No despontar do século XX, dois engenheiros desenvolveram os primeiros trabalhos pioneiros a respeito da administração.
Um era americano, Frederick Winslow Taylor, e iniciou a chamada Escola da Administração Científica, preocupada em aumentar a eficiência da indústria por meio da racionalização do trabalho do operário.
O outro era europeu, Henri Fayol, e desenvolveu a chamada teoria clássica, preocupada em aumentar a eficiência da empresa por meio de sua organização e da aplicação de princípios gerais da administração em bases científicas.
Muito embora ambos não tenham se comunicado entre si e tenham partido de pontos de vista diferentes e mesmo opostos, o certo é que suas ideias constituem as bases da chamada abordagem clássica da administração, cujos postulados dominaram as quatro primeiras décadas do século XX no panorama administrativo das organizações.
Idalberto Chiavenato. Administração geral e pública. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008 (com adaptações).
Texto para o item.
Considerando o texto, sua estrutura e seu conteúdo, julgue o item.
A expressão “Muito embora” poderia ser substituída, sem prejuízo ao sentido original ou à correção gramatical do texto, pela expressão não obstante.
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GabaritoC — Certo
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Substituição de “Muito embora” por “não obstante” — equivalência concessiva
Gabarito: CERTO. A expressão “Muito embora” e a locução “não obstante” são conectivos concessivos — ambos introduzem uma ideia de oposição/ressalva — e a troca preserva o sentido original e a correção gramatical do período. No texto, “Muito embora” inicia a oração que admite uma circunstância contrária à ideia principal, exatamente o valor de “não obstante”.
O comando
A questão pede que você julgue a possibilidade de substituição de uma expressão por outra, sem prejuízo ao sentido original ou à correção gramatical. Isso exige dois testes: (1) semântico — as duas expressões devem ter o mesmo valor relacional; (2) sintático — a troca não pode quebrar a estrutura do período. Não se trata de interpretação profunda do texto, mas de conhecimento do valor dos conectivos e de sua equivalência.
O texto e o trecho decisivo
O autor afirma que Taylor e Fayol, apesar de não terem se comunicado e de terem pontos de vista opostos, formaram as bases da abordagem clássica. O trecho-chave é:
“Muito embora ambos não tenham se comunicado entre si e tenham partido de pontos de vista diferentes e mesmo opostos, o certo é que suas ideias constituem as bases da chamada abordagem clássica da administração”
A oração iniciada por “Muito embora” expressa concessão: admite-se um fato contrário (não se comunicaram, pontos de vista opostos) sem que ele anule a conclusão principal (suas ideias são a base). É exatamente o valor de “não obstante”, que também é uma locução conjuntiva concessiva.
A técnica que decide
Conjunções e locuções concessivas — embora, ainda que, conquanto, não obstante, apesar de que — todas introduzem uma ressalva que não impede a realização do fato principal. A banca adora testar a equivalência entre conectivos, e aqui a troca é perfeita:
Sentido: “Muito embora” = “não obstante” = “apesar de que” — todos marcam oposição com quebra de expectativa.
Gramática: ambos são locuções conjuntivas que ligam orações subordinadas adverbiais concessivas. A estrutura “Muito embora ambos não tenham se comunicado” vira “Não obstante ambos não tenham se comunicado” — a oração continua subordinada, com o verbo no subjuntivo, e o período permanece correto.
PEGA ESSA DICA!
Ao testar substituição de conectivo, pergunte: (1) o valor semântico é o mesmo? (2) a classe gramatical é compatível? (3) a regência e o modo verbal se mantêm? Se as três respostas forem sim, a troca é válida.
Análise do item
Conectivos concessivos: Valor semântico (Oposição com quebra de expectativa, Ressalva que não anula a conclusão); Exemplos (Muito embora, Não obstante, Ainda que, Conquanto, Apesar de que); Teste de substituição (Mesmo valor semântico?, Mesma classe gramatical?, Regência e modo verbal mantidos?)
Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. A substituição de “Muito embora” por “não obstante” preserva o sentido de concessão e mantém a correção gramatical, pois ambas são locuções conjuntivas concessivas equivalentes. O trecho do texto comprova o valor concessivo: a oração introduzida por “Muito embora” apresenta uma circunstância contrária à ideia principal, e “não obstante” cumpriria exatamente o mesmo papel.
NÃO CAIA NESSA!
A banca poderia tentar confundir com conectivos de outros valores (adversativo “mas”, conclusivo “portanto”, causal “porque”). Mas “não obstante” é concessivo, não adversativo — a diferença é sutil: a concessão admite a objeção sem anulá-la; a adversão contrapõe duas ideias. Aqui, a troca é legítima.
Conclusão: a chave da questão é reconhecer que “Muito embora” e “não obstante” pertencem à mesma família de conectivos concessivos. Sempre que a banca pedir substituição “sem prejuízo ao sentido”, confira o valor semântico e a função sintática — se ambos coincidirem, a troca é válida.