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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — FUNDATEC 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa505116
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC
Ano
2023
Cargo
PEBTT ( )

Ser professor

Por Ester Rosseto

 

Ser professor é um lance de amor. Nesse caminho que venho trilhando constatei que existe uma profunda diferença entre dar aula e ser professor. Dar aula é muito bom. É querer compartilhar conhecimento, propagar a informação. Dar aula exige esforço, dedicação, preparo. Mas existe uma imensa distância entre “dar aula” e ser professor, porque dar aula é uma atividade, mas ser professor é muito mais do que isso.

 

Como já dizia o grande mestre Paulo Freire, “eu nunca poderia pensar em educação sem amor. É por isso que me considero um educador: acima de tudo porque sinto amor”, porque professor vai além. Além das tarefas estabelecidas em contrato, além das horas pagas no holerite, além da ideia de que aquilo é apenas um meio para se ganhar a vida.

 

Professor quer saber o nome, quer saber quem é quem, quer saber as histórias, as origens, os rumos pretendidos. Professor está na chuva para se molhar, para se arriscar diariamente. Para sofrer com as derrotas e vibrar com as vitórias dos alunos. Para corrigir provas como quem assiste a um jogo de futebol, lamentando-se quando um craque chuta a bola no travessão. Desacreditando quando um perna de pau acerta a bola no ângulo.

 

Professor se envolve, mesmo quando tenta evitar

 

Professor se perde no cronograma. Não está lá só para cumprir horário e currículo. Está lá para parar a cada dúvida, para ensinar não só a matéria, mas ensinar o melhor do - pouco ou muito - que sabe sobre a vida.

 

Professor acaba por viver muitas vidas além da sua. Vivencia o crescimento, os obstáculos, as crises, os começos de namoro, as brigas entre amigos, problemas de casa, a conjuntivite alheia, as angústias, os caminhos.

 

Professor não tem medo de se expor, de se mostrar humano e vulnerável. Não tem medo de roupa preta suja de giz, de pilhas de livros para carregar, da odisseia do fechamento dos diários no fim do ano, nem das provas que parecem dar cria na calada da noite.

 

Só o que sei é que, no fim das contas, ser professor é um lance de amor. Às vezes é sofrido. Às vezes é maçante. Como todo amor. Mas é uma dessas paixões avassaladoras que vicia, e que quem sente, já não consegue ver sentido em viver sem.

 

(Disponível em: http://zimemaper.blogspot.com/2015/11/cronica-ser-professor-ester-rosseto.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

   

A autora, na construção de seu texto, emprega como recurso estilístico a repetição da palavra “professor”, seguida de um verbo, no início de várias de suas frases. Assinale a alternativa que indica o nome correto da figura de construção que representa esse recurso.

  1. AAnáfora.
  2. BPolissíndeto.
  3. CAnacoluto.
  4. DElipse.
  5. EZeugma.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Anáfora.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A repetição de “professor” no início das frases: anáfora

Gabarito: letra A. O recurso estilístico descrito no enunciado — repetir a palavra “professor” seguida de verbo no início de várias frases — é a anáfora, figura de construção que consiste na repetição de uma palavra ou expressão no início de versos, orações ou frases para criar ênfase e coesão. O próprio texto exemplifica: “Professor quer saber o nome...”, “Professor está na chuva...”, “Professor se envolve...”, “Professor se perde no cronograma...”. A banca pede apenas o nome da figura, e a definição bate exatamente com o que a autora faz.

O comando da questão

A questão é de conhecimento metalinguístico: não pede interpretação do conteúdo, mas o nome técnico de um recurso de construção. O enunciado já descreve o fenômeno — “repetição da palavra ‘professor’, seguida de um verbo, no início de várias de suas frases” — e você só precisa classificá-lo. Isso muda a estratégia: em vez de procurar sentido no texto, você deve reconhecer a definição de cada figura listada nas alternativas e ver qual corresponde à descrição.

O texto e o recurso

A crônica de Ester Rossetto constrói sua tese — “ser professor é um lance de amor” — por meio de uma estrutura paralela: vários parágrafos começam com a palavra “professor” seguida de um verbo no presente do indicativo. Veja os exemplos no próprio texto:

“Professor quer saber o nome, quer saber quem é quem...”

“Professor está na chuva para se molhar...”

“Professor se envolve, mesmo quando tenta evitar”

“Professor se perde no cronograma.”

“Professor acaba por viver muitas vidas além da sua.”

“Professor não tem medo de se expor...”

Essa repetição no início de cada frase é a marca registrada da anáfora. Ela não é apenas um ornamento: cria um ritmo e reforça a ideia de que o professor é um ser plural, que vive muitas vidas. A repetição também funciona como coesão recorrencial — um mecanismo que liga as partes do texto pela reiteração de um vocábulo.

A técnica para não errar

Decore as definições das figuras de construção mais cobradas em prova:

  • Anáfora: repetição de palavra ou expressão no início de frases/versos. Ex.: “Se você gritasse, Se você gemesse...”

  • Polissíndeto: repetição de conectivo (e, ou, mas...). Ex.: “Ou você estuda, ou trabalha, ou vai à praia.”

  • Anacoluto: quebra da estrutura sintática, com um termo solto. Ex.: “Eu, não sei o que fazer.”

  • Elipse: omissão de termo sem referente no texto. Ex.: “Ganhei uns milhões na loteria.” (omite-se “eu”)

  • Zeugma: omissão de termo já mencionado anteriormente. Ex.: “Ela gosta de Caetano; eu, de Chico.” (omite-se “gosto”)

A pegadinha clássica é confundir anáfora com polissíndeto. A diferença é simples: anáfora repete palavra significativa (substantivo, verbo, adjetivo); polissíndeto repete conectivo. No texto, repete-se “professor” (substantivo), não uma conjunção — logo, é anáfora.

Figuras de construção
  • 1Repetição
    • Anáfora
      • palavra no início de frases/versos
      • ex.: "Professor quer saber..."
    • Polissíndeto
      • repetição de conectivo
      • ex.: "ou... ou... ou..."
  • 2Omissão
    • Elipse
      • termo sem referente
      • ex.: "(Eu) ganhei na loteria"
    • Zeugma
      • termo já mencionado
      • ex.: "Eu gosto de café; ela, de chá"
  • 3Quebra sintática
    • Anacoluto
      • termo solto na oração
      • ex.: "Eu, não sei o que fazer"
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A definição de anáfora é exatamente o que o enunciado descreve: repetição de uma palavra no início de frases ou versos. O texto faz isso com “professor” em pelo menos seis parágrafos. Não há outra figura que se encaixe tão perfeitamente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Polissíndeto é a repetição de conectivos (e, ou, mas, nem), não de substantivos. No texto, não há repetição de conjunção; há repetição do substantivo “professor”. A alternativa troca o termo repetido: confunde palavra lexical com conectivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Anacoluto é a quebra da estrutura sintática, quando um termo fica solto, sem função na oração. Ex.: “Eu, não sei o que fazer.” No texto, as frases são sintaticamente completas — “Professor quer saber...” tem sujeito e predicado. Não há quebra; há repetição. A alternativa contradiz a estrutura do texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Elipse é a omissão de um termo que pode ser facilmente subentendido, sem que ele tenha aparecido antes. Ex.: “(Eu) Ganhei uns milhões.” No texto, nada é omitido; ao contrário, há repetição explícita de “professor”. A alternativa inverte o mecanismo: omissão versus repetição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Zeugma é um tipo de elipse em que se omite um termo já mencionado anteriormente. Ex.: “Eu gosto de café; ela, de chá.” (omite-se “gosta”). No texto, não há omissão; há repetição intencional. A alternativa confunde omissão com repetição.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre anáfora (repetição de palavra) e polissíndeto (repetição de conectivo). Se você decorar que anáfora é repetição no início e polissíndeto é repetição de conectivo, nunca mais erra.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar figuras de construção, pergunte: o que está sendo repetido? Se for palavra significativa (substantivo, verbo), é anáfora; se for conectivo, é polissíndeto; se for omissão, é elipse/zeugma.

Gabarito: letra A.

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