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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Instituto Consulplan 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa504235
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
MPE MG
Ano
2023
Cargo
Of MP ( )

Conceitos da vida cotidiana

 

A metáfora é, para a maioria das pessoas, um recurso da imaginação poética e um ornamento retórico – é mais uma questão de linguagem extraordinária do que de linguagem ordinária. Mais do que isso, a metáfora é usualmente vista como uma característica restrita à linguagem, uma questão mais de palavras do que de pensamento ou ação. Por essa razão, a maioria das pessoas acha que pode viver perfeitamente bem sem a metáfora. Nós descobrimos, ao contrário, que a metáfora está infiltrada na vida cotidiana, não somente na linguagem, mas também no pensamento e na ação. Nosso sistema conceptual ordinário, em termos do qual não só pensamos, mas também agimos, é fundamentalmente metafórico por natureza.

 

Os conceitos que governam nosso pensamento não são meras questões do intelecto. Eles governam também a nossa atividade cotidiana até nos detalhes mais triviais. Eles estruturam o que percebemos, a maneira como nos comportamos no mundo e o modo como nos relacionamos com outras pessoas. Tal sistema conceptual desempenha, portanto, um papel central na definição de nossa realidade cotidiana.

 

Para dar uma ideia de como um conceito pode ser metafórico e estruturar uma atividade cotidiana, comecemos pelo conceito de DISCUSSÃO e pela metáfora conceitual DISCUSSÃO É GUERRA. Essa metáfora está presente em nossa linguagem cotidiana numa grande variedade de expressões: seus argumentos são indefensáveis; ele atacou todos os pontos da minha argumentação; e, destruí sua argumentação.

 

É importante perceber que não somente falamos sobre discussão em termos de guerra. Podemos realmente ganhar ou perder uma discussão. Vemos as pessoas com quem discutimos como um adversário. Atacamos suas posições e defendemos as nossas. Planejamos e usamos estratégias. Se achamos uma posição indefensável, podemos abandoná-la e colocar- nos numa linha de ataque. Muitas das coisas que fazemos numa discussão são parcialmente estruturadas pelo conceito de guerra.

 

Esse é um exemplo do que queremos dizer quando afirmamos que um conceito metafórico estrutura (pelo menos parcialmente) o que fazemos quando discutimos, assim como a maneira pela qual compreendemos o que fazemos.

 

(LAKOFF, G. & JOHNSON, M. Texto adaptado de Metáforas da vida cotidiana. Campinas: Mercado de Letras; São Paulo: Educ., 2002, p. 45- 47.)

Texto para responder à questão.

   

Acerca do 1º§ do texto pode-se afirmar que o enunciado apresenta, em sua introdução, como estratégia argumentativa:

  1. ACitação de um exemplo prático quando cita o cotidiano e os conceitos da vida cotidiana.
  2. BExpressão de um conceito que será sustentado a partir do desenvolvimento das ideias nos parágrafos seguintes.
  3. CEmprego de uma linguagem predominantemente metafórica que contribui com o desenvolvimento das ideias apresentadas a seguir.
  4. DContraposição estruturada a partir da exposição de um conceito estabelecido que está em oposição ao posicionamento do enunciador.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Contraposição estruturada a partir da exposição de um conceito estabelecido que está em oposição ao posicionamento do enunciador.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estratégia argumentativa no 1º parágrafo: contraposição

Gabarito: letra D. O 1º parágrafo do texto de Lakoff e Johnson apresenta, em sua introdução, uma contraposição entre a visão comum sobre a metáfora e o posicionamento dos autores. A estratégia é expor um conceito estabelecido (a metáfora como ornamento retórico, restrita à linguagem) para, em seguida, opô-lo à tese que será defendida: a metáfora está infiltrada na vida cotidiana, no pensamento e na ação. A passagem que ancora essa leitura é o trecho em que os autores afirmam: "Nós descobrimos, ao contrário, que a metáfora está infiltrada na vida cotidiana".

O comando da questão pede que se identifique a estratégia argumentativa usada na introdução do 1º parágrafo. Isso não é uma questão de localizar informação explícita, mas de interpretar a estrutura argumentativa: como o autor organiza as ideias para introduzir sua tese. A banca quer que o candidato perceba o movimento retórico inicial, não o conteúdo em si.

No 1º parágrafo, o autor descreve a visão majoritária sobre a metáfora: "A metáfora é, para a maioria das pessoas, um recurso da imaginação poética e um ornamento retórico – é mais uma questão de linguagem extraordinária do que de linguagem ordinária". Em seguida, apresenta a consequência dessa visão: "a maioria das pessoas acha que pode viver perfeitamente bem sem a metáfora". Até aqui, temos a exposição de um conceito estabelecido, um senso comum. O ponto de virada vem com o conectivo "ao contrário": "Nós descobrimos, ao contrário, que a metáfora está infiltrada na vida cotidiana, não somente na linguagem, mas também no pensamento e na ação". Esse "ao contrário" é a marca linguística da contraposição: o autor apresenta a visão comum para, imediatamente, negá-la e afirmar sua própria posição. A tese dos autores (a metáfora é constitutiva do pensamento e da ação) é introduzida em oposição ao conceito estabelecido.

A técnica para resolver é identificar o operador argumentativo que estrutura a introdução. O conectivo "ao contrário" (ou "porém", "mas", "entretanto") sinaliza uma relação de oposição entre duas ideias. Quando o autor diz "a maioria pensa X; nós descobrimos, ao contrário, Y", ele está montando uma estratégia de contraposição: apresentar a tese rival para refutá-la e, assim, introduzir a própria tese com mais força. Essa é uma estratégia argumentativa clássica em textos dissertativo-argumentativos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "expressar um conceito" (alternativa B) e "contrapor-se a um conceito" (alternativa D). A alternativa B é sedutora porque o parágrafo realmente apresenta uma tese, mas ela ignora o movimento de oposição que é a marca da introdução. O conectivo "ao contrário" é a pista decisiva.

Estratégia argumentativa (1º§)
  • 1Exposição do conceito estabelecido
    • Metáfora = ornamento retórico
    • Restrita à linguagem extraordinária
  • 2Contraposição (marca: "ao contrário")
    • Visão comum (metáfora dispensável)
    • Tese do autor (metáfora na vida cotidiana)
      • No pensamento
      • Na ação
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a introdução usa a "citação de um exemplo prático quando cita o cotidiano e os conceitos da vida cotidiana". O 1º parágrafo não cita exemplos práticos; ele apenas menciona, de forma genérica, que a metáfora está na "vida cotidiana". O exemplo concreto (DISCUSSÃO É GUERRA) só aparece no 3º parágrafo. A alternativa extrapola o conteúdo do 1º parágrafo, atribuindo-lhe uma estratégia que pertence a outro momento do texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a introdução é a "expressão de um conceito que será sustentado a partir do desenvolvimento das ideias nos parágrafos seguintes". É verdade que o 1º parágrafo apresenta a tese que será desenvolvida, mas a alternativa ignora a estratégia de contraposição. O parágrafo não apenas "expressa" um conceito; ele o expressa em oposição a outro. A alternativa restringe o alcance da estratégia, descrevendo apenas parte do movimento argumentativo. O conectivo "ao contrário" é a prova de que há uma contraposição, não uma simples exposição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a introdução usa "linguagem predominantemente metafórica". Isso é um erro de leitura: o 1º parágrafo fala sobre a metáfora, mas não a usa como recurso expressivo predominante. A linguagem do parágrafo é denotativa, expositiva. A alternativa contradiz o texto, pois confunde o tema (a metáfora) com o recurso estilístico. Além disso, a estratégia argumentativa não é o emprego de linguagem figurada, mas a contraposição de ideias.

Alternativa D — ✅ Correta

A alternativa descreve com precisão a estratégia: "contraposição estruturada a partir da exposição de um conceito estabelecido que está em oposição ao posicionamento do enunciador". O 1º parágrafo expõe o conceito estabelecido (a metáfora como ornamento, restrita à linguagem) e o contrapõe ao posicionamento dos autores (a metáfora infiltrada no pensamento e na ação). A passagem que prova isso é:

"Nós descobrimos, ao contrário, que a metáfora está infiltrada na vida cotidiana, não somente na linguagem, mas também no pensamento e na ação."

O conectivo "ao contrário" é a marca explícita da oposição. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto, sem acrescentar nada de fora.

Conclusão: a questão testa a capacidade de reconhecer a estratégia argumentativa da introdução. A pista está no conectivo "ao contrário", que sinaliza a contraposição entre a visão comum e a tese do autor. Ao ler um texto dissertativo-argumentativo, sublinhe os operadores argumentativos (mas, porém, ao contrário, entretanto) — eles revelam a estrutura do raciocínio. A alternativa D é a única que nomeia corretamente essa estrutura.

Gabarito: letra D.

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