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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa504215
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Americana
Ano
2023
Cargo
Aj Ger ( )

O que é a convergência linguística?

Laura Plitt

 

Não importa de onde você vem ou qual seu sotaque. Se você viajar para outro Estado, é muito provável que seu sotaque comece a ficar mais parecido com o jeito de falar local.

 

Para algumas pessoas, esse mimetismo acontece imediatamente — e sem querer — ao começar a conversar com uma pessoa de sotaque diferente, sem nem ao menos precisar viajar. Enquanto o jeito de falar da pessoa muda, o interlocutor pode ficar com a leve suspeita de que estão tirando sarro dele.

 

Mas a verdade é que quem imita sotaques inconscientemente provavelmente está sob o efeito de um fenômeno chamado convergência linguística — algo que, em menor ou maior grau, acontece com todos.

 

"Quando nos referimos à mudança de sotaque, à maneira como pronunciamos certas palavras, estamos falando de convergência fonética", explica Zuzana Erdösová, professora de linguística da Universidade Autônoma do Estado do México.

 

Mas, em geral, "não é apenas o sotaque que acabamos imitando quando ouvimos outras pessoas falarem, mas também adotamos seu léxico. Ou seja, as palavras típicas de um determinado grupo ou de uma determinada região."

 

Essa incorporação dos termos usados pelo outro, da forma como uma frase é articulada é o que chamamos de convergência linguística.

 

Enquanto a imitação do sotaque tende a ser um ato inconsciente, a adoção da estrutura gramatical (como usar a forma ativa ou passiva de um verbo, por exemplo) e o vocabulário que nosso interlocutor usa tende a ser uma escolha. Por quê?

 

As razões para a mudança de discurso são várias. Uma das razões está ligada à aceitação social, explica Erdösová.

 

"Dentro de cada sociedade prevalecem certas relações e hierarquias. Pessoas com maior consciência disso adaptam seu discurso para alcançar a aceitação."

 

"Se decido convergir com a forma como o outro fala, é porque busco integração e certo vínculo identitário", diz a pesquisadora.

 

Enquanto se fizer o contrário — o que se chama de divergência linguística — você está conscientemente marcando uma distância social entre si e o seu interlocutor.

 

Lacy Wade, professora de linguística da Universidade da Pensilvânia, concorda que as pessoas, consciente ou inconscientemente, mudam sua fala para mostrar proximidade com a outra pessoa.

 

"É uma maneira de dizer, 'Ei, eu sou como você!' É uma maneira de mostrar que você gosta da pessoa ou que quer que ela goste de você", afirma. "Mesmo que muitas vezes o fenômeno passe despercebido e não percebamos que estamos agindo assim, isso não significa que não seja um gesto socialmente motivado".

 

Ela explica que às vezes as pessoas percebem que estão mudando a maneira de falar no momento em que o fazem e depois continuam por notar um benefício social positivo.

 

Outra razão para a convergência está ligada ao nosso desejo de diálogo.

 

"Nós nos comunicamos melhor quando estamos em sincronia, quando usamos as mesmas palavras, porque entendemos melhor alguém que soa como nós", explica Wade. A sensação de falar "na mesma língua" nos ajuda a melhorar a interação.

 

Além disso, diz ela, a convergência é uma consequência cognitiva automática da compreensão da linguagem.

 

"Há pesquisas que indicam que, quando ouvimos alguém falar, armazenamos esses sons em nossa memória e esses sons influenciam nossa própria fala."

 

Curiosamente, também acontece que às vezes modificamos nossa maneira de falar não de acordo com o que ouvimos, necessariamente, mas com base em nossas expectativas sobre o que vamos ouvir.

 

"Muitas vezes estamos assumindo o correto, mas em muitas ocasiões nos baseamos em crenças e estereótipos", diz Wade em relação a imitações imprecisas e exageradas ou quando supomos que o outro é estrangeiro e não poderá nos entender, e falamos com ele pausadamente, em voz alta. Isso, diz ela, pode ser problemático mesmo quando o falante tem a melhor das intenções. [...]

 

PLITT, Laura. O que é a convergência linguística? Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-63558560. Acesso em 20 Nov 2022.

Texto

   

Segundo o texto, a convergência linguística ocorre:

  1. Aapenas para sermos aceitos, socialmente.
  2. Bpara sermos aceitos socialmente e aprender outros sotaques.
  3. Cpara sermos aceitos socialmente e por causa da nossa necessidade de dialogar.
  4. Dpor causa da nossa necessidade de fazer novos amigos
  5. Eapenas por causa da nossa necessidade de dialogar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — para sermos aceitos socialmente e por causa da nossa necessidade de dialogar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Convergência Linguística: Causas Apontadas no Texto

Gabarito: letra C. Segundo o texto, a convergência linguística ocorre para sermos aceitos socialmente e por causa da nossa necessidade de dialogar — exatamente as duas razões que o autor enumera. A passagem que sustenta a resposta está no trecho em que a pesquisadora Erdösová liga a convergência à aceitação social e, logo adiante, Wade a associa ao desejo de diálogo.

"Uma das razões está ligada à aceitação social"

"Outra razão para a convergência está ligada ao nosso desejo de diálogo."

O comando pede compreensão ("Segundo o texto"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito — sem deduções nem acréscimos. A alternativa C é a única que reúne as duas causas mencionadas, sem restringir com "apenas" nem inventar motivos novos.

O que o texto realmente diz

O texto apresenta duas razões para a convergência linguística, em parágrafos distintos:

  1. Aceitação social — "Pessoas com maior consciência disso adaptam seu discurso para alcançar a aceitação."

  2. Desejo de diálogo — "Nós nos comunicamos melhor quando estamos em sincronia... A sensação de falar 'na mesma língua' nos ajuda a melhorar a interação."

A alternativa C captura exatamente essas duas ideias. As demais ou restringem o alcance com "apenas" (A, E) ou acrescentam motivos que o texto não menciona (B, D).

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"apenas para sermos aceitos, socialmente."

A palavra "apenas" é o erro fatal: ela restringe as causas da convergência a uma só, mas o texto apresenta duas razões. O próprio texto diz "Uma das razões está ligada à aceitação social" e, em seguida, "Outra razão para a convergência está ligada ao nosso desejo de diálogo". A alternativa A limita o alcance, suprimindo a segunda causa — erro típico de restrição indevida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"para sermos aceitos socialmente e aprender outros sotaques."

A alternativa B extrapola: o texto não diz que a convergência ocorre para "aprender outros sotaques". A imitação de sotaque é descrita como um fenômeno inconsciente ("a imitação do sotaque tende a ser um ato inconsciente"), não como um objetivo deliberado de aprendizado. Além disso, o texto não menciona "aprender" como finalidade — isso é uma invenção do examinador, um clássico caso de extrapolação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"para sermos aceitos socialmente e por causa da nossa necessidade de dialogar."

Esta é a paráfrase fiel das duas causas apresentadas no texto. O trecho "Uma das razões está ligada à aceitação social" autoriza a primeira parte; "Outra razão para a convergência está ligada ao nosso desejo de diálogo" autoriza a segunda. A alternativa C não acrescenta nada além do que o texto afirma e não restringe com "apenas" — é a única inteiramente sustentada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"por causa da nossa necessidade de fazer novos amigos."

A alternativa D tangencia o tema: o texto fala em "desejo de diálogo" e "busco integração e certo vínculo identitário", mas não menciona "fazer novos amigos". Essa ideia é uma inferência subjetiva do candidato, não uma informação do texto. Além disso, a alternativa omite a causa da aceitação social, ficando incompleta. Erro de extrapolação e incompletude.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"apenas por causa da nossa necessidade de dialogar."

Assim como a A, a E usa "apenas", restringindo as causas a uma só. O texto apresenta duas razões (aceitação social e desejo de diálogo), então a alternativa E limita indevidamente o alcance. Erro de restrição.

Conclusão

A questão testa a habilidade de localizar informações explícitas e parafraseá-las sem alterar o sentido. A pegadinha central é o uso de "apenas" nas alternativas A e E, que restringe o que o texto apresenta como múltiplo. A alternativa C é a única que abrange as duas causas sem acrescentar nem suprimir nada.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de palavras absolutas como "apenas", "somente", "sempre". Elas costumam restringir indevidamente o alcance do texto. Confronte sempre com o que está escrito.

Gabarito: letra C

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