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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Quadrix 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa504752
Banca
Quadrix
Órgão
CRO PB
Ano
2023
Cargo
Ag Adm ( )

Você é feliz? E agora, neste exato momento, você está feliz? Esperamos que sim. Mas seja qual for o seu veredicto, você provavelmente hesitou um pouquinho antes de responder. Porque a felicidade é fugidia: às vezes conseguimos agarrá‑la e queremos ficar assim para sempre, mas aí ela começa a escorrer como areia por entre os dedos – ou simplesmente some, sem motivo aparente, para reaparecer tempos depois. Como escreveu Machado de Assis, a felicidade é uma quimera: algo que você passa a vida tentando alcançar, mas está sempre escapando. Ela é muito mais do que ter saúde, dinheiro, liberdade e uma rede de apoio social – que são os critérios usados pelo world happiness report, da Organização das Nações Unidas (ONU), para medir o grau de felicidade de uma nação. Na décima edição desse ranking, publicado em 2022, o Brasil aparece apenas na 38.a posição; e os países mais felizes do mundo são, pela ordem, Finlândia, Dinamarca e Islândia. A Finlândia, aliás, lidera o ranking há cinco anos. Só que 18,8% da sua população tem algum problema psicológico, especialmente com o desenvolvimento de depressão – o percentual mais alto da União Europeia. Você pode ter tudo objetivamente, e mesmo assim não se sentir feliz. O mais provável é que a felicidade e a infelicidade estejam relacionadas a mecanismos cerebrais mais complexos do que se imagina. Nos últimos anos, a ciência encontrou alguns sinais disso. Descobriu‑se, por exemplo, uma molécula que carimba cada uma das memórias – e determina se ela vai ser positiva ou negativa. E que o cérebro possui uma malha de circuitos, a chamada rede de modo padrão, que pode ser decisiva para a sensação de (in)felicidade. Uma das características mais típicas da tristeza é ficar ruminando as coisas: repetir muitas vezes os mesmos pensamentos negativos, que ocupam um tempo enorme e vão assumindo um peso bem maior do que o real (o termo é uma referência aos animais ruminantes, como, por exemplo, as vacas, que ficam um tempão mastigando os alimentos). A felicidade não é sólida; ela oscila, momento a momento. Uma hora nos sentimos felizes e outra, não, mesmo quando não há estímulos claramente negativos. Todo mundo oscila entre o feliz e o não tão feliz; o alegre e o neutro; o melancólico e o triste; e mil outras emoções. Todas têm sua função, inclusive porque elas podem ser instrumentos da razão e nos ajudam a fazer julgamentos rápidos e com menos esforço cognitivo. Vale a pena andar na montanha‑russa das emoções – mesmo que isso signifique encarar uma sequência interminável, muitas vezes imprevisível, de subidas e descidas. Por mais que estejamos sempre correndo atrás da felicidade, sabemos que ela vai escapar e voltar sem muito controle, guiada por balés neuroquímicos e ventos da vida. E tudo bem, pois as coisas também precisam dos seus opostos. Se não houvesse a escuridão da noite, jamais veríamos o sol nascer. Se tudo fosse feliz, nada seria feliz.


Internet: <www.super.abril.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.

   

Em relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item.

 

Infere‑se do texto que o world happiness report, da ONU, possui os melhores critérios para medir a felicidade da nação.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre o world happiness report: o texto não o qualifica como melhor critério

Gabarito: E (Errado). A afirmativa extrapola o texto: ele apenas menciona os critérios do world happiness report como uma forma de medir a felicidade, mas não afirma que sejam os melhores. A passagem que sustenta isso é: "Ela é muito mais do que ter saúde, dinheiro, liberdade e uma rede de apoio social – que são os critérios usados pelo world happiness report, da Organização das Nações Unidas (ONU), para medir o grau de felicidade de uma nação." O texto diz que a felicidade é mais do que esses critérios, o que indica que eles são insuficientes, não os melhores.

O comando pede uma inferência ("Infere-se do texto"), ou seja, uma dedução ancorada em pistas textuais. Mas a afirmativa vai além das pistas: ela acrescenta um juízo de valor ("melhores critérios") que o autor não emitiu. Inferir é extrair o que está implícito; extrapolar é acrescentar o que não está. Aqui, a banca tenta fazer o candidato confundir "mencionar" com "elogiar".

O texto, na verdade, critica a limitação desses critérios. Logo após citá-los, o autor afirma: "Você pode ter tudo objetivamente, e mesmo assim não se sentir feliz." Isso mostra que ter saúde, dinheiro, liberdade e rede de apoio (os critérios do ranking) não garante felicidade. Portanto, o texto não só deixa de dizer que são os melhores, como sugere que são insuficientes.

A técnica para resolver: ao ler "Infere-se", procure uma pista textual que obrigue à conclusão. Aqui, a pista é a expressão "muito mais do que", que limita o alcance dos critérios. A afirmativa, ao dizer "melhores critérios", generaliza e extrapola, pois o texto não faz essa avaliação comparativa. Lembre-se: inferência legítima se apoia em pressuposto; extrapolação acrescenta informação de fora.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora transformar uma simples menção em elogio. O texto cita os critérios do ranking, mas a afirmativa os qualifica como "melhores" — isso é opinião embutida que o autor não externou. Desconfie de adjetivos avaliativos ("melhores", "piores", "ideais") que não estão no texto.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "Infere-se" pede inferência com pista, não o que está escrito. E desconfie de "melhores" — o texto diz que a felicidade é "muito mais do que" esses critérios, ou seja, eles são insuficientes, não os melhores.

Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmativa está errada porque o texto não afirma que o world happiness report possui os melhores critérios. Pelo contrário, ao dizer que a felicidade é "muito mais do que" saúde, dinheiro, liberdade e rede de apoio, o autor rebaixa esses critérios a uma medida incompleta. A passagem decisiva é:

"Ela é muito mais do que ter saúde, dinheiro, liberdade e uma rede de apoio social – que são os critérios usados pelo world happiness report, da Organização das Nações Unidas (ONU), para medir o grau de felicidade de uma nação."

O trecho "muito mais do que" é a chave: ele estabelece que a felicidade transcende esses critérios. Se o autor considerasse o ranking o melhor, ele não diria que a felicidade é "mais do que" aquilo que o ranking mede. Além disso, o texto reforça essa insuficiência com o exemplo da Finlândia:

"A Finlândia, aliás, lidera o ranking há cinco anos. Só que 18,8% da sua população tem algum problema psicológico, especialmente com o desenvolvimento de depressão – o percentual mais alto da União Europeia."

Esse dado mostra que um país pode liderar o ranking e ainda assim ter altos índices de problemas psicológicos. Ou seja, os critérios do ranking não capturam a complexidade da felicidade. A afirmativa, ao dizer que são os "melhores", contradiz a tese central do texto, que é justamente mostrar a limitação dessas medições.

Erro cometido: extrapolação — a afirmativa acrescenta um juízo de valor ("melhores") que o texto não sustenta. O texto apenas menciona os critérios; não os elogia.

Conclusão: como a banca pediu para julgar o item, e a afirmativa é falsa frente ao texto, o gabarito é E (Errado). A regra de ouro: inferência exige pista; extrapolação é erro. Sempre pergunte: "o texto autoriza esta conclusão, ou estou acrescentando algo de fora?" Aqui, a resposta é clara: o texto não autoriza.

Gabarito: E (Errado)

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