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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa504217
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Americana
Ano
2023
Cargo
Aj Ger ( )

O que é a convergência linguística?

Laura Plitt

 

Não importa de onde você vem ou qual seu sotaque. Se você viajar para outro Estado, é muito provável que seu sotaque comece a ficar mais parecido com o jeito de falar local.

 

Para algumas pessoas, esse mimetismo acontece imediatamente — e sem querer — ao começar a conversar com uma pessoa de sotaque diferente, sem nem ao menos precisar viajar. Enquanto o jeito de falar da pessoa muda, o interlocutor pode ficar com a leve suspeita de que estão tirando sarro dele.

 

Mas a verdade é que quem imita sotaques inconscientemente provavelmente está sob o efeito de um fenômeno chamado convergência linguística — algo que, em menor ou maior grau, acontece com todos.

 

"Quando nos referimos à mudança de sotaque, à maneira como pronunciamos certas palavras, estamos falando de convergência fonética", explica Zuzana Erdösová, professora de linguística da Universidade Autônoma do Estado do México.

 

Mas, em geral, "não é apenas o sotaque que acabamos imitando quando ouvimos outras pessoas falarem, mas também adotamos seu léxico. Ou seja, as palavras típicas de um determinado grupo ou de uma determinada região."

 

Essa incorporação dos termos usados pelo outro, da forma como uma frase é articulada é o que chamamos de convergência linguística.

 

Enquanto a imitação do sotaque tende a ser um ato inconsciente, a adoção da estrutura gramatical (como usar a forma ativa ou passiva de um verbo, por exemplo) e o vocabulário que nosso interlocutor usa tende a ser uma escolha. Por quê?

 

As razões para a mudança de discurso são várias. Uma das razões está ligada à aceitação social, explica Erdösová.

 

"Dentro de cada sociedade prevalecem certas relações e hierarquias. Pessoas com maior consciência disso adaptam seu discurso para alcançar a aceitação."

 

"Se decido convergir com a forma como o outro fala, é porque busco integração e certo vínculo identitário", diz a pesquisadora.

 

Enquanto se fizer o contrário — o que se chama de divergência linguística — você está conscientemente marcando uma distância social entre si e o seu interlocutor.

 

Lacy Wade, professora de linguística da Universidade da Pensilvânia, concorda que as pessoas, consciente ou inconscientemente, mudam sua fala para mostrar proximidade com a outra pessoa.

 

"É uma maneira de dizer, 'Ei, eu sou como você!' É uma maneira de mostrar que você gosta da pessoa ou que quer que ela goste de você", afirma. "Mesmo que muitas vezes o fenômeno passe despercebido e não percebamos que estamos agindo assim, isso não significa que não seja um gesto socialmente motivado".

 

Ela explica que às vezes as pessoas percebem que estão mudando a maneira de falar no momento em que o fazem e depois continuam por notar um benefício social positivo.

 

Outra razão para a convergência está ligada ao nosso desejo de diálogo.

 

"Nós nos comunicamos melhor quando estamos em sincronia, quando usamos as mesmas palavras, porque entendemos melhor alguém que soa como nós", explica Wade. A sensação de falar "na mesma língua" nos ajuda a melhorar a interação.

 

Além disso, diz ela, a convergência é uma consequência cognitiva automática da compreensão da linguagem.

 

"Há pesquisas que indicam que, quando ouvimos alguém falar, armazenamos esses sons em nossa memória e esses sons influenciam nossa própria fala."

 

Curiosamente, também acontece que às vezes modificamos nossa maneira de falar não de acordo com o que ouvimos, necessariamente, mas com base em nossas expectativas sobre o que vamos ouvir.

 

"Muitas vezes estamos assumindo o correto, mas em muitas ocasiões nos baseamos em crenças e estereótipos", diz Wade em relação a imitações imprecisas e exageradas ou quando supomos que o outro é estrangeiro e não poderá nos entender, e falamos com ele pausadamente, em voz alta. Isso, diz ela, pode ser problemático mesmo quando o falante tem a melhor das intenções. [...]

 

PLITT, Laura. O que é a convergência linguística? Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-63558560. Acesso em 20 Nov 2022.

Texto

   

Segundo o texto:

  1. AA imitação do sotaque é um ato inconsciente, já a adoção da estrutura e do léxico do interlocutor é uma escolha consciente.
  2. BA imitação do sotaque, a adoção da estrutura e do léxico do interlocutor é um ato inconsciente.
  3. CA imitação do sotaque é uma escolha consciente, já a adoção da estrutura e do léxico do interlocutor é um ato inconsciente.
  4. DA imitação do sotaque, a adoção da estrutura e do léxico do interlocutor é uma escolha consciente.
  5. EA imitação do sotaque é um ato inconsciente, a doação da estrutura e do léxico do interlocutor também é uma escolha Inconsciente.
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GabaritoA — A imitação do sotaque é um ato inconsciente, já a adoção da estrutura e do léxico do interlocutor é uma escolha consciente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Convergência linguística: imitação inconsciente × escolha consciente

Gabarito: letra A. A alternativa correta é a única que reproduz fielmente a distinção central do texto: a imitação do sotaque é um ato inconsciente, enquanto a adoção da estrutura gramatical e do léxico do interlocutor tende a ser uma escolha consciente. Essa oposição está explícita no trecho: "Enquanto a imitação do sotaque tende a ser um ato inconsciente, a adoção da estrutura gramatical (como usar a forma ativa ou passiva de um verbo, por exemplo) e o vocabulário que nosso interlocutor usa tende a ser uma escolha." As demais alternativas ou invertem essa relação, ou generalizam indevidamente, ou trocam termos que alteram o sentido.

O comando "Segundo o texto" indica uma questão de compreensão/recorrência: a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma informação explícita, sem deduções ou acréscimos. Não se trata de inferir nada além do que está escrito — basta localizar a passagem que sustenta a afirmação e compará-la com cada alternativa.

O texto, de caráter expositivo-informativo, explica o fenômeno da convergência linguística. A tese central é que as pessoas, consciente ou inconscientemente, ajustam sua fala para se aproximar do interlocutor. O ponto decisivo para esta questão está no parágrafo que estabelece a oposição entre dois comportamentos:

"Enquanto a imitação do sotaque tende a ser um ato inconsciente, a adoção da estrutura gramatical (como usar a forma ativa ou passiva de um verbo, por exemplo) e o vocabulário que nosso interlocutor usa tende a ser uma escolha."

A conjunção "enquanto" instaura uma relação de oposição/contraste entre as duas orações: de um lado, o sotaque (inconsciente); de outro, a estrutura gramatical e o vocabulário (escolha consciente). A alternativa A preserva exatamente essa estrutura contrastiva, usando "já a adoção" para marcar a oposição.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se o texto autoriza a afirmação. A correta é a única inteiramente sustentada pela passagem citada — nem mais, nem menos do que ela diz. As erradas cometem erros típicos do catálogo: inversão de sentido (C), generalização indevida (B e D) e troca de vocábulo (E).

Convergência linguística
  • 1Imitação do sotaque
    • Ato inconsciente
  • 2Adoção da estrutura e do léxico
    • Escolha consciente
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia com precisão o trecho citado. O texto afirma que a imitação do sotaque "tende a ser um ato inconsciente", enquanto a adoção da estrutura gramatical e do vocabulário "tende a ser uma escolha". A alternativa A reproduz essa oposição com os termos "ato inconsciente" e "escolha consciente", mantendo o sentido original. Não há acréscimo nem supressão de informação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: generalização indevida. A alternativa afirma que tanto a imitação do sotaque quanto a adoção da estrutura e do léxico são "um ato inconsciente". Isso contradiz o texto, que estabelece uma distinção: apenas a imitação do sotaque é inconsciente; a adoção da estrutura e do vocabulário é uma escolha. A alternativa restringe o alcance da informação ao suprimir a oposição central.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto (inversão de sentido). A alternativa inverte a relação: afirma que a imitação do sotaque é "escolha consciente" e a adoção da estrutura e do léxico é "ato inconsciente". O texto diz exatamente o oposto. A banca troca os termos "inconsciente" e "consciente" de lugar, criando uma afirmação falsa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: generalização indevida. A alternativa afirma que tanto a imitação do sotaque quanto a adoção da estrutura e do léxico são "escolha consciente". Isso contradiz o texto, que diz que a imitação do sotaque é inconsciente. A alternativa generaliza a característica de um dos elementos para todos, suprimindo a distinção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de vocábulo (contradiz o texto). A alternativa contém dois problemas: (1) troca "adoção" por "doação", alterando o sentido — o texto fala em incorporar termos, não em doar; (2) afirma que a adoção da estrutura e do léxico é "escolha inconsciente", o que contradiz o texto, que diz que é uma escolha consciente. A troca do termo "adoção" por "doação" é uma pegadinha clássica de troca de vocábulo que inverte o sentido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de vocábulo ("adoção" por "doação") e a inversão de sentido (consciente × inconsciente). Fique atento a palavras que parecem semelhantes, mas têm significados diferentes, e à relação de oposição marcada por conectivos como "enquanto".

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife a passagem que sustenta a resposta e compare cada alternativa com ela, palavra por palavra. Desconfie de alternativas que invertem a relação de oposição ou trocam termos por similares.

Gabarito: letra A. A regra de ouro: a resposta mora no texto — a correta é a única que parafraseia fielmente a oposição entre o inconsciente (sotaque) e a escolha consciente (estrutura e léxico), sem inverter, generalizar ou trocar termos.

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