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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — Quadrix 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa504703
Banca
Quadrix
Órgão
IIER
Ano
2023
Cargo
ATAS ( )

Texto para a questão.

 

Tem-se dito que muitas descobertas científicas são feitas ao acaso. O acaso, já dizia Pasteur, só favorece os espíritos preparados e não prescinde da observação. A descoberta da penicilina constitui um exemplo típico disso.

 

Alexander Fleming, bacteriologista do St. Mary’s Hospital, de Londres, vinha, há algum tempo, pesquisando substâncias capazes de matar ou impedir o crescimento de bactérias em feridas infectadas. Em 1928, Fleming desenvolvia pesquisas sobre estafilococos, quando descobriu a penicilina. A descoberta deu-se em condições peculiaríssimas, graças a uma sequência de acontecimentos imprevistos e surpreendentes.

 

No mês de agosto daquele ano, Fleming tirou férias e deixou algumas placas com culturas de estafilococos sobre a mesa, em vez de guardá-las na geladeira ou inutilizá-las, como seria natural. Quando retornou ao trabalho, em setembro, observou que algumas das placas estavam contaminadas com mofo. Colocou-as, então, em uma bandeja para limpeza e esterilização. Neste exato momento, entrou no laboratório um colega seu, dr. Pryce, perguntando-lhe como iam suas pesquisas. Fleming apanhou novamente as placas para explicar ao colega alguns detalhes sobre as culturas de estafilococos, quando notou que havia, em uma das placas, um halo transparente em torno do mofo contaminante, o que parecia indicar que aquele fungo produzia uma substância bactericida.

 

O fungoA) foi identificado como pertencente ao gênero Penicillium, donde deriva o nome dado à substânciaB) por ele produzida. Fleming passou a empregá-la em seu laboratório para selecionar determinadas bactériasC), eliminando das culturasD) as espéciesE) sensíveis à sua ação.

 

Inicialmente, a descoberta de Fleming não despertou maior interesse. Contudo, alguns anos mais tarde, Ronald Hare, colega de trabalho de Fleming, tentou, sem êxito, “redescobrir” a penicilina em condições semelhantes às que envolveram a descoberta de Fleming. Após muitas experiências, verificou que a descoberta da penicilina só foi possível graças a uma série inacreditável de coincidências, como: o fungo que contaminou a placa teria vindo pela escada do andar inferior, onde se realizavam pesquisas sobre fungos; no mês de agosto daquele ano, em pleno verão, sobreveio uma inesperada onda de frio em Londres, que proporcionou a temperatura ideal ao crescimento lento da cultura; a providencial entrada do dr. Pryce no laboratório permitiu que Fleming reexaminasse as placas contaminadas e observasse o halo transparente em torno do fungo, antes de sua inutilização.

 

Apesar dessas felizes coincidências, se Fleming não tivesse a mente preparada, não teria valorizado o halo transparente em torno do fungo e descoberto a penicilina.

 

Luisa Costa. Como a peste bubônica pode influenciar na saúde dos europeus hoje. In: Revista Superinteressante, out./2022 (com adaptações).

O termo “sua” retoma
  1. A“fungo”.
  2. B“substância”.
  3. C“bactérias”.
  4. D“culturas”.
  5. E“espécies”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — “substância”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Retomada do pronome possessivo “sua” — coesão referencial

Gabarito: letra B. O pronome “sua” retoma “substância”, pois, no trecho, a substância é que é produzida pelo fungo e, por isso, é ela que é empregada para selecionar bactérias. A pista está na passagem: “o que parecia indicar que aquele fungo produzia uma substância bactericida” e, logo adiante, “Fleming passou a empregá-la em seu laboratório para selecionar determinadas bactérias, eliminando das culturas as espécies sensíveis à sua ação”. O possessivo “sua” refere-se à substância, pois é a ação da substância que elimina bactérias.

A questão cobra coesão referencial, mais especificamente a retomada anafórica por pronome possessivo. O comando é direto: “O termo ‘sua’ retoma” — ou seja, pede-se o referente do pronome, o termo a que ele se liga no texto. Para resolver, não basta olhar a palavra mais próxima; é preciso analisar a estrutura sintática e o sentido do período.

No trecho em questão, o pronome “sua” aparece em “sensíveis à sua ação”. A pergunta é: de quem é a ação? Quem age sobre as bactérias? O texto diz que o fungo produz uma substância bactericida, e que Fleming passou a empregar essa substância para selecionar bactérias, eliminando as espécies sensíveis à ação dela (da substância). Portanto, “sua” = “da substância”.

A armadilha da banca é colocar vários substantivos próximos (“fungo”, “bactérias”, “culturas”, “espécies”) para tentar confundir o candidato. A técnica é substituir o pronome por cada candidato e ver qual faz sentido: “sensíveis à ação do fungo”? Não, o fungo não age diretamente; “sensíveis à ação das bactérias”? Não, as bactérias são o alvo; “sensíveis à ação das culturas”? Não; “sensíveis à ação das espécies”? Não. A única leitura coerente é “sensíveis à ação da substância”.

“o que parecia indicar que aquele fungo produzia uma substância bactericida”

“Fleming passou a empregá-la em seu laboratório para selecionar determinadas bactérias, eliminando das culturas as espécies sensíveis à sua ação”

Observe que “empregá-la” já retoma “substância” (a substância é empregada). Logo, “sua ação” só pode ser a ação da substância. A coesão referencial se dá por cadeia: fungo → substância → sua (da substância).

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Fungo” é o produtor da substância, mas não é o agente da ação que elimina bactérias. O texto diz que o fungo produz a substância; quem age sobre as bactérias é a substância. Trocar “sua” por “do fungo” geraria: “espécies sensíveis à ação do fungo” — o que não corresponde ao texto, pois a ação bactericida é da substância, não do fungo diretamente. Erro: troca de referente.

Alternativa B — ✅ Correta

“Substância” é o referente correto. A cadeia coesiva é: fungo → substância → sua (da substância). O pronome possessivo “sua” retoma “substância”, pois é a substância que exerce a ação bactericida sobre as bactérias. Correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Bactérias” são o alvo da ação, não o agente. O texto diz que a substância elimina bactérias; logo, “sensíveis à sua ação” não pode ser “sensíveis à ação das bactérias”. Erro: inverte a relação agente/paciente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Culturas” são o meio onde as bactérias crescem; não têm ação. O texto menciona “eliminando das culturas as espécies”, ou seja, as culturas são o local de onde as espécies são eliminadas. Erro: foge ao referente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Espécies” são o objeto da eliminação, não o agente. O texto diz “eliminando das culturas as espécies sensíveis à sua ação” — as espécies são eliminadas, não exercem ação. Erro: inverte a relação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca vários substantivos próximos ao pronome para induzir à escolha do mais próximo, mas o referente é determinado pela lógica da ação: quem age é a substância.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o referente de um pronome, substitua-o por cada candidato e veja qual mantém o sentido e a coerência. Pergunte: “de quem é a ação?”.

Conclusão: a resposta é a letra B, pois “sua” retoma “substância”, a única que exerce a ação bactericida descrita no texto. As demais alternativas ou invertem a relação agente/paciente ou apontam para termos que não têm ação no contexto.

Gabarito: letra B

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