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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — FUNDATEC 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa504382
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Santa Rosa
Ano
2023
Cargo
Prof (Pref Sta Rosa)

O fim da escola

 

Por Gilberto Dimenstein

 

Daqui a 25 anos, o que hoje é óbvio para poucos será senso comum: a escola como a conhecemos, transmissora de conteúdos avaliados por testes, será encarada como um sinal de educação de baixa qualidade.

 

Pelo menos para os filhos da elite, capazes de pagar mensalidades maiores, a escola que avalia o aluno em provas, cobrando a memorização, já terá deixado de existir. Entrar nas melhores faculdades só vai exigir capacidade de raciocínio e de associar informações. Por isso, o ensino de artes e filosofia ganhará espaço nobre.

 

O fim da escola que aí está implicará professores treinados para atuarem como facilitadores, transitando em várias esferas do conhecimento. As matérias não estarão presas ao currículo definido no ano anterior, mas ao calor do cotidiano.

 

Os conteúdos estarão ainda mais disponíveis em meios eletrônicos, permitindo, graças à interatividade, que se aprenda em qualquer lugar e a qualquer hora; receber ajuda pelo computador será tão comum quanto estar numa sala de aula real.

 

A escola útil para preparar o jovem ao mercado de trabalho só sobreviverá se puder ajudar o aluno a gerir a enxurrada de dados e a se tornar um pesquisador permanente. Devido à enorme quantidade de dados disponível, a sociedade será mais escolarizada, a começar das empresas, nas quais o fundamental será produzir, administrar e transmitir inovações a seus funcionários. Cinemas, teatros, exposições, museus e centros culturais terão fortes núcleos educativos para a formação do público.

 

O mestre terá uma função que vai lembrar o orientador de uma tese de doutorado; portanto, a escola não mais será dividida em séries estanques, será um espaço sem salas de aula, onde os alunos transitarão com suas dúvidas e curiosidades. Terá um ar de centro cultural.

 

O educador e o comunicador tendem a se aproximar: afinal, o professor terá de tirar proveito dos fatos em tempo real e encaixá-los nas áreas de ciências humanas, biológicas ou exatas.

 

Para manter seus leitores, ouvintes e telespectadores, a imprensa também vai se aproximar da educação. Não vai apenas transmitir ou interpretar informações, mas, com o auxílio de recursos tecnológicos, oferecerá salas de aula virtuais e até presenciais para ajudar no entendimento dos fatos. Terá surgido uma nova linguagem (e uma nova profissão), misturando didática com comunicação.

 

O ensino superior será redefinido para atender à essa demanda. O diploma só terá importância se o seu portador enriquecê-lo não apenas com novos diplomas, mas com experiências profissionais.

 

Daqui a 25 anos, o que já é óbvio para muitos não será mais discutido: os níveis de inovação tecnológica e de mudança veloz dos fazeres e saberes profissionais não mais permitirão que o estudante deixe de ser estudante.

 

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/gilberto/

gd290703b.htm – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:

 

I. As melhores escolas já não cobram questões conteudistas e que demandem que o aluno decore pontos para avaliações.

 

II. Nessa nova perspectiva educacional, as fronteiras entre as áreas do conhecimento dominadas pelos professores serão flexibilizadas.

 

III. Na escola do futuro, os estudantes da Educação Básica deverão elaborar teses como as de doutorado.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas I e III.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O fim da escola: compreensão das assertivas

Gabarito: letra B (Apenas II). A assertiva II é a única correta, pois o texto afirma que os professores "transitarão em várias esferas do conhecimento" e que "as matérias não estarão presas ao currículo definido no ano anterior", o que sustenta a ideia de flexibilização das fronteiras entre áreas. A assertiva I erra ao afirmar que "as melhores escolas já não cobram" questões conteudistas — o texto diz que isso ocorrerá "daqui a 25 anos", ou seja, é uma projeção futura, não uma realidade atual. A assertiva III extrapola ao dizer que os estudantes "deverão elaborar teses como as de doutorado", quando o texto apenas compara a função do professor à de um "orientador de tese de doutorado", sem impor essa tarefa aos alunos.

O comando pede que se analise cada assertiva à luz do que o texto afirma — é uma questão de compreensão/recorrência, não de inferência livre. Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel de passagens do texto, sem acrescentar informações de fora. O texto é um artigo de opinião de Gilberto Dimenstein sobre como a escola será transformada em 25 anos: o autor projeta um futuro em que a escola tradicional (transmissora de conteúdos avaliados por testes) deixa de existir, especialmente para a elite, e dá lugar a um modelo com professores facilitadores, currículo flexível e aprendizado contínuo.

A técnica central aqui é confrontar cada assertiva com o tempo verbal e o alcance do texto. O texto fala majoritariamente no futuro ("será", "já terá deixado de existir", "ganhará espaço"), descrevendo uma projeção. A assertiva I usa o presente ("já não cobram"), o que a torna incompatível com a projeção do autor. Já a assertiva II fala de "flexibilização das fronteiras", que é exatamente o que o texto descreve ao dizer que os professores "transitarão em várias esferas do conhecimento". A assertiva III, por sua vez, transforma uma comparação (a função do mestre "vai lembrar o orientador de uma tese de doutorado") em uma obrigação dos alunos ("deverão elaborar teses"), o que é uma extrapolação clássica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação na assertiva III (transforma uma comparação em obrigação) e a troca de tempo verbal na assertiva I (presente em vez de futuro). A assertiva II é a única que se mantém fiel ao texto.

Assertivas sobre o texto
  • 1I — ❌ Incorreta
    • Texto fala no futuro ("terá deixado")
    • Assertiva usa presente ("já não cobram")
    • Generaliza para "melhores escolas"
  • 2II — ✅ Correta
    • Professores "transitam em várias esferas"
    • Matérias não presas ao currículo
  • 3III — ❌ Incorreta
    • Texto compara professor a orientador
    • Assertiva impõe tese aos alunos
LEVEL · soulevel.com.br

Item I — ❌ Incorreta

A assertiva afirma que "as melhores escolas já não cobram questões conteudistas e que demandem que o aluno decore pontos para avaliações". O texto, porém, situa essa mudança no futuro:

"Pelo menos para os filhos da elite, capazes de pagar mensalidades maiores, a escola que avalia o aluno em provas, cobrando a memorização, já terá deixado de existir."

O verbo "terá deixado" está no futuro do presente composto, indicando uma ação que se completará em um momento futuro (daqui a 25 anos). A assertiva usa o presente "já não cobram", como se a mudança já fosse realidade. Isso é um erro de tempo verbal — a assertiva contradiz o texto, que fala de uma projeção, não de um fato atual. Além disso, o texto restringe a mudança aos "filhos da elite", enquanto a assertiva generaliza para "as melhores escolas", sem essa delimitação.

Item II — ✅ Correta

A assertiva afirma que "as fronteiras entre as áreas do conhecimento dominadas pelos professores serão flexibilizadas". O texto sustenta exatamente isso:

"O fim da escola que aí está implicará professores treinados para atuarem como facilitadores, transitando em várias esferas do conhecimento. As matérias não estarão presas ao currículo definido no ano anterior, mas ao calor do cotidiano."

A expressão "transitando em várias esferas do conhecimento" é uma paráfrase direta de "fronteiras flexibilizadas": o professor não ficará restrito a uma única área, mas circulará entre várias. Além disso, o texto reforça que "as matérias não estarão presas ao currículo definido no ano anterior", o que confirma a ideia de flexibilização. A assertiva II é uma reescritura fiel do texto, sem acréscimos ou restrições indevidas.

Item III — ❌ Incorreta

A assertiva afirma que "os estudantes da Educação Básica deverão elaborar teses como as de doutorado". O texto, porém, faz apenas uma comparação entre a função do professor e a de um orientador de tese:

"O mestre terá uma função que vai lembrar o orientador de uma tese de doutorado; portanto, a escola não mais será dividida em séries estanques, será um espaço sem salas de aula, onde os alunos transitarão com suas dúvidas e curiosidades."

A expressão "vai lembrar" indica semelhança, não identidade. O texto compara o papel do professor ao de um orientador, mas não diz que os alunos da Educação Básica deverão escrever teses de doutorado. A assertiva extrapola o texto: transforma uma comparação didática em uma obrigação concreta. Além disso, o texto fala de "alunos" de forma genérica, sem especificar "Educação Básica", e a ideia de "elaborar teses" não aparece em nenhum trecho.

Conclusão: apenas a assertiva II está correta, pois é a única que encontra respaldo direto no texto. A I erra pelo tempo verbal (presente em vez de futuro) e pela generalização; a III erra por extrapolar uma comparação. Portanto, o gabarito é a letra B.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de assertivas que usam palavras absolutas ("já", "sempre", "todos") ou que transformam comparações em obrigações. Confronte sempre o tempo verbal da assertiva com o do texto — se o texto fala no futuro, a assertiva não pode falar no presente como se fosse fato consumado.

Gabarito: letra B

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