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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — Avança SP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa505019
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Morungaba
Ano
2023
Cargo
Ag ( )

RAYMOND CHANDLER (1888 – 1959)

 

Até 1933, Raymond Chandler recebia salário como vice-presidente de uma companhia de petróleo. O emprego não se adaptava ao seu lado criativo e, por isso, ele começou a escrever – para felicidade dos amantes dos romances baratos de todo o mundo. Mesmo nos primeiros contos, escritos para revistas popularescas como Dime Detective, Chandler levou as histórias de detetives durões a um novo patamar. Introduziu não apenas o realismo físico – seus detetives nem sempre estão no lugar certo na hora certa –, mas também o realismo emocional, confrontando as duras verdades da pobreza, da inveja, da cobiça e do crime.

 

Isso não quer dizer, porém, que os livros não apresentam alguns tolos que apanham de brutamontes e bandidos. Philip Marlowe, seu principal herói, passa quase tanto tempo inconsciente quanto bebendo Bourbon e fazendo piadas. É a voz de Marlowe, recheada de gírias da época e de comparações improváveis que faz com que a história vá em frente, mais do que os enredos labirínticos, repletos de voltas e reviravoltas. Quando Marlowe finalmente conclui a aventura, explicando o <quem=, <como= e <por que= do assassinato – geralmente mais de um –, o leitor está tão confuso quanto os policiais bobos que pararam de tentar resolver o caso 200 páginas atrás.

 

Os livros de Chandler são estranhamente atemporais, com pouco senso de passagem do tempo entre eles. Destacam-se Adeus, minha adorada, que apresentou Moose Molloy ao mundo, sujeito com não mais de 2 metros de altura e largura não superior à de um caminhão de cerveja, e O longo adeus, em que Marlowe se debate com a traição do amigo Terry Lennox. Este último, escrito enquanto a esposa de Chandler estava moribunda, costuma ser considerado sua melhor obra.

 

(PATRICK, Julian. 501 Grandes Escritores. Rio de Janeiro: Sextante, 2009, p. 303).

De acordo com o autor do texto, julgue os itens a seguir e, ao final, assinale a alternativa correta:

 

I – Todos os personagens de Chandler apreciavam cerveja.

II Adeus, minha adorada era o título de uma das obras de Chandler.

III – Na obra Dime Detective, Marlowe assassina Moose Molloy.


  1. AApenas o item I é verdadeiro.
  2. BApenas o item II é verdadeiro.
  3. CApenas o item III é verdadeiro.
  4. DApenas os itens I e III são verdadeiros.
  5. ETodos os itens são verdadeiros.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Apenas o item II é verdadeiro.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de Texto — Julgamento de Itens

Gabarito: letra B. Apenas o item II é verdadeiro, pois o texto afirma explicitamente que "Destacam-se Adeus, minha adorada" e "O longo adeus" como obras de Chandler. Os itens I e III são falsos: o texto não diz que todos os personagens apreciavam cerveja (apenas menciona que Marlowe bebia Bourbon e que Moose Molloy tinha largura de um caminhão de cerveja), e não há qualquer menção a Marlowe assassinando Moose Molloy — na verdade, Moose Molloy é apresentado em Adeus, minha adorada, sem relação com um assassinato cometido por Marlowe.

O comando pede que se julgue cada item de acordo com o texto — ou seja, é uma questão de compreensão/recorrência: a resposta deve ser encontrada por paráfrase direta do que está escrito, sem inferências ou conhecimentos externos. Cada item deve ser confrontado com o texto, e não com o que sabemos sobre Chandler ou sobre histórias de detetive.

O texto apresenta Raymond Chandler e sua obra, destacando seu estilo e seus personagens. O segundo parágrafo fala de Philip Marlowe, seu principal herói, e o terceiro parágrafo cita duas obras: Adeus, minha adorada e O longo adeus. É nesse trecho que mora a resposta do item II.

A técnica central é não generalizar: o item I tenta transformar uma menção a "caminhão de cerveja" (uma comparação de tamanho) em uma afirmação sobre os hábitos de todos os personagens. Isso é uma extrapolação — o texto não autoriza essa conclusão. Já o item III inventa um fato (Marlowe assassina Moose Molloy) que não está em lugar nenhum do texto — é pura invenção.

Item

Afirmação

Âncora no texto

Veredito

I

Todos os personagens apreciavam cerveja

Só há comparação de tamanho ("caminhão de cerveja"); Marlowe bebia Bourbon

❌ Falso (generalização)

II

Adeus, minha adorada é obra de Chandler

Citada explicitamente como destaque

✅ Verdadeiro

III

Marlowe assassina Moose Molloy em Dime Detective

Nenhuma menção; Molloy aparece em Adeus, minha adorada

❌ Falso (invenção)

Item I — ❌ Incorreto

O item afirma: "Todos os personagens de Chandler apreciavam cerveja." O texto não diz isso. A única menção a cerveja está na descrição de Moose Molloy: "sujeito com não mais de 2 metros de altura e largura não superior à de um caminhão de cerveja". Isso é uma comparação de tamanho, não uma afirmação sobre o gosto dos personagens. Além disso, o texto diz que Marlowe bebia Bourbon, não cerveja. Portanto, o item generaliza indevidamente (erro do catálogo: generalização).

Item II — ✅ Correto ⟵ GABARITO

O texto afirma: "Destacam-se Adeus, minha adorada, que apresentou Moose Molloy ao mundo... e O longo adeus". Ou seja, Adeus, minha adorada é explicitamente citada como uma das obras de Chandler. O item é uma paráfrase fiel do texto. Não há qualquer ressalva ou ambiguidade.

Item III — ❌ Incorreto

O item afirma: "Na obra Dime Detective, Marlowe assassina Moose Molloy." O texto não contém essa informação. Dime Detective é mencionado como uma revista para a qual Chandler escrevia contos, não como uma obra em que Marlowe aparece. Moose Molloy é apresentado em Adeus, minha adorada, e não há menção a assassinato cometido por Marlowe. O item extrapola completamente o conteúdo do texto (erro do catálogo: fora do escopo).

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura elementos reais do texto (Marlowe, Moose Molloy, Dime Detective) em uma combinação falsa. O candidato que não confere cada detalhe com o texto pode ser levado a aceitar o item III como verdadeiro.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "julgue os itens", leia cada item como uma afirmação que deve ser comprovada por uma passagem do texto. Se não houver passagem que sustente, o item é falso — mesmo que pareça plausível.

Conclusão: apenas o item II é verdadeiro, portanto a alternativa correta é a letra B. A regra de ouro: toda afirmação sobre o texto precisa de uma âncora textual — se não há passagem que a sustente, ela é inválida.

Gabarito: letra B

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