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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — Avança SP 2023

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
qa504213
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Americana
Ano
2023
Cargo
Aj Ger ( )

O que é a convergência linguística?

Laura Plitt

 

Não importa de onde você vem ou qual seu sotaque. Se você viajar para outro Estado, é muito provável que seu sotaque comece a ficar mais parecido com o jeito de falar local.

 

Para algumas pessoas, esse mimetismo acontece imediatamente — e sem querer — ao começar a conversar com uma pessoa de sotaque diferente, sem nem ao menos precisar viajar. Enquanto o jeito de falar da pessoa muda, o interlocutor pode ficar com a leve suspeita de que estão tirando sarro dele.

 

Mas a verdade é que quem imita sotaques inconscientemente provavelmente está sob o efeito de um fenômeno chamado convergência linguística — algo que, em menor ou maior grau, acontece com todos.

 

"Quando nos referimos à mudança de sotaque, à maneira como pronunciamos certas palavras, estamos falando de convergência fonética", explica Zuzana Erdösová, professora de linguística da Universidade Autônoma do Estado do México.

 

Mas, em geral, "não é apenas o sotaque que acabamos imitando quando ouvimos outras pessoas falarem, mas também adotamos seu léxico. Ou seja, as palavras típicas de um determinado grupo ou de uma determinada região."

 

Essa incorporação dos termos usados pelo outro, da forma como uma frase é articulada é o que chamamos de convergência linguística.

 

Enquanto a imitação do sotaque tende a ser um ato inconsciente, a adoção da estrutura gramatical (como usar a forma ativa ou passiva de um verbo, por exemplo) e o vocabulário que nosso interlocutor usa tende a ser uma escolha. Por quê?

 

As razões para a mudança de discurso são várias. Uma das razões está ligada à aceitação social, explica Erdösová.

 

"Dentro de cada sociedade prevalecem certas relações e hierarquias. Pessoas com maior consciência disso adaptam seu discurso para alcançar a aceitação."

 

"Se decido convergir com a forma como o outro fala, é porque busco integração e certo vínculo identitário", diz a pesquisadora.

 

Enquanto se fizer o contrário — o que se chama de divergência linguística — você está conscientemente marcando uma distância social entre si e o seu interlocutor.

 

Lacy Wade, professora de linguística da Universidade da Pensilvânia, concorda que as pessoas, consciente ou inconscientemente, mudam sua fala para mostrar proximidade com a outra pessoa.

 

"É uma maneira de dizer, 'Ei, eu sou como você!' É uma maneira de mostrar que você gosta da pessoa ou que quer que ela goste de você", afirma. "Mesmo que muitas vezes o fenômeno passe despercebido e não percebamos que estamos agindo assim, isso não significa que não seja um gesto socialmente motivado".

 

Ela explica que às vezes as pessoas percebem que estão mudando a maneira de falar no momento em que o fazem e depois continuam por notar um benefício social positivo.

 

Outra razão para a convergência está ligada ao nosso desejo de diálogo.

 

"Nós nos comunicamos melhor quando estamos em sincronia, quando usamos as mesmas palavras, porque entendemos melhor alguém que soa como nós", explica Wade. A sensação de falar "na mesma língua" nos ajuda a melhorar a interação.

 

Além disso, diz ela, a convergência é uma consequência cognitiva automática da compreensão da linguagem.

 

"Há pesquisas que indicam que, quando ouvimos alguém falar, armazenamos esses sons em nossa memória e esses sons influenciam nossa própria fala."

 

Curiosamente, também acontece que às vezes modificamos nossa maneira de falar não de acordo com o que ouvimos, necessariamente, mas com base em nossas expectativas sobre o que vamos ouvir.

 

"Muitas vezes estamos assumindo o correto, mas em muitas ocasiões nos baseamos em crenças e estereótipos", diz Wade em relação a imitações imprecisas e exageradas ou quando supomos que o outro é estrangeiro e não poderá nos entender, e falamos com ele pausadamente, em voz alta. Isso, diz ela, pode ser problemático mesmo quando o falante tem a melhor das intenções. [...]

 

PLITT, Laura. O que é a convergência linguística? Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-63558560. Acesso em 20 Nov 2022.

Texto

   

Pode-se afirmar que se trata de um texto:

  1. Acientífico.
  2. Bjornalístico.
  3. Cacadêmico.
  4. Ddidático.
  5. Eeditorial.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — jornalístico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia e Gênero Textual: Identificação do Texto Jornalístico

Gabarito: letra B. O texto é jornalístico porque se trata de uma reportagem explicativa publicada pela BBC Brasil, com o objetivo de informar e explicar um fenômeno linguístico (a convergência linguística) ao grande público, utilizando linguagem acessível, citações de especialistas e estrutura típica do jornalismo. A passagem que ancora essa classificação é a própria origem do texto, indicada no final: "PLITT, Laura. O que é a convergência linguística? Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-63558560".

O comando da questão é simples: "Pode-se afirmar que se trata de um texto:". Isso pede uma classificação do gênero textual com base nas características do texto. Não se trata de interpretar uma ideia, mas de reconhecer o gênero a partir de pistas textuais e contextuais. A banca quer que o candidato diferencie os gêneros jornalísticos (notícia, reportagem, editorial, artigo de opinião) e os tipos textuais (narrativo, descritivo, dissertativo, injuntivo).

O texto apresenta as marcas clássicas do gênero jornalístico, mais especificamente da reportagem explicativa:

  • Tema de interesse público (comportamento linguístico) apresentado de forma acessível.

  • Estrutura com título, subtítulo e corpo do texto, comum em matérias jornalísticas.

  • Citações de especialistas (Zuzana Erdösová e Lacy Wade) para dar credibilidade à informação, recurso típico da reportagem.

  • Linguagem objetiva e impessoal, com predominância da função referencial da linguagem, buscando informar.

  • Origem em um veículo de imprensa (BBC Brasil), o que confirma o caráter jornalístico.

A pegadinha da questão está em confundir o gênero jornalístico (reportagem) com o tipo textual (dissertativo-expositivo). O texto é, sim, predominantemente dissertativo-expositivo em sua tipologia, mas o que a questão pede é o gênero em que ele se enquadra, que é o jornalístico. As alternativas A, C e D exploram essa confusão, oferecendo gêneros que compartilham características com o texto, mas que não correspondem à sua origem e função social.

1Jornalístico
Notícia (informativo)
Reportagem (informativo-explicativo)
Editorial (opinativo)
Artigo de opinião (opinativo)
2Científico
Artigo científico
Tese/dissertação
3Acadêmico
Resumo
Resenha
4Didático
Livro didático
Apostila
Gêneros textuais
LEVELsoulevel.com.br
Gêneros textuais: Jornalístico (Notícia (informativo), Reportagem (informativo-explicativo), Editorial (opinativo), Artigo de opinião (opinativo)); Científico (Artigo científico, Tese/dissertação); Acadêmico (Resumo, Resenha); Didático (Livro didático, Apostila)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: fora_do_escopo (tangenciar). O texto não é científico. Embora aborde um tema da linguística e cite pesquisas, ele não segue a estrutura de um artigo científico (resumo, metodologia, resultados, referências bibliográficas formais) e não é destinado a um público acadêmico. A linguagem é acessível e o veículo é um portal de notícias, não uma revista científica. A presença de especialistas não torna o texto científico; é um recurso jornalístico de apuração.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto é jornalístico. A prova mais contundente é a fonte: "Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-63558560". A BBC é um veículo de imprensa, e o texto é uma reportagem que explica um fenômeno ao público leigo. As características estruturais (título, intertítulos, citações de fontes) e a finalidade (informar e explicar) confirmam o gênero jornalístico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: fora_do_escopo (tangenciar). O texto não é acadêmico. Textos acadêmicos (artigos científicos, teses, dissertações) possuem linguagem técnica, estrutura formal (introdução, metodologia, resultados, conclusão), revisão por pares e são publicados em periódicos especializados. O texto em questão é uma matéria de divulgação, que simplifica o conhecimento para o grande público, sem o rigor e a finalidade de um texto acadêmico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: fora_do_escopo (tangenciar). O texto não é didático no sentido estrito do termo. Um texto didático é produzido com a finalidade de ensinar um conteúdo de forma sistemática, geralmente em materiais escolares (livros didáticos, apostilas). Embora o texto tenha caráter explicativo, sua função primária é informar o leitor sobre uma curiosidade, não instruir formalmente sobre um conteúdo curricular. A intenção é jornalística, não pedagógica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz_texto. O texto não é um editorial. O editorial é um gênero jornalístico opinativo, que expressa a posição oficial do veículo de imprensa sobre um assunto, com o objetivo de persuadir o leitor. O texto em questão é informativo e explicativo, sem defender uma tese ou tomar partido. Ele apresenta o fenômeno da convergência linguística de forma imparcial, com base em opiniões de especialistas, mas sem uma posição editorial do jornal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre gênero textual (jornalístico) e tipo textual (dissertativo-expositivo). O texto é expositivo em sua tipologia, mas o gênero é jornalístico. Além disso, a presença de especialistas e a linguagem explicativa podem levar o candidato a pensar em texto científico ou acadêmico, mas a origem (BBC) e a finalidade (informar o público geral) desfazem essa dúvida.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o gênero textual, pergunte: qual é a função social do texto? Onde ele foi publicado? Para quem ele é destinado? Um texto sobre linguística publicado na BBC é jornalístico; o mesmo texto em uma revista científica seria acadêmico. A origem e o público-alvo são pistas decisivas.

Gabarito: letra B — o texto é jornalístico, pois se trata de uma reportagem explicativa publicada em um veículo de imprensa, com a finalidade de informar o público sobre um fenômeno linguístico.

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