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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Instituto Consulplan 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa504229
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
MPE MG
Ano
2023
Cargo
Ana MP ( )

O dinamismo lexical: o dizer nosso de cada dia

 

O léxico de uma língua constitui-se do saber vocabular de um grupo sociolinguístico e culturalmente definido; é o conhecimento partilhado que povoa a consciência do falante, onde esse acervo se configura como verdadeira janela através da qual o indivíduo divisa o seu entorno, ao mesmo tempo em que, ademais revela os valores, as crenças, os costumes, os modismos que viabilizam a comunidade em que vive o usuário de tal e qual palavra. É no léxico, ainda, que se gravam – e, não raro, pirogravam – as designações que rotulam as mudanças encadeadoras dos caminhos e dos descaminhos da humanidade, além de comporem o cenário de revelação tanto da realidade quanto dos fatos culturais que permearam a sua história.

 

O léxico de todas as línguas vivas é essencialmente marcado pela mobilidade, as palavras e as expressões com elas construídas surgem, desaparecem, perdem ou ganham significações, de sorte a promover o encontro marcado do falante com a realidade do mundo biossocial que o acolhe: o homem e o mundo encontram-se no signo.

 

As mudanças linguísticas, em especial as concernentes ao léxico, nada apresentam de espantoso ou de estranho: elas são, em tudo, análogas às transformações históricas que traçam seus cursos dentro de certa previsibilidade que só surpreende o desatento e o desconhecedor das artes de conviver – a imutabilidade quer da história, quer da palavra que a descreve e a realiza é que seria um fato a se estranhar.

 

O incremento do acervo lexical de uma língua é inconteste: segundo Antônio Houaiss (1983:20), “em tempos de Augusto Comte (1798-1857), há pouco mais de 140 anos, portanto, era possível designar todas as ciências, artes, técnicas e profissões então existentes com 240 palavras; estudos da Unesco, em 1963, advertiam que a mesma tarefa só seria levada a efeito com um acervo de 24 mil entre palavras e locuções. É ainda de Houaiss a informação de que “cerca de 90% dos 400 mil vocábulos das línguas de cultura foram forjados de meados do século XIX para cá.” [...]

 

O que se depreende do exposto é o fato de que o falante, inserido no seu tempo e no seu espaço, é instado a ampliar consideravelmente o seu inventário vernacular para dar conta do seu entorno e do seu estar-no-mundo, sob pena de, se assim não fizer, ser exilado dos jogos de convivência que têm, na palavra, o seu penhor e a sua fonte de produção. [...]

 

A verdade é que a legitimação do que se diz ou do que se deve dizer depende fundamentalmente da chancela da comunidade, do povo – povo que constrói nações, fortalece impérios, escreve e rescreve a sua história, vitaliza idiomas: povo que, por direito, justiça e fato, é o único, legítimo e verdadeiro “dono da língua”.

 

(SILVA, Maria Emília Barcellos da. Língua Portuguesa em debate: conhecimento e ensino / José Carlos de Azeredo (organizador). 4. ed.- Petrópolis, RJ: Vozes, 2007. Trecho adaptado.)

Texto para responder à questão.

   

De acordo com o tema e os subtemas apresentados no texto em análise pode-se afirmar que a abordagem feita pela autora relaciona-se diretamente a questões de:

  1. AAdequação vocabular.
  2. BProlixidade linguística.
  3. CFragmentação de frases.
  4. DModalização do discurso.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Adequação vocabular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Adequação vocabular: o tema central do texto

Gabarito: letra A. A autora aborda diretamente a adequação vocabular, pois defende que o falante precisa ampliar seu vocabulário para dar conta do seu entorno e do seu estar-no-mundo, sob pena de ser exilado dos jogos de convivência. A passagem que ancora essa leitura é: "o falante, inserido no seu tempo e no seu espaço, é instado a ampliar consideravelmente o seu inventário vernacular para dar conta do seu entorno e do seu estar-no-mundo".

O comando pede que se identifique o tema e os subtemas tratados pela autora, ou seja, qual é a ideia central que perpassa todo o texto. Não se trata de uma questão de inferência, mas de compreensão global: a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que o texto afirma, sem acréscimos de informação externa.

O texto desenvolve a tese de que o léxico é dinâmico e que o falante precisa acompanhar essa mobilidade para se manter inserido socialmente. A autora parte da definição de léxico como "saber vocabular de um grupo sociolinguístico e culturalmente definido", passa pela constatação de que "o léxico de todas as línguas vivas é essencialmente marcado pela mobilidade" e conclui que o falante é "instado a ampliar consideravelmente o seu inventário vernacular". Esse percurso argumentativo converge para a noção de que é preciso adequar o vocabulário às necessidades comunicativas do seu tempo e espaço.

A técnica que decide esta questão é a identificação da tese (ideia principal), que costuma aparecer na introdução e na conclusão. No texto, a tese é explicitada no último parágrafo: "a legitimação do que se diz ou do que se deve dizer depende fundamentalmente da chancela da comunidade, do povo". Ou seja, o falante deve adequar sua fala ao contexto social e cultural em que está inserido.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "tema e subtemas", grife as palavras-chave que se repetem ao longo do texto. Aqui, termos como "léxico", "vocabulário", "inventário vernacular" e "comunidade" apontam diretamente para a adequação vocabular.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque o texto trata da necessidade de o falante adequar seu vocabulário ao seu contexto social e cultural. A passagem decisiva é: "o falante, inserido no seu tempo e no seu espaço, é instado a ampliar consideravelmente o seu inventário vernacular para dar conta do seu entorno e do seu estar-no-mundo". Essa ideia de ampliar o vocabulário para "dar conta do entorno" é exatamente a noção de adequação vocabular: escolher e usar as palavras de forma apropriada à situação comunicativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B está incorreta porque o texto não discute prolixidade linguística (o uso excessivo de palavras para expressar uma ideia). Pelo contrário, o texto valoriza a precisão e a adequação do vocabulário, não a quantidade de palavras. Não há nenhuma passagem que trate de textos longos ou redundantes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C está incorreta porque o texto não aborda fragmentação de frases (a quebra inadequada de períodos ou orações). O texto trata do léxico e da necessidade de ampliação vocabular, não da estrutura sintática das frases. Não há menção a frases curtas, períodos quebrados ou qualquer aspecto relacionado à pontuação ou à organização sintática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D está incorreta porque o texto não trata de modalização do discurso (o uso de recursos linguísticos para expressar a atitude do falante, como certeza, dúvida, possibilidade). Embora o texto contenha alguns modalizadores (como "é inconteste", "nada apresentam de espantoso"), o tema central não é a modalização, mas sim a adequação vocabular. A modalização é um recurso utilizado pela autora, mas não é o assunto do texto.

Conclusão: A questão pede o tema central, e a única alternativa que corresponde ao que o texto efetivamente desenvolve é a letra A. As demais alternativas ou tratam de aspectos periféricos (modalização) ou de temas completamente ausentes (prolixidade, fragmentação).

Gabarito: letra A

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