item: “lhe” não é pronome pessoal do caso reto. Pronomes retos exercem função de sujeito; “lhe” exerce função de objeto indireto (complemento verbal). É um pronome pessoal do caso oblíquo átono. Os dois primeiros itens estão corretos, mas o terceiro invalida a alternativa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E diz: “relativo, pessoal do caso oblíquo e pessoal do caso reto”. Há dois erros: o primeiro item, “Isso”, não é relativo (é demonstrativo, como visto na alternativa A); e o segundo item, “Meu”, não é oblíquo (é possessivo). Apenas o terceiro item, “lhe”, está correto como oblíquo, mas a alternativa erra nos dois primeiros, invalidando-a por completo.

Conclusão

A questão testa a classificação morfológica dos pronomes em contexto. A chave é reconhecer a função de cada um: “Isso” aponta para algo já dito (demonstrativo), “Meu” indica posse (possessivo) e “lhe” substitui o objeto indireto (oblíquo). Ao analisar cada alternativa, pergunte: qual é a função sintática do pronome na oração? Se for sujeito, é reto; se for complemento, é oblíquo; se indicar posse, é possessivo; se apontar para algo no discurso, é demonstrativo. Essa pergunta elimina as distratoras e confirma a letra B.

Gabarito: letra B

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