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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FUNDATEC 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa505029
Banca
FUNDATEC
Órgão
ELETROCAR
Ano
2023
Cargo
Elet ( )

O Cupido original não era um bebê com asas

Por Leo Caparroz

 

Você provavelmente já viu a seguinte figura do Cupido: pequeno, gorducho, com carinha de bebê, asinhas e portando um arco e flecha.

 

Essa é uma interpretação moderna do Cupido, presente em desenhos animados, cartões de Dia dos Namorados e gifs do WhatsApp. O problema é que, se compararmos com a versão original dessa figura mitológica, esse visual está bem equivocado.

 

A lenda começa com Vênus furiosa com a devoção dos mortais por Psiquê. Tomada pelo ciúme e pela inveja, Vênus ordenou a seu filho, Cupido, que fizesse a princesa se apaixonar por alguém extremamente miserável. Porém, o que aconteceu é que ele próprio ficou caidinho pela moça – e desobedeceu a mãe.

 

Enquanto isso, a família de Psiquê estava preocupada. As duas irmãs da princesa já estavam casadas – mas a jovem estava longe de encontrar um amor. Com isso em mente, seu pai busca o Oráculo do deus Febo (a versão romana de Apolo), que informa que Psiquê se casaria com uma criatura.

 

Em certo momento, Psiquê adormece e, quando acorda, está em um palácio grande e luxuoso, onde é servida por criados invisíveis. Naquela mesma noite, um “marido desconhecido chegou e fez de Psiquê sua esposa”, mas ele vai embora antes do nascer do sol e a proíbe de tentar investigar sua aparência.

 

A partir daí, esse marido misterioso chega todas as noites, dorme com Psiquê e sai antes do nascer do Sol. Não demora muito para que a princesa engravide e, pouco a pouco, a falta de contato com o mundo exterior a deixa cada vez mais triste e solitária.

 

O marido, então, permite que as irmãs de Psiquê a visitem. Quando elas aparecem, porém, ficam cheias de inveja da sua vida de luxo. Na tentativa de acabar com o casamento, elas fazem a cabeça de Psiquê com uma suposição para o segredo do marido: tal qual a previsão do Oráculo, ele seria uma serpente monstruosa, que iria devorá-la ainda grávida.

 

Horrorizada, Psiquê acreditou, e decidiu matar o marido com uma adaga, enquanto ele dormia. Antes disso, porém, olhou para o seu rosto,à luz de uma lamparina. Foi quando descobriu quem era o homem misterioso: Cupido.

 

Emocionada com a descoberta, ela derrama o óleo fervente da lamparina e desperta Cupido. Totalmente desconcertado com a traição de sua esposa, ele voa para longe, deixando uma Psiquê apaixonada para trás.

 

Completamente perdida de amores, Psiquê embarca em uma longa busca para reencontrar Cupido – que estava de volta ao palácio de sua mãe, recuperando-se dos ferimentos.

 

A princesa se submete a uma série de tarefas brutais e torturantes impostas por uma Vênus furiosa com a desonra de seu filho. Ao final da última tarefa, Psiquê cai em sono profundo.

 

Cupido, recuperado de seu ferimento, escapa do castigo de sua mãe pela janela e salva sua amada do sono eterno. Ele leva sua questão até Júpiter, que propõe um acordo: ele ajudaria Cupido; em troca, o deus do amor daria uma mãozinha para que ele conquistasse qualquer donzela que chamasse sua atenção no futuro.

 

E foi assim que Psiquê se tornou imortal – e pôde se casar “oficialmente” com Cupido.

 

A história sugere uma lição de moral: embora o processo possa ser longo e difícil, casais eventualmente se ajustam a seus papéis. É claro: a trama de Cupido e Psiquê teria sido bem menos complicada se confiança e diálogo estivessem presentes desde o primeiro momento. Mas é interessante pensar que, uma vez amenizadas, as emoções intensas do deus do amor podem representar a base para um relacionamento duradouro.

 

(Disponível em: https://super.abril.com.br/cultura/o-cupido-original-nao-era-um-bebe-com-asas-conheca-suahistoria/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego de recursos coesivos, analise as assertivas a seguir:

 

I. O referente do pronome relativo “que” é a palavra “pai”, na mesma linha.

 

II. A palavra “a” é pronome oblíquo e tem como referente a palavra “Psiquê”, na mesma linha.

 

III. O pronome “esse” é empregado porque a palavra “marido” já havia sido anteriormente mencionada.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas I e III.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Apenas II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: identificando os referentes dos pronomes

Gabarito: letra E. Estão corretas apenas as assertivas II e III. A assertiva I está errada porque o pronome relativo “que” não retoma “pai”, mas sim “Oráculo do deus Febo”. A assertiva II está correta: o “a” em “devorá-la” é pronome oblíquo que retoma “Psiquê”. A assertiva III está correta: o pronome “esse” retoma “marido”, já mencionado anteriormente.

O comando pede que você analise o emprego de recursos coesivos, ou seja, como os pronomes retomam termos anteriores (anáfora). Para cada assertiva, é preciso localizar o trecho exato e identificar o referente — a palavra ou expressão que o pronome substitui. Não basta saber a classe gramatical; é preciso verificar no texto a que termo cada pronome se liga.

O texto narra a história de Cupido e Psiquê. A resposta mora em três trechos específicos: o parágrafo em que o pai consulta o Oráculo (para a assertiva I), o trecho em que Psiquê decide matar o marido (para a assertiva II) e o trecho em que o marido misterioso é apresentado (para a assertiva III).

A técnica central é: todo pronome remete a um antecedente (ou referente) que já apareceu no texto. Para acertar, você deve substituir mentalmente o pronome pelo termo que ele retoma e verificar se a frase continua fazendo sentido. Cuidado com pronomes que podem ter mais de um candidato a referente — o contexto imediato resolve.

Coesão referencial
  • 1Anáfora
    • Pronome retoma termo já dito
    • Ex.: "esse" retoma "marido"
  • 2Referente
    • Termo que o pronome substitui
    • Teste: substituir e verificar sentido
  • 3Armadilha comum
    • Troca de referente
    • Ex.: "que" retoma "Oráculo", não "pai"
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Assertiva I — ❌ Incorreta

A assertiva afirma que o referente do pronome relativo “que” é a palavra “pai”. No texto, o trecho é:

“seu pai busca o Oráculo do deus Febo (a versão romana de Apolo), que informa que Psiquê se casaria com uma criatura.”

O pronome relativo “que” retoma “Oráculo do deus Febo”, pois é o Oráculo que informa a previsão. Se substituíssemos “que” por “pai”, a frase ficaria “pai informa que Psiquê se casaria...”, o que não corresponde ao sentido original. Portanto, a assertiva erra ao trocar o referente — é uma troca de referente (armadilha clássica de coesão).

Assertiva II — ✅ Correta

A assertiva afirma que a palavra “a” é pronome oblíquo e tem como referente “Psiquê”. No texto:

“decidiu matar o marido com uma adaga, enquanto ele dormia. Antes disso, porém, olhou para o seu rosto, à luz de uma lamparina. Foi quando descobriu quem era o homem misterioso: Cupido.”

O trecho relevante é: “ela derrama o óleo fervente da lamparina e desperta Cupido”. Mas a assertiva se refere ao trecho anterior: “decidiu matar o marido com uma adaga”. O pronome “a” aparece em “devorá-la” (no parágrafo anterior: “ele seria uma serpente monstruosa, que iria devorá-la ainda grávida”). Nesse trecho, “a” é pronome oblíquo que retoma Psiquê — é ela que seria devorada. Portanto, a assertiva está correta: o “a” é pronome oblíquo e seu referente é Psiquê.

Assertiva III — ✅ Correta

A assertiva afirma que o pronome “esse” é empregado porque a palavra “marido” já havia sido mencionada. No texto:

“Naquela mesma noite, um ‘marido desconhecido chegou e fez de Psiquê sua esposa’, mas ele vai embora antes do nascer do sol e a proíbe de tentar investigar sua aparência.”

O pronome “esse” aparece em: “A partir daí, esse marido misterioso chega todas as noites”. O pronome demonstrativo “esse” retoma “marido”, que já foi mencionado no parágrafo anterior. Isso é uma anáfora — o pronome retoma um termo já dito. Portanto, a assertiva está correta: o uso de “esse” se justifica porque o referente já foi introduzido no texto.

Conclusão: As assertivas II e III estão corretas, e a I está incorreta. Como a banca pede as corretas, o gabarito é a letra E.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de coesão, sublinhe o pronome e pergunte: “quem?” ou “o quê?”. O referente é sempre o termo que faz sentido na substituição. Desconfie de referentes que parecem óbvios mas não estão no contexto imediato.

Gabarito: letra E

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