Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa504224
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Americana
Ano
2023
Cargo
Esc ( )
Sonhar
Sonhar... Algo tão simples e tão complexo. Quando criança o sonho consiste em ter um brinquedo “do momento”, na adolescência o sonho é ser aceito em vários grupos e na fase adulta são inúmeros os sonhos, alguns sonham em encontrar o amor para a vida toda, casar, ter filhos e, quando aposentados, viajar. Outros sonham em ter um “belo emprego”, conhecer o mundo, ir em muitas festas, ter alguém para que se sintam completos. Há aquelas pessoas que juntam os dois sonhos descritos anteriormente e ainda existe aquele sonhador que não foi citado aqui. Um cientista é um sonhador, busca por novidades/descobertas que farão um bem para a humanidade; o dançarino sonha com seu novo número e cada vez quer chegar mais próximo a perfeição; o médico, ainda em estudo, sonha em cuidar e salvar vidas...
Cada um tem o sonho que pode sonhar!
Cada um tem o sonho que pode realizar!
E se não puder realizar o tal sonho que mude o sonho, planeje tudo novamente, com novos rumos, novas forças, seja uma nova pessoa. O importante não é o sonho em si, o importante é não parar de sonhar, tente de novo e de novo e de novo; planeje quantas vezes forem necessárias e, um dia, concretizar-se-á!
Leia o texto, abaixo, e assinale a alternativa que apresenta a interpretação correta.
No trecho: “planeje tudo novamente” a autora está se referindo:
Aao sonho.
Bao leitor.
Cao médico.
Dao cientista.
Ea si mesma.
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GabaritoB — ao leitor.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Referenciação Pronominal: a quem se dirige o conselho?
Gabarito: letra B. No trecho “planeje tudo novamente”, a autora está se referindo ao leitor. A pista decisiva é o modo imperativo do verbo “planeje”, que, no texto, funciona como um conselho direto dirigido a quem lê — não ao médico, ao cientista ou ao sonho. Como se lê no trecho: “E se não puder realizar o tal sonho que mude o sonho, planeje tudo novamente, com novos rumos, novas forças, seja uma nova pessoa.” O imperativo “planeje” (assim como “mude” e “seja”) é uma ordem/convite que só pode ser endereçado a um interlocutor — e, no texto, esse interlocutor é o leitor.
O comando: compreensão, não inferência
O enunciado pede a interpretação correta de um trecho específico: “a autora está se referindo”. Isso é uma questão de compreensão — a resposta está explícita no texto, basta identificar o referente do pronome/verbo. Não se trata de deduzir algo nas entrelinhas, mas de localizar a quem o conselho se dirige. A técnica aqui é a coesão referencial: descobrir a que termo (ou pessoa) um elemento do texto remete.
O texto: um conselho universal
O texto “Sonhar” é uma reflexão sobre os sonhos nas diferentes fases da vida. No primeiro parágrafo, a autora descreve os sonhos de várias pessoas (criança, adolescente, adulto, cientista, dançarino, médico). No segundo, afirma: “Cada um tem o sonho que pode sonhar!” e “Cada um tem o sonho que pode realizar!”. No terceiro, dirige-se diretamente ao leitor com uma série de imperativos: “que mude o sonho, planeje tudo novamente, com novos rumos, novas forças, seja uma nova pessoa”. Esses verbos no imperativo são a marca linguística do diálogo com o leitor — a autora não está falando de um personagem específico, mas aconselhando quem lê.
A técnica: o imperativo como pista de interlocução
O modo imperativo é usado para dar ordens, fazer pedidos ou dar conselhos. Ele exige um interlocutor — alguém a quem se fala. No texto, a autora usa “mude”, “planeje” e “seja” para aconselhar o leitor sobre como lidar com os sonhos. Não há nenhum indício de que esses verbos se refiram ao médico, ao cientista ou à própria autora. O conselho é genérico e universal: “E se não puder realizar o tal sonho que mude o sonho, planeje tudo novamente”. Quem lê é o destinatário natural desse conselho.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece personagens citados no texto (médico, cientista) e o próprio sonho como possíveis referentes, mas o imperativo “planeje” só pode ser dirigido a um interlocutor — o leitor. Não se deixe levar por nomes que aparecem no texto; pergunte sempre: a quem o verbo se dirige?
PEGA ESSA DICA!
Em questões de referência, grife os pronomes e os verbos no imperativo — eles indicam quem fala e com quem se fala. O imperativo é a pista mais forte de interlocução.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: troca de referente. A alternativa diz que “planeje tudo novamente” se refere ao sonho. Mas o verbo “planeje” é um imperativo — uma ordem/conselho dirigido a uma pessoa, não a uma coisa. O sonho é o objeto do planejamento (“planeje tudo novamente” = planeje o sonho novamente), não o destinatário do conselho. O texto diz “que mude o sonho, planeje tudo novamente” — o sonho é aquilo que se muda/planeja, não quem recebe a ordem.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. O trecho “planeje tudo novamente” é um conselho direto ao leitor. A autora usa o modo imperativo (“mude”, “planeje”, “seja”) para se dirigir a quem lê, como se estivesse conversando com o leitor. Não há nenhuma marca no texto que restrinja o conselho a um personagem específico — pelo contrário, o texto é uma reflexão universal sobre sonhos, e o conselho final é para todos nós, leitores.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A alternativa afirma que a autora se refere ao médico. É verdade que o médico é citado no primeiro parágrafo (“o médico, ainda em estudo, sonha em cuidar e salvar vidas...”), mas o trecho “planeje tudo novamente” está no terceiro parágrafo, em um contexto de conselho geral, sem nenhuma referência específica ao médico. Não há pista textual que ligue o imperativo “planeje” ao médico. A alternativa extrapola ao escolher um personagem citado anteriormente sem que o texto autorize essa ligação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A alternativa afirma que a autora se refere ao cientista. Assim como o médico, o cientista é citado no primeiro parágrafo (“Um cientista é um sonhador, busca por novidades/descobertas...”), mas o trecho em questão é um conselho universal no terceiro parágrafo. Não há nenhuma marca que conecte o imperativo “planeje” ao cientista. A alternativa extrapola ao escolher um personagem sem base textual.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que a autora se refere a si mesma. Mas o uso do imperativo (“planeje”, “mude”, “seja”) indica um diálogo com o outro — não um conselho que a autora dá a si mesma. Se fosse autorreferente, o texto usaria outra construção (ex.: “preciso planejar”). Além disso, o texto é claramente direcionado ao leitor (“Cada um tem o sonho que pode sonhar!”), e o conselho final reforça essa interlocução. A alternativa contradiz a estrutura dialógica do texto.
Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra B. As demais ou extrapolam (médico, cientista) ou contradizem (a si mesma) ou trocam o referente (o sonho). A regra de ouro: em questões de referência, siga as pistas linguísticas — o imperativo aponta para o leitor.